sábado, 27 de setembro de 2008

Almir Sater fala de direitos autorais na Revista Abramus




Almir Sater
Espírito caipira

Nesta entrevista exclusiva,o compositor fala de sua carreira e sobre o impacto que as tecnologias digitais está causando na música.

Almir Sater descobriu na viola caipira a sua identidade musical e, com ela compôs canções que resistiram à passagem do tempo. Nascido em Campo Grande, região de fronteira onde a viola era instrumento estrangeiro e o violão e a sanfona ditavam as regras, Sater se descobriu narrador legítimo de histórias de gente simples e da vida no campo.

Hoje, 27 anos depois do lançamento do primeiro disco, o violeiro é sinônimo de simplicidade e de música brasileira. Associado da ABRAMUS, Sater fala sobre regionalismo, modernidade e carreira em família.

ABRAMUS – Você nasceu e cresceu em uma área de música de fronteira e, no entanto, desenvolveu um estilo considerado tipicamente brasileiro. De onde vieram essas influências?
Almir Sater – Vieram da viola caipira.O universo da viola caipira é um pouco diferente do universo que eu tinha na fronteira do Paraguai e da Bolívia, pois a música de fronteira se utiliza mais de violões, sanfonas, harpas. A viola não é um instrumento popular no Mato Grosso do Sul. Não tinha violeiro tocando por
lá. No entanto, eu sempre gostei do som da viola, que eu curtia através do rádio. Então, fui tocá-la e isso abrasileirou bastante o meu trabalho.

ABRAMUS – E como é seu processo de composição? Você precisa ficar
sozinho, se isolar em algum lugar?
AS - Não existe um processo de composição, mas sim um estado de composição,
que é quando você fica com o seu violão, tocando e procurando coisas. A gente não possui uma chave da composição. Acho que ninguém tem isso... E esse é o mistério do nosso trabalho artístico.

ABRAMUS – O que vem primeiro, letra ou melodia?
AS -Geralmente, a melodia.É a melodia que “puxa” a letra.

ABRAMUS – Como você vê a questão da música brasileira incorporar elementos da era digital?
AS - Eu acho que não devemos ter limites em música,tampouco regras. Não é o instrumento nem a maneira como ela é feita que a define... acho que depende de quem a toca.

ABRAMUS – Qual é a sua relação com a divulgação da música na internet
e com a pirataria? Disponibilizaria seu trabalho na internet?

AS -Eu acho que o disco está caminhando para a extinção.Tudo aquilo que você
pega, embrulha e leva para casa parece estar acabando. A questão é que, no momento em que você faz a música e a grava, ela não te pertence mais. Ela pertence ao mundo. Essa é a novidade desse novo milênio.É legal por um lado, mas é ruim para os artistas que vivem de música e precisam e pagar contas. Para ser uma relação justa,o artista deveria ter direito a tudo pirata: não deveria pagar nada.

ABRAMUS –Ultimamente,você tem comprado CDs ou baixado músicas?
AS -Eu também baixo músicas, assim como os outros. Eu tenho um amigo que sempre chega e fala, “olha, tenho umas músicas aqui que vale a pena conhecer”. É como você copiar uma fita cassete, antigamente.
Infelizmente, as lojas de disco estão acabando. Hoje em dia,você não vê uma loja que venda apenas CDs.O que existe são lojas que vendem tudo ,inclusive CDs.Não acho isso muito bom.Mas é o novo milênio.

ABRAMUS – Como vê a questão dos direitos autorais no Brasil?
AS – A indústria fonográfica pega o seu trabalho e manda para o mundo. Depois
disso, não temos mais o domínio do que é feito.Espero que pelo menos sobrem os direitos autorais para o artista poder sobreviver.

ABRAMUS - Como estão seus projetos artísticos?
AS - As coisas vão acontecendo e não sou muito de programar. Além disso,
meus discos costumam ter um espaçamento grande. Agora estou preparando
o repertório do próximo que deve sair daqui a dois anos.

ABRAMUS -Como você trabalha esse espaçamento entre seus discos?
AS -Tudo acontece em função das composições. Eu sou um compositor, eu
canto as músicas que eu faço. Quando há música pronta, eu gravo.Quando não
há, eu faço.

ABRAMUS – Como é viver de música em família?
AS - Meus filhos estão todos seguindo a carreira musical. Eles acham que têm
de tocar porque eu toco, meu irmão toca, minha irmã canta, meu filho mais
velho já toca, meu cunhado toca... eles acham que nossa família tem de trabalhar
com isso então naturalmente eles vão para o caminho da música.Na verdade,
eu queria que eles trabalhassem.

Um violeiro em ação: mesmo gravando pouco, Almir Sater não deixa de
percorrer o Brasil com seus shows embalados por boa música caipira.

Agosto 2008 |ABRAMUS 7

Sociedade: "A cultura de paz tem que ser aprendida.”



Para o zen budismo, os monstros da atualidade são a ganância, a raiva e a ignorância que precisam ser enfrentados, segundo a monja Coen, por meio da não-violência. “Como a gente faz isso é um novo treinamento.Precisamos aprender a resolver nossos conflitos sem violência. A meditação é uma forma de se fazer isso.”

A cultura da paz não se restringe à ausência de guerra, mas está relacionada à inexistência de agressões.“A língua é um chicote. A pessoa pode falar coisas que destróem o outro”, alerta.“Nós só vamos sobreviver se estivermos juntos.” Mas há outros tipos de violência, como a pratica contra a natureza e que produz efeitos diretos na vida dos seres humanos.“Cada vez que poluímos a água, a terra e o ar, estamos praticando uma violência contra nós porque somos parte da natureza.

Precisamos rever nossos valores, perceber que somos tão ligados às plantas, a água e ao ar quanto às outras pessoas”, declarou a monja. “Está todo mundo na sua "capsulazinha" achando que está separado do resto e se os outros não melhoram, eu não melhoro.”

O caminho, para a monja Coen seria, criar uma situação de não-violência e isso depende de cada um: “O que se faz pelo bem de todos, volta para mim, o que eu faço só pensando em mim, me limita, me aprisiona. Não vai ser bem de verdade. A cultura de paz tem que ser aprendida.”

“Devemos compreender o outro mesmo que ele seja malvadinho.Você me dá ódio, eu te dou amor.” monja Coen prega o amor e a compreensão". Então, vamos começar por nós, mas desejando para os outros, o mesmo que desejamos para nós, saúde, abundância e dignidade.