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15 agosto, 2026

Maneiras práticas de estimular o ciclo do bem comum

Reza a lenda que dar e receber é uma via de mão dupla. A afirmação parece óbvia, mas a verdade é que nos esquecemos dela a todo instante.
 

Imagem de Franz Bachinger por Pixabay

Dizem que é pelo bom exemplo que influenciamos pessoas, e isso acontece nas pequenas coisas. O profeta Gentileza foi um dos maiores incentivadores para a prática de atos gentis.

Há algum tempo, li uma lista da autora Carla Aranha que trazia 50 maneiras práticas de se doar um pouquinho por dia, que transcrevi para o blog, em 2015. E às quintas-feiras costumo colocar um #TBT de coisas que acho interessantes relembrar.

Para a minha surpresa, minha irmã — que mora comigo há 3 anos e é a testemunha ocular da minha rotina — resolveu me avaliar. Segundo a visão dela, fiquei de fora de 6 atividades, mas passei em 44!

E juro para vocês, gente: não a subornei! 😂

Essa brincadeira me fez refletir bastante. Assim como me estimulou a criar essa nova postagem.

Em contrapartida a essas 6 que não faço, decidi estender a lista original com as atitudes que eu mais pratico no meu dia a dia (e das quais minha irmã também confirma).

São pequenos atos de empatia e respeito que fazem a diferença:

• 51. Não furo filas.

• 52. Cedo o lugar na fila: Deixo pessoas grávidas, idosas, com deficiência, com criança ou com pressa passar adiante na fila do mercado, ou se a pessoa estiver apenas com uma cestinha e eu com o carrinho cheio.

• 53. Estendo a mão a quem precisa: Compro comida, doo agasalhos, cobertores, alimentos e, se baterem à minha porta, ninguém sai sem um prato de comida, uma garrafa de água ou o que for necessário. Seja sem-teto, indígena ou quem for.

• 54. Respeito à igualdade: Trato as pessoas com deficiência com o mesmo respeito que trato as demais. Afinal, trata-se de uma limitação, e todos nós temos as nossas.

• 55. Varro a calçada da vizinha: Faço isso tanto pela empatia quanto pela consciência social, para evitar que os resíduos vão para os bueiros e causem entupimentos por pura negligência coletiva.

• 56. Valorizo o transporte: Se pego um táxi, agradeço a corrida e, geralmente, arredondo o valor para cima. Se deu R$ 8 ou R$ 9, pago R$ 10, e assim por diante.

• 57. Deixo caixinha: Sempre deixo uma caixinha para a atendente da lotérica ou um mimo no mercado. Quando oferecem aqueles produtos que eles ganham comissão, eu compro e deixo o quitute para eles mesmos consumirem.

• 58. Protejo os + idosos: Caminho ao lado de idosos, geralmente com bengala ou dificuldade para andar, a fim de garantir que atravessem a rua em total segurança.

• 59. Não pechincho preço: Valorizo demais a mão de obra das pessoas, sejam serviços de manutenção, pintores ou artesãos. Se eu não posso pagar o valor cobrado, simplesmente não compro, nem pechincho.

• 60. Devolvo o carrinho: Pego o carrinho do mercado e, após o uso, faço questão de devolver exatamente no devido lugar.

• 61. Facilito o trabalho no restaurante: Os restos de comida deixados na mesa do restaurante eu jogo no lixo adequado, e ainda levo os pratos até o balcão para ajudar o funcionário.

• 62. Respeito o chão limpo: Evito passar onde a funcionária da limpeza está passando o pano, em total respeito ao esforço do seu trabalho.

• 63. Lixo na rua? Nem pensar! Tenho o maior respeito por coletores de lixo e garis. Separo tanto o lixo reciclável quanto o descartável. Se houver vidros (quebrados ou não), embrulho dentro de uma caixa de papelão e escrevo um recado bem visível: “Cuidado, há vidros”.

• 64. Reconhecimento aos coletores de lixo (lixeiro): Prefeitura proibindo ou não (como fizeram ano passado), sazonalmente eles recebem um agrado da minha parte em reconhecimento ao valor de seu trabalho tão essencial.

• 65. Agradecimento ao motorista no trânsito: Sempre quando param espontaneamente para eu passar, retribuo com o gesto de gratidão com as mãos unidas e eles agradecem em retorno. 🙏

Sou melhor que os outros por causa disso? Não. Mas viso ser “útil e prestável” a mim e aos outros ao meu redor.

