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| Foto: Lucas Alvarenga - divulgação- turnê 2023. |
Loira Do Bem
Pitacos sobre Cultura e Humanidades
06/09/2026
Muito além do rock: Roger Waters ainda é a voz que precisamos ouvir
20/08/2026
Robert Plant: o deus do rock faz aniversário hoje
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| Imagem: Reinaldo Canato/ UOL |
Robert Plant, acompanhado pela vocalista Suzi Dian e uma banda de primeira qualidade, transbordou de emoção ao cantar seus novos sucessos, sempre se reinventando, além de clássicos do Led Zeppelin. Fechou o show com chave de ouro ao cantar “Rock and Roll”.
Fomos à loucura! Quando ele dava aqueles rugidos dele, parecia que estávamos de volta ao Led Zeppelin dos velhos tempos.
Essa energia incansável não é por acaso. Recentemente, o músico foi homenageado com o ilustre prêmio “Record Store Legend”, concedido pelo Record Store Day. A distinção reconhece o impacto eterno do artista na história da música e seu apoio contínuo às lojas de discos independentes ao redor do mundo, mostrando que sua conexão com a arte física e com os fãs continua mais viva do que nunca.
O rock tem dessas coisas: a gente nunca envelhece. A galera — como ele gosta de se referir aos fãs — estava lá presente, representada por todas as gerações.
Robert Plant: A lenda viva está de volta
O Led Zeppelin, na voz do monstro sagrado Robert Plant, já me salvou algumas vezes. Em 2015, quando eu estava em luto há alguns meses pela perda da minha mãe, o acúmulo de situações emocionais acabou disparando o gatilho da ansiedade. Ele estava lá, com sua voz e seus rugidos, para me salvar.Por isso, mesmo quando tentam fazer piada ou falar mal dele para mim, ajo com insolência e saio em defesa do músico. Aconteceu um fato assim em março de 2019, no final de um show.
Voltando ao presente, este foi um dos melhores shows que pude assistir este ano. Pude rever amigos, cercada de familiares, em um fim de semana inesquecível.
Desejo vida longa ao “Deus Dourado” do rock, que continua sua jornada cheia de sucesso. Não sei se ele retornará ao país, mas o que importa é que, mais uma vez, estive lá para presenciar tudo de perto.
Há coisas que são impagáveis na vida, a música é uma delas — e o Robert Plant também!
Gratidão por sua existência, por sua voz e por suas canções, que fazem desta sociedade cheia de ruídos um lugar com um pouco mais de sonhos, esperança e quietude.
15/08/2026
Maneiras práticas de estimular o ciclo do bem comum
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Imagem de Franz Bachinger por Pixabay |
Dizem que é pelo bom exemplo que influenciamos pessoas, e isso acontece nas pequenas coisas. O profeta Gentileza foi um dos maiores incentivadores para a prática de atos gentis.
Há algum tempo, li uma lista da autora Carla Aranha que trazia 50 maneiras práticas de se doar um pouquinho por dia, que transcrevi para o blog, em 2015. E às quintas-feiras costumo colocar um #TBT de coisas que acho interessantes relembrar.
Para a minha surpresa, minha irmã — que mora comigo há 3 anos e é a testemunha ocular da minha rotina — resolveu me avaliar. Segundo a visão dela, fiquei de fora de 6 atividades, mas passei em 44!
E juro para vocês, gente: não a subornei! 😂
Essa brincadeira me fez refletir bastante. Assim como me estimulou a criar essa nova postagem.
Em contrapartida a essas 6 que não faço, decidi estender a lista original com as atitudes que eu mais pratico no meu dia a dia (e das quais minha irmã também confirma).
São pequenos atos de empatia e respeito que fazem a diferença:
• 51. Não furo filas.
• 52. Cedo o lugar na fila: Deixo pessoas grávidas, idosas, com deficiência, com criança ou com pressa passar adiante na fila do mercado, ou se a pessoa estiver apenas com uma cestinha e eu com o carrinho cheio.
• 53. Estendo a mão a quem precisa: Compro comida, doo agasalhos, cobertores, alimentos e, se baterem à minha porta, ninguém sai sem um prato de comida, uma garrafa de água ou o que for necessário. Seja sem-teto, indígena ou quem for.
• 54. Respeito à igualdade: Trato as pessoas com deficiência com o mesmo respeito que trato as demais. Afinal, trata-se de uma limitação, e todos nós temos as nossas.
• 55. Varro a calçada da vizinha: Faço isso tanto pela empatia quanto pela consciência social, para evitar que os resíduos vão para os bueiros e causem entupimentos por pura negligência coletiva.
• 56. Valorizo o transporte: Se pego um táxi, agradeço a corrida e, geralmente, arredondo o valor para cima. Se deu R$ 8 ou R$ 9, pago R$ 10, e assim por diante.