Para mim, viver em sociedade exige responsabilidade e empatia.

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"Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita".

Gratidão

A Folha Amassada

Significa fazer o que é justo e priorizar o bem da coletividade, em vez de se entregar ao desdém, à apatia e à indiferença. O mundo não pode girar em torno do nosso umbigo. Liberdade exige responsabilidade, direitos e deveres. 

Ser do bem é refletir sobre qual é o seu papel e o que você faz, ativamente, para melhorar o mundo.

Como já dizia a famosa frase atribuída a Sigmund Freud: "Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?"

06 agosto, 2026

O peso silencioso da desvalidação emocional

Você já viveu algo assim em algum momento de sua vida? Seja quando criança ou adulto: a desvalidação.

Imagem de Ryan McGuire por Pixabay

Segundo o dicionário, desvalidação significa “fazer com que se torne nulo; invalidar, deixar de ter importância ou tirar a relevância de algo”, como desmerecer ou desvalidar o mérito de alguém, minimizando os sentimentos de outra pessoa, a intensidade de algo ou fatos vividos.

Na psicologia, é tratado como invalidação emocional, ou seja, o mesmo que rejeitar, ignorar ou diminuir os sentimentos, pensamentos e dores de outra pessoa. É tratar o que o outro sente como errado, exagerado, bobagem ou inexistente, invalidando a sua experiência interna, segundo o Instituto de Psiquiatria do Paraná.

Você fala algo e a pessoa desvalida a sua dor, a frustração ou angústia, até um simples acontecimento ou fato passado. Consciente ou inconscientemente, ela cria outra narrativa que anula os sentimentos e suas percepções.

Passa a ideia de que você esteja equivocada ou supervalorizando algo banal e, por consequência, sai como culpada pelo conflito gerado.

Esse tipo de faceta está enraizado nos âmbitos pessoal e profissional, na política, naquele que detém o poder da comunicação e no algoritmo. “Agora vou desdizer tudo aquilo que lhe disse antes”, como diria Raul.

Alguns exemplos comuns

Se a notícia for contra o que defendemos como verdade, minimizamos o relato. Mas, se for a favor do que temos como ideologia, transformamos a fala em algo banal até que ela perca o sentido.

Ou você desabafa sobre uma perda, dor ou doença e ouve: “Você supera isso.” Você expressa uma insatisfação e a pessoa diz que “você reclama de barriga cheia”.

Há quem diga: “Morrer todos vamos mesmo”, se você comenta o diagnóstico de uma condição mental como ansiedade, depressão, síndrome do pânico ou até mais grave — muitas vezes geradas pela própria pessoa que disparou o gatilho emocional anteriormente.

Existe uma ironia profunda nessa última frase: quem dá esse tipo de “conselho” egoísta sempre pensa em continuar vivendo e seguir em frente.

A agressão passiva e o silêncio

Há uma outra maneira também de invalidação emocional que vem da “Agressão Passiva”. Segundo a psicóloga criminal Júlia Shaw, ela é tão ruim quanto a agressão física, porque a pessoa se cala, ignora a outra, seja numa mensagem, feedback ou contato telefônico.

E como ela agiu na passividade, fingindo-se de “Inês é morta”, a outra parte, quando cobrada sobre o descaso, irá ouvir como argumento: “O quê? Eu não fiz nada”, “estava ocupada demais”, “tenho afazeres”, “você não sabe o que estou passando”. Ou seja, ela diminuiu e desvalorizou a importância de dar o retorno, seja ele positivo ou negativo.

O meu “bigodudo” e filósofo favorito, o alemão Friedrich Nietzsche, dizia: “A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores, são mais educadas do que o silêncio.”

É claro que haverá momentos em que a pessoa está ocupada no trânsito, numa reunião ou na “deprê”, mas há indivíduos que ignoram o outro utilizando de subjetividade e propositalmente. Temos duas escolhas: aplicar a reciprocidade ou não “perturbá-la” mais.

Novamente, Nietzsche em “Além do Bem e do Mal” alerta: “Se olhar por muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você”, ou seja, nos transformaremos naquilo que tanto repudiamos.

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Agressão Passiva

Análise sobre Pollyanna

Depressão

A vida real não é um algoritmo

Quem lida com pessoas precisa estar atento a isso: elas não são como a inteligência artificial, exatas em compilar dados e destrinchá-los, mas desprovidas de entendimento de sentimentos, sensações e emoções.

“Ninguém chega a se tornar humano se está sozinho. Nós nos fazemos humanos uns aos outros. Somos, pois, frutos do contágio social”, segundo o filósofo Fernando Savater.

A vida real exige diálogo, entorno e retorno, uma via de mão dupla. Só assim faremos de nós e dos outros a necessidade de viver em uma sociedade pautada em empatia, respeito, seriedade e mais justa.

20 dezembro, 2024

O fim do ano se aproxima e...

 E mal piscamos, já está chegando ao fim, 2024. Os shows estão terminando, os  artistas e parceiros entrando em recesso. Lá vem o Natal, festas, hora de descanso, reunião com familiares, amigos ou solitários. O que importa é estar bem consigo mesmo. Daqui a 11 dias já acontece a virada para 2025.

Imagem de Gerd Altmann  por Pixabay

Não há muito o que celebrar, já que vivemos numa gangorra, mundo jamais imaginado. Cheio de controvérsias, ódio, sardonismo, conflitos e medo. Quem diria que o tão esperado século XXI seria transformado em pesadelos assim, de décadas para cá.  

Pessoas vivem como se não fossem morrer.  Com seu egoísmo, voltadas para a ganância, riqueza e poder. E os outros que lutem ou se resignem. Exigem dos outros aquilo que não são. Pessoas com frases feitas. Amizades maquiadas, relações dissimuladas.  

Pessoas esquecem que cada ano de nossa vida é uma nova história que se inicia, um novo capítulo. Entre perdas e ganhos. A pessoa que conhecemos na infância, adolescência, juventude, adulta e idade madura não há como voltar aos estágios anteriores, mas há quem se ache no direito de querer que sejamos a mesma pessoa. “Não posso voltar para ontem, porque lá eu era outra pessoa”, assim escreveu Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas.

Vivemos numa sociedade adoecida, em realidade paralela, o mundo se explodindo com guerras, mortes, violência moral, física, emocional, perseguições, falsas notícias e falsas simetrias. O mundo retrocede na incivilidade. Uma prova de que a mão que balança o berço nem sempre está preparada para educar o convídio em sociedade.  

Houve uma época em que ser chique era ser elegante nas palavras, nas atitudes, nos atos.  As empresas priorizavam candidatos que se comportavam de forma mais exemplar nas redes sociais. Os de RH faziam questão de monitorar os perfis, seus gostos e comunidades que seguiam quando pleitavam uma vaga. E deixavam claro os critérios, visando ética, juízo de valor e sentimentos assertivos como empatia, solidariedade, agora são piegas, fora de cogitação para o CV.

 O sistema é cruel, faz a gente acreditar que não se esforçou o bastante, não rezou o bastante.  Há aqueles que vivem dentro de uma bolha porque estão confortáveis em seus lares, emprego e se arranjaram na vida. Alguns vivem como que anestesiados pelo efeito Soma (uma droga presente no livro Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, que causava felicidade e impedia os personagens de ficarem tristes)

Quantos no mundo perdem suas famílias, empregos, estão em luto, têm dificuldades financeiras ou estão doentes, carentes, necessitados.

Falta sensibilidade e empatia a esse tipo de pessoa, e mesmo assim todo o dia “vomitando” para os outros. “Deus está no comando.”  O filósofo francês Voltaire já ironizava isso em “Cândido”, sobre o mundo dos possíveis, em que Leibniz declarava um otimismo exacerbado, enquanto a vida dele estava de cabeça para baixo, por defender a justiça e contra-atacar a intolerância religiosa e um Estado excludente.

Há sempre tempo de mudar, somos pó e ao pó voltaremos, por que então sermos tão duros, cruéis uns com os outros? Por que tanta ganância, vulgaridade e baixeza moral? 

Quem te fez tanto mal para que você precisa odiar tanto? Somos vítimas de outras vítimas, porém, não se cura uma ferida criando outra. Enquanto seu ódio existir, você não é dono de si, mas o outro ainda tem controle sobre você.

Se a humanidade é como um “vírus” (segundo o filósofo espanhol Fernando Savater) que se pega, contagiem com bons exemplos, de preferência, humanistas. Seja chique outra vez, mas não para agradar aos outros, mas para agradar a si mesmos e para fazer da convivência social um mundo habitável e agradável para todos. Sejamos um fazedor de sonhos e não de pesadelos.

- Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade? Nietzsche pergunta. À custa da mentira, sofrimento, constrangimento alheio para alçar um lugar ao sol? Você é a pessoa que alguém se espelharia para ser? Qual o legado que você quer deixar para o mundo? Se não pode ajudar, não atrapalha. Não faça da vida dos outros o inferno que fizeram com a sua.

Que em 2025 sonhemos mais, amemos mais e respeitamos uns aos outros. A gente precisa voltar a sonhar, deixar o purismo da nossa criança interior falar mais alto, devolvendo a nós a esperança e um novo despertar para o bem coletivo.  Segundo Aristótelesa virtude é uma prática que deve ser desenvolvida constantemente, e que permite que a pessoa aja de acordo com a razão e busque a felicidade.

Viva Jesus, o cristão, viva São Nicolau para aqueles que creem e Boas Festas para todos os seres que ainda almejam paz e sabedoria. 

Gratidão para  todos!

Feliz Ano Bom, Salve 2025!

Blessed Be!

Namastê!

Ubuntu! 

Axé!

Eu Sou Porque Nós Somos”. 

Amém!

22 dezembro, 2021

Um Ano A Menos

“Roda mundo, roda-gigante
 Rodamoinho, roda pião 
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.” 
Por Chico Buarque. 

 Imagem de PhotoVision por Pixabay

Os mais otimistas dirão “adeus ano velho, feliz ano novo”. Novo em quê? Se, na verdade a cada ano que chega, estamos mais e mais envelhecendo e sem garantia de nada.  Nem sabemos se estaremos vivos amanhã com saúde,  com trabalho, com dignidade, com respeito, em paz.

E mesmo assim não aprendemos nada, não evoluímos. Só estamos de passagem, e por mais que julgamos estar seguros, confortáveis em nossa pele, é apenas uma falsa ilusão, de um dia para o outro tudo pode mudar, para pior. 

Hoje mendigamos atenção, afeto, trabalho, dignidade, oportunidade, respeito, direitos. Uma sociedade doente que só enxerga o seu próprio umbigo e em lucrar com as privações alheias e  explorar, inclusive, a força de trabalho.

Criam-se eufemismos para a fome (insegurança alimentar), trabalhos temporários, sazonais, entrega de comida, bolo caseiro, bordados, lembrancinhas ou uso de carro particular como "taxista" como (empreendedorismo) liberal, autônomo, na realidade "bicos" sem garantia e dignidade de nada no futuro.


Uma pessoa nunca deveria mendigar por afeto, oportunidade e trabalho, por comida e moradia. Nenhuma pessoa que se acha prestável se aproveita da vulnerabilidade de outras para tirar vantagem ou lucrar com suas penúrias e mazelas, enquanto os senhores da "Casa Grande" enchem a pança.

Dizia Voltaire: “Se o homem não for amigo do rei ou do bispo, é um morto-vivo”.

A gente vai contra a corrente
 Até não poder resistir
  (Chico Buarque)
                                             
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Princípios são como Salva-Vidas

Tempos de Rudeza

Mundo dos possíveis

Sim, tripudiaram sobre a polidez, os sonhos, a esperança, a dignidade, o amor, a liberdade, paz interior, as escolhas, as oportunidades, a cultura e educação, o direito de viver com suas diferenças! 

Afinal, como sobreviver numa sociedade desigual, insensível e excludente, se sentimentos assertivos permanecerem?

“Em Nome da Rosa” um filme adaptado do livro de Eco (Umberto), o riso (refere-se a Aristóteles) não é bem-vindo para o sistema, afinal, quem em sã consciência numa sociedade laica, que propaga respeito, amor, justiça, confiança, dignidade, segurança financeira, oportunidades, escolhas, saúde vai querer odiar, sabotar ou viver numa montanha russa? 

Cheios de incertezas, medo e inseguranças? Dificilmente. O medo é uma forma de controle. 

Gente bem resolvida só quer viver em paz, quer ser agente agregador, nunca o contrário.Pois, entende a dinâmica da vida, o que deseja como legado e que se o outro não tiver feliz, virá cobrar sua parte!

No ano passado usei as palavras de Celine Dion, para me despedir de 2020: “Fique de pé, nem tudo o que você deseja vai acontecer”. Nem ela suportou o de agora, adoeceu e cancelou sua turnê.

Sim, porque não depende só de nós, por mais que a gente batalhe, seja firme, forte, sonhador, capaz e esperançoso, depende dos outros. Seja na vida pessoal, social, profissional ou emocional.

"Já que você não merece devolva minhas preces, meu canto, meu amor, meu tempo, por favor, e minha alegria que, naquele dia, só te emprestei por uns dias." Alice Ruiz.


         Imagem de Pexels por Pixabay

Depende de quem cruza o nosso caminho e está ao nosso lado nas trincheiras, momentos bons ou maus. Somos peças girando como um peão no tabuleiro de quem detém a tomada de decisão, influência ou o meio de produção.

A dependência rouba a dignidade, autoconfiança, amor-próprio e o autorrespeito. Voltaire acreditava que um homem só se curva a outro porque não é livre para escolher ou independente, então submete-se para sobreviver e até para autopreservação. 

Assim como Voltaire, me sinto inadequada no mundo leviano de Leibniz, "mundo dos possíveis", utópico e restrito numa bolha para poucos.

Como alguém pode se sentir confortável, se em volta há fome, miséria, doenças, morte, pandemia, desemprego, desamor, violência?

Dizer "graças a Deus" porque eu estou viva, eu não peguei Covid-19, eu estou empregado (a), eu tenho família, se a maioria passa por privações, infelicidades e perdas?

Falta empatia (se colocar no lugar do outro), respeito e silenciar, ao invés de se achar privilegiado divino, ter compaixão pelo infortúnio alheio. Apenas lamentar. Nunca sabemos onde nossa roda vai girar e parar.

Cuidamos uns dos outros, sejamos conscientes, isso chama-se responsabilidade e comprometimento social, cidadania. Sejamos generosos em nossas escolhas futuras, o que agrega ao coletivo e não aos interesses individuais.

Para 2022, o bom Deus, o verdadeiro deveria nos deixar “encantados” e só acordarmos em 2023, com pessoas, coisas e fatos melhores, sem interferências externas de Mamom e afins.

Para evoluir, não regredir! e com (mais) Gente e menos zumbis!."

Se a humanidade é como um “vírus” que se pega, segundo Savater, contagiemo-nos então com exemplos, de preferência, humanistas! 🙏

04 agosto, 2017

QUANDO O TIRO SAI PELA CULATRA

Muitos vivem a vida como se nunca fossem falecer e correm atrás de tudo aquilo que não levarão para o seu túmulo. 

Reza uma lenda que, no tempo das fadas, um moço achou em seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele já conhecera.

Era a pedra da felicidade. Possuía o poder de transformar desejos em realidade que uma fada perdera por aqueles caminhos.

Reprodução/ Internet.
















Como a pessoa que a havia encontrado era um jovem pobre e sofredor, concluiu que a pedra poderia ficar em poder dele.

Apareceu ao moço em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três pedidos: um bem material, uma alegria e uma caridade.

Mas que esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas.

O moço acordou desapontado. Não gostou de saber que os poderes da pedra somente poderiam ser revertidos em proveito dos outros.

Assim, resolveu guardá-la, sem interesse em utilizá-la. Os anos se passaram, rememorando seu passado com uma vida infeliz, muitas dificuldades, privações e dissabores. 

Revendo a pedra que guardara consigo, lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu utilizá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.

Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem material. 
Deu uma grande alegria a uma mãe, revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se de suas feridas, ofertando-lhe a cura.

Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado, a fada apareceu e disse:
— Utilizaste a pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei. Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo.

O homem ficou muito triste ao entender o que se passara. Tivera em suas mãos a oportunidade de construir uma vida plena de felicidade, jamais pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo. 

Lamentando o seu passado, pediu comovido e arrependido:
— Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta.

Reflexão:

Ao fazer o bem aos outros, fazemos a nós mesmos, enquanto o egoísmo nos leva à derrocada moral e espiritual. A partilha, além de ser prazerosa, torna o fardo mais leve e a vida muito mais enriquecedora. O universo retribui. E desconfio que seja de gente assim que Ele, o divino Deus, tanto gosta. 

Que o mês de agosto comece assim: com mais partilha, menos egoísmo.

Texto: Autor Desconhecido
Fonte: Internet / Google
Fotos:pixabay/free.

27 abril, 2017

VIVER EM CONDOMÍNIO EXIGE BOM SENSO





Morar em condomínio exige algumas 
regras básicas: 
tolerância, jogo de cintura e bom senso, 
pois “Condomínio” significa 
“propriedade comum”. 

A propriedade, portanto possui 
vários donos – 
chamados de coproprietários 
ou condôminos - 
e formam 
um grupo. 
São pessoas diferentes 
compartilhando
os mesmos espaços. 
O comportamento cordial e 
altruísta melhora e muito, 
a qualidade de vida de 
todo o conjunto 
de condôminos. 

No entanto, essa consciência 
de 
limite e espaço é para poucos, 
na boca de ‘quase’ todos seja 
proprietário ou inquilino, 
quando estão 
envolvidos
 em algo que vão atingi-los, 
a resposta 
é o jargão pobre 
“pago condomínio em dia”. 

Infelizmente esquecemos 
que 
“o direito de um termina quando
 começa o do outro”, 
e que 
a propriedade 
está 
no limite do seu 
espaço privado.

Então, não cabe justificar atitudes 
grosseiras, 
inadequadas ou  tendenciosas,
 do tipo ‘pago o condomínio em dia’,
 que é o “rateio mensal de 
todas as despesas
 assumidas em conjunto”, 
e que todos os demais 
também arcam 
e pagam.



Trata-se de um compromisso moral 
e
 não o passaporte para 
liberdades egoístas, 
ações que vão de alguma forma 
tumultuar o ambiente 
por capricho, falta de educação, 
decoro ou excesso de 
vaidade e ego. 

Quando uma pessoa se justifica 
dessa forma os seus excessos, 
demonstra ser grosseira e 
soberba, de má educação e formação, 
das quais acha que o mundo gira
 em torno do seu umbigo, 
não saiu ainda do estado de
 “criança mimada”
 onde suas vontades devem ser 
sempre satisfeitas e aceitas e 
sem  nenhuma consideração 
alheia. 
Morar em condomínio exige 
civilidade, empatia e 
atitudes sensatas, 
indispensável 
que aja a efetiva colaboração 
de cada um, sobretudo respeitar 
regras e leis civis.

Morar em prédio é diferente de 
morar em casa, temos que colocar 
os interesses coletivos 
em primeiro lugar, 
um dos caminhos para resolver 
os problemas comuns e inerentes 
ao convívio 
em condomínio. 
Para isso o respeito e bom senso 
devem vir antes do ego, 
individualidade e da arrogância, 
e humildade para repensar 
nossos atos, atitudes e 
nas situações que ajudam 
a formar sentimento 
de coletividade. 

Ao desrespeitar as normas de convivência, 
além da moral e dos bons costumes,
 compromete o bem-estar de toda 
a comunidade, também fere a ética cristã
 (tudo aquilo que causa dor, sofrimento 
e constrangimento aos outros) 
não é coisa de Deus, isso é certo. 
E se agimos pela omissão "vista grossa" 
permite que outras pessoas ocupem 
nosso espaço, fortalecendo-se com ele 
e, muitas vezes se impondo 
em detrimento de muitos que 
ficaram à margem e excluídos 
totalmente do 
processo decisório.


Então, sejamos os fazedores 
da harmonia, 
boa convivência e coerentes 
entre o agir e o falar.
Viver em condomínio exige 
destreza, 
são para pessoas elegantes 
em
 atitudes, educação, bom senso, 
boas maneiras e que saibam se colocar 
no lugar dos outros, 
o dinheiro, objetos e adornos 
ficam em 
último lugar, são apenas adereços 
voláteis,
 traz segurança e 'respeito' social, 
mas de nada nos serve 
sem qualidade e formação, 
enquanto indivíduo.

Baseado em fontes consultadas no 
Google sobre 
'difícil arte de (con) viver em condomínios'.
Fotos - Reprodução - Internet  

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17 fevereiro, 2016

GENTILEZA OU RUDEZA – A ESCOLHA É NOSSA

“Até que ponto você vai na vida depende de você ser gentil com o jovem, compassivo com o idoso, misericordioso com o esforçado e tolerante com o fraco e o forte. Porque algum dia na vida você terá sido todos eles.” - George Washington Carver - botânico, inventor, cientista e agrônomo norte-americano.

Foto de Giusseppe Domínguez (poeta).

Reza a lenda que pessoas machucadas ferem outras, há fundamento, porque por trás de uma pessoa raivosa ou arrogante, há alguém que quer externar ao mundo suas dores, angústias, frustrações e amarguras passadas. Mas não podemos transferir aos outros as nossas tristezas e desapontamentos, mazelas como uma metralhadora giratória. Só vamos acumular mais dores e desconcertos. Muitas vezes, ferem também as pessoas erradas.

No filme ParaNorman — há uma frase assim: “Passou tanto tempo lembrando-se das pessoas más, que se esqueceu de lembrar-se das boas.”

Focamos tanto nas experiências amargas, pessoas que nos feriram, sabotaram ou foram indiferentes, que não lembramos mais quem nos alegrou, nos deu oportunidades e fez a diferença em nossa vida, em algum momento. Devemos ser mais gentis conosco, porque só assim seremos mais assertivos com os outros.  

Os outros também têm o direito de suas escolhas em não compartilhar de nossos sonhos, sentimentos ou ideais, o que não quer dizer que por isso somos menos respeitados, mas talvez as afinidades, propósitos não sejam compatíveis com os nossos. Nem sempre tomamos o caminho certo e escolhemos as pessoas certas que nos fazem felizes, mas certamente naquela ou em outra ocasião era a escolha mais viável.

A internet tem sido palco de ações nada saudáveis, algumas pessoas sempre com uma pedra na mão, julgando, criticando, condenando, desdenhando e polarizando. Quando elas não atingem o objetivo, se fazem de vítimas da situação. Elas não expõem opiniões, mas provocações, falas capciosas.

Não podemos fazer dos outros o depósito para despejar nosso lixo emocional, perdas ou fracassos. Certamente elas também em algum momento tiveram experiências parecidas com as nossas, no entanto, elas buscam um comportamento mais adequado e menos antissocial. 

Se assim não fosse, só restariam dois lugares para os agressivos: a prisão ou o hospício. Para isto, existem as regras sociais, a tal da polidez. 

Segundo Schopenhauer, “polidez é inteligência; consequentemente, impolidez é parvoíce. Criar inimigos por impolidez, de maneira desnecessária e caprichosa, é tão demente quanto pegar fogo na própria casa”.

As más experiências ou frustrações que vivenciamos não farão as nossas atitudes e vida melhores agora, ou apagarão as cicatrizes, marcas ou perdas com relações destrutivas, frustradas ou voláteis. Podemos optar por alimentar essas mágoas e ressentimentos ou continuar vivendo e crescendo com as experiências.

O que fazer então? “O que não nos mata, só nos fortalece”, segundo Nietzsche.
Criar um novo padrão mental. Ocupar o nosso tempo para adquirir sabedoria, superação, resiliência, cobrar ou nos culpar menos, perdoar-nos mais. Buscar por atitudes mais positivas, investindo pesado em nós, a começar pelo autorrespeito.

Ao invés de ocupar nosso tempo em maldizer, proferir palavras ferinas, provocar atritos, fazer fofocas, intrigas e se alimentar de energia negativa, vamos buscar entendimento, ler, estudar, buscar ajuda e autocura com profissionais especializados, pesquisar mais, priorizar autocuidado. Descobrir nossas reais habilidades, metas e sonhos.


Imagem: Reprodução Internet.


Pode ser que o outro não nos amou como queríamos, mas nos amou de algum modo, aquele patrão ou chefe não nos deu o devido valor, mas quem sabe não era o lugar onde deveríamos estar. Ou aquele amigo que parecia legal nos magoou, mas nós também machucamos, inconscientemente ou não, algumas vezes.

Aquela vizinha chata, birrenta, altiva, seja somente um disfarce de sua inabilidade de lidar com os outros ou somente um mecanismo de defesa. Pode ser que sua família não o compreenda, porque falta diálogo entre vocês. Enfim…

O inferno nem sempre foram os outros. Às vezes lutamos, sabotamos, sofremos porque nunca nos perguntamos se todas aquelas coisas de fato pertenciam a nós. São inúmeras as possibilidades para desbravar, alcançar a autorrealização, sem precisar se ferir sempre.