• 57. Deixo caixinha: Sempre deixo uma caixinha para a atendente da lotérica ou um mimo no mercado. Quando oferecem aqueles produtos que eles ganham comissão, eu compro e deixo o quitute para eles mesmos consumirem.
• 58. Protejo os + idosos: Caminho ao lado de idosos, geralmente com bengala ou dificuldade para andar, a fim de garantir que atravessem a rua em total segurança.
• 59. Não pechincho preço: Valorizo demais a mão de obra das pessoas, sejam serviços de manutenção, pintores ou artesãos. Se eu não posso pagar o valor cobrado, simplesmente não compro, nem pechincho.
• 60. Devolvo o carrinho: Pego o carrinho do mercado e, após o uso, faço questão de devolver exatamente no devido lugar.
• 61. Facilito o trabalho no restaurante: Os restos de comida deixados na mesa do restaurante eu jogo no lixo adequado, e ainda levo os pratos até o balcão para ajudar o funcionário.
• 62. Respeito o chão limpo: Evito passar onde a funcionária da limpeza está passando o pano, em total respeito ao esforço do seu trabalho.
• 63. Lixo na rua? Nem pensar! Tenho o maior respeito por coletores de lixo e garis. Separo tanto o lixo reciclável quanto o descartável. Se houver vidros (quebrados ou não), embrulho dentro de uma caixa de papelão e escrevo um recado bem visível: “Cuidado, há vidros”.
• 64. Reconhecimento aos coletores de lixo (lixeiro): Prefeitura proibindo ou não (como fizeram ano passado), sazonalmente eles recebem um agrado da minha parte em reconhecimento ao valor de seu trabalho tão essencial.
• 65. Agradecimento ao motorista no trânsito: Sempre quando param espontaneamente para eu passar, retribuo com o gesto de gratidão com as mãos unidas e eles agradecem em retorno. 🙏
Sou melhor que os outros por causa disso? Não. Mas viso ser “útil e prestável” a mim e aos outros ao meu redor.
Para mim, viver em sociedade exige responsabilidade e empatia.
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"Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita".
Significa fazer o que é justo e priorizar o bem da coletividade, em vez de se entregar ao desdém, à apatia e à indiferença. O mundo não pode girar em torno do nosso umbigo. Liberdade exige responsabilidade, direitos e deveres.
Ser do bem é refletir sobre qual é o seu papel e o que você faz, ativamente, para melhorar o mundo.
Como já dizia a famosa frase atribuída a Sigmund Freud: "Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?"
06/08/2026
O peso silencioso da desvalidação emocional
Você já viveu algo assim em algum momento de sua vida? Seja quando criança ou adulto: a desvalidação.
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| Imagem de Ryan McGuire por Pixabay |
Na psicologia, é tratado como invalidação emocional, ou seja, o mesmo que rejeitar, ignorar ou diminuir os sentimentos, pensamentos e dores de outra pessoa. É tratar o que o outro sente como errado, exagerado, bobagem ou inexistente, invalidando a sua experiência interna, segundo o Instituto de Psiquiatria do Paraná.
Você fala algo e a pessoa desvalida a sua dor, a frustração ou angústia, até um simples acontecimento ou fato passado. Consciente ou inconscientemente, ela cria outra narrativa que anula os sentimentos e suas percepções.
Passa a ideia de que você esteja equivocada ou supervalorizando algo banal e, por consequência, sai como culpada pelo conflito gerado.
Esse tipo de faceta está enraizado nos âmbitos pessoal e profissional, na política, naquele que detém o poder da comunicação e no algoritmo. “Agora vou desdizer tudo aquilo que lhe disse antes”, como diria Raul.
Alguns exemplos comuns
Se a notícia for contra o que defendemos como verdade, minimizamos o relato. Mas, se for a favor do que temos como ideologia, transformamos a fala em algo banal até que ela perca o sentido.
Ou você desabafa sobre uma perda, dor ou doença e ouve: “Você supera isso.” Você expressa uma insatisfação e a pessoa diz que “você reclama de barriga cheia”.
Há quem diga: “Morrer todos vamos mesmo”, se você comenta o diagnóstico de uma condição mental como ansiedade, depressão, síndrome do pânico ou até mais grave — muitas vezes geradas pela própria pessoa que disparou o gatilho emocional anteriormente.
Existe uma ironia profunda nessa última frase: quem dá esse tipo de “conselho” egoísta sempre pensa em continuar vivendo e seguir em frente.
A agressão passiva e o silêncio
Há uma outra maneira também de invalidação emocional que vem da “Agressão Passiva”. Segundo a psicóloga criminal Júlia Shaw, ela é tão ruim quanto a agressão física, porque a pessoa se cala, ignora a outra, seja numa mensagem, feedback ou contato telefônico.