Subam a montanha com Friedrich Nietzsche, pois “Aquilo que não me mata, só me fortalece”, e desçam mais leves com a certeza de que, se agirmos com retidão, compaixão, justiça, bondade, empatia e amor, não seremos tão amargurados e raivosos mais. E nos libertamos das amarras do passado, das experiências mal vividas, dos enganos e até das mágoas. Aquele fato, pessoa ou coisa não mais comandará as nossas emoções.

Em certas horas, haverá dificuldade em ser gentis com tanta parvoíce e falta de bom senso de alguns, mas deixa que eu lhe diga, humanos têm rompantes, é isso que nos difere de outros seres, sentimentos. Afinal, “toda ação humana, quer se torne positiva ou negativa, precisa depender de motivação”, segundo um monge budista.

Mas seguiremos o caminho da gentileza, nem sempre “gentileza gera gentileza”, como dizia o profeta Gentileza, há aquelas cascas grossas, cheias de arrogância, que querem que o mundo gire em torno de seu umbigo.

O problema é deles, nós nos esforçaremos cada vez mais para agregar educação, polidez e civilidade. Afinal, não é isso que nos difere dos selvagens?

“Sim, há dois caminhos que você pode seguir. Mas na longa estrada. Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue.” (Led Zeppelin).  

Deixa a raiva para quem tem e não se curou de suas mazelas passadas. Um adulto em evolução e emocionalmente preparado sabe que precisa enfrentar as crises existenciais para seguir em frente, entretanto, sempre olhando para trás e para os lados, a vida não é para gente birrenta. 

Mas para quem cresce com os erros, transforma os pontos fracos (defeitos) em pontos fortes (virtudes).

Nem por isso devemos ser permissivos ao ponto de servir de penico para alguém despejar os seus dejetos em nós. Se uma pessoa mal-educada, grosseira e vulgar nos desrespeita, é nosso direito que elas saiam de nossa presença, desconfortáveis, mas nunca ao contrário, para aprender o valor do respeito. Ser bom não é ser tolo.

E no fim, descobriremos que não existem términos, mas recomeços, de outras maneiras até melhores! 

11 abril, 2015

Conceito Budista: Generosidade



Você pode ter boa intenção ao fazer oferendas a pessoas perversas, mas na verdade, estará causando apenas mal, tais oferendas comparam-se a dar comida a um animal selvagem;
todos são prejudicados por tal ato.

Méritos obtidos por auxiliar os virtuosos
Nos sutras budistas, a generosidade é frequentemente comparada à agricultura. Se as terras de um fazendeiro forem férteis, sua colheita será abundante e boa. O mesmo acontece com as pessoas: quando a generosidade e´ plantada no lugar certo, grandes benefícios serão colhidos. Quem é generoso com pessoas virtuosas favorecerá a si e aos outros com seu ato. 

"Alimentar cem pessoas perversas não é tão benéfico quanto alimentar uma única pessoa boa". assim diz o sutra.
  • Acredito que isso equivale ao preceito "dar pérolas aos porcos", ou seja, oferecer algo de valor que o outro não aprecia, ou não tem discernimento o suficiente para compreender o ato. 
É óbvio que não devemos abandonar todo aqueles que agem de forma errada. Entretanto, é preciso refletir cuidadosamente sobre como auxiliá-los se tivermos concluído que nossa ajuda é necessária. Se não formos ponderados, nossa generosidade pode acabar causando mais mal do que bem. Ao ajudar alguém, temos de garantir  que nosso auxílio não vá se transformar em instrumento nocivo nas mãos de quem ajudamos. A cobiça, a ignorância e a raiva são a raiz das más ações. Essas três impurezas constituem a base de todos os problemas do mundo. 
  • Enfim, fazer o bem não olhar a quem, mas na maioria das vezes, o  mundo anda tão hostil, que os sugadores de energia, não contentam só com sua generosidade, querem logo sugar sua alma. Até para ser generoso, tem que haver discernimento e moderação: “A sinceridade e a generosidade se não forem temperadas com moderação conduzem infalivelmente à ruína.” assim dizia Tácito.   Começo a achar que ele tem razão.
Imagens: Reproduzidas Internet | Texto budista extraído do Livro Cultivando o Bem por Venerável Mestre Hsing Yun