E como ela agiu na passividade, fingindo-se de “Inês é morta”, a outra parte, quando cobrada sobre o descaso, irá ouvir como argumento: “O quê? Eu não fiz nada”, “estava ocupada demais”, “tenho afazeres”, “você não sabe o que estou passando”. Ou seja, ela diminuiu e desvalorizou a importância de dar o retorno, seja ele positivo ou negativo.
O meu “bigodudo” e filósofo favorito, o alemão Friedrich Nietzsche, dizia: “A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores, são mais educadas do que o silêncio.”
É claro que haverá momentos em que a pessoa está ocupada no trânsito, numa reunião ou na “deprê”, mas há indivíduos que ignoram o outro utilizando de subjetividade e propositalmente. Temos duas escolhas: aplicar a reciprocidade ou não “perturbá-la” mais.
Novamente, Nietzsche em “Além do Bem e do Mal” alerta: “Se olhar por muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você”, ou seja, nos transformaremos naquilo que tanto repudiamos.
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A vida real não é um algoritmo
Quem lida com pessoas precisa estar atento a isso: elas não são como a inteligência artificial, exatas em compilar dados e destrinchá-los, mas desprovidas de entendimento de sentimentos, sensações e emoções.
“Ninguém chega a se tornar humano se está sozinho. Nós nos fazemos humanos uns aos outros. Somos, pois, frutos do contágio social”, segundo o filósofo Fernando Savater.
A vida real exige diálogo, entorno e retorno, uma via de mão dupla. Só assim faremos de nós e dos outros a necessidade de viver em uma sociedade pautada em empatia, respeito, seriedade e mais justa.
04/08/2026
Pollyanna entre o Jogo do Contente e a anatomia da dor
Quem nunca? Ouviu alguém usar o nome “Pollyanna” em alusão a uma pessoa ingênua ou com um otimismo cego?
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| Capa Pollyana - 1913 |
Foi um dos primeiros livros que li na minha adolescência, emprestado pela irmã de uma vizinha, e compreendi-o quando adulta sob um olhar mais apurado na psicologia.
Frequentemente, o jogo é confundido com cegueira emocional, quando na realidade, o livro traz uma camada dramática profunda sobre luto, autoaceitação e frustração.
Na maioria das vezes, as pessoas utilizam o otimismo de Pollyanna e o seu “Jogo do Contente” como sinônimos de ingenuidade ou tolice. No entanto, basta um olhar mais apurado sobre a obra para perceber que a menina aprendeu, a duras penas, que a dor chega para todos — mesmo para os otimistas.
Para entender esse conceito, eis um resumo da obra sobre “O Jogo do Contente”, que foi criado pelo pai de Pollyanna, um missionário muito pobre, num período de extrema penúria. Ao receber muletas de doação em vez da boneca que tanto desejava, a menina foi ensinada pelo pai a agradecer pelo fato de não precisar delas.
Aos 11 anos, a vida da menina muda drasticamente com a morte do pai; ela se torna órfã e tutelada por uma tia fria e distante. Para sobreviver a esse novo mundo hostil, Pollyanna faz do jogo uma ferramenta de resiliência, focando nas pequenas alegrias para não ser engolida pelas mazelas ao seu redor.
Contudo, ela sofre um acidente e perde o movimento das pernas. Diante da paralisia, ela entra em depressão e descobre que existem dores e medos que o jogo não consegue anestesiar. É desse sofrimento inesperado e da perda temporária do otimismo que Pollyanna descobre que não era imune à dor; ela apenas escolhia lutar contra o desespero.
Ao se ver vulnerável, a menina entende o peso de carregar a expectativa de ser o modelo de alegria para uma cidade inteira.
Ela finalmente se permite validar seus sentimentos negativos e lamber suas feridas ao chorar, sentir raiva e lamentar suas perdas. Descobre, assim, que a vulnerabilidade não é um fracasso, mas parte inerente da experiência humana.
Em uma inversão de papéis, a comunidade que antes a criticava se une para visitá-la, lembrando-a dos motivos para sorrir e apoiando-a em sua nova realidade.
Pollyanna compreende que ser forte também significa aceitar a própria fragilidade, carências e apoio para superar suas próprias vulnerabilidades. O pai de Pollyanna tentou amenizar a dura realidade que a menina enfrentava, para ela sofrer menos com suas perdas precoces e orfandade.
A tentativa do pai da menina ecoa nos versos da música “Traumas”, de Roberto Carlos. Na canção autobiográfica, o artista relembra o acidente de trem que sofreu aos 6 anos, que lhe custou parte da perna na infância. Ele narra que seu pai, na tentativa de aliviar o impacto da tragédia, omitiu a gravidade do que ele enfrentaria dali em diante.
O músico conclui que o pai agiu assim por uma
razão simples: o filho sofreria muito mais se perdesse a esperança. Afinal,
como diz a letra, “às vezes as mentiras também ajudam a viver”.
Para ouvir a canção de Roberto Carlos, acesse:





