sexta-feira, junho 13, 2014

| Comportamento e Filosofia |: "Salve-se quem puder" ou a Ética"




Filosofar e divagar sobre a ética e a moral é um campo arriscado, porque entre as duas está uma tênue linha divisória que vai diferenciar uma da outra: "juízos de valor" embasados de acordo com as percepções e crenças, de cada um de nós.

Diferentemente do "juízo da realidade", este associado as nossas experiências reais, e não nas suposições e princípios culturais, a capacidade de avaliar com mais precisão através do empirismo.

De certa forma não deixa de ser uma avaliação positiva ou negativa sobre algo, fato, coisas ou pessoas, de acordo com nosso percepção e vivência. "Os juízos de valor" estão relacionados com o que nos aparece como condições da nossa existência: se as condições mudam, os nossos juízos de valor modificam-se.” ―Friedrich Nietzsche.

Enquanto a Moral é cultural, ou seja, está intrinsecamente ligada com regras e normas redigidas por um determinado grupo ou sociedade. A ética é universal, porque começa com a indagação: ― O que faço prejudica terceiros, sejam por palavras, atos, ações ou decisões? Então não é oriunda do bem. logo não é ético.

Mas e se for para salvar a vida de alguém injustiçado ou matar a fome?. Um caso a pensar, porque a ética também está pautada na ética cristã, amor e compaixão. Dizia Sócrates, "A felicidade só pode existir aonde haja o bem coletivo". ― Como pode isso acontecer, se vivemos numa sociedade mais individualista do que nunca?.

Onde colocamos nosso egoísmo, interesses e valores acima dos demais. Nós julgamos, condenamos e criticamos embasados em nossos juízos de valor, e não num julgamento crítico e imparcial. E se for contra nossos interesses ou isentos de benefícios ou favorecimentos, a condenação é crucial. Então para ser considerado ético, temos que estar acima do bem e do mal, se colocar no lugar do outro, mesmo que ele seja um "malvadinho", e não sermos levados impetuosamente pelo auge da emoção, comoção e do antagonismo apenas.

A ética deve estar à parte do que escraviza e limita nosso pensamento e que nos leva a enxergar o comportamento social apenas de forma linear e não como um todo. Para isso que existe a Sociologia, analisar o comportamento e relações humanas e compreender o porquê determinado grupo ou indivíduos agem daquela maneira. Por causa do advento da Internet e onde todos nós de anônimos passamos a ter voz ativa, sejam como blogueiros ou nos canais sociais, existem também muitas opiniões equivocadas, e não só de anônimos, mas de pessoas formadores de opiniões nos canais midiáticos e que são divergentes, gerando interpretações ambíguas.
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.


O meu pitaco também pode ser equivocado, mas eu prefiro que meus conteúdos de aula, do meu curso voluntário, sejam assim, para instigar e fazer indivíduos a pensar, refletir, ler ou conhecer e a partir daí tirar sua própria conclusão. Dar oportunidade para que analisem todos os lados de uma mesma moeda. Não julgar apenas de forma unilateral, mas como via de mão dupla. Acredito que estimular pessoas a pular na jugular dos outros, mesmo estando todos cansados de tanta barbárie ou injustiças sociais, é dar um tiro no próprio pé. Estamos gerando mais insegurança, e provocando inconscientemente uma guerra civil "salve-se quem puder".
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

  • Conscientização social é de suma importância, e para isso, provocar na sociedade formas de pensar e refletir. As massas não estão preparadas para receber um discurso, por exemplo, da jornalista do SBT, causou alvoroço "uns a favor e outros contra como eu", sobre "adote um bandido” e assimilar a conjuntura. Ainda que na verdade, a intenção talvez, era alertar sobre os cidadãos, de que o estado era omisso ou negligente na segurança pública em manter a ordem nas cidades e proteger os que não infligem às regras sociais.
“Alguns, influenciados ou não, talvez, passaram a agir de injustiçados a justiceiros: “Se” a justiça não toma providências, agiremos nós”, se interpondo acima da Lei e de forma desrespeitosa, porque não podemos generalizar, existem sim os que fazem cumprir a Lei. E o contraventor, será sim adotado por uma casa a “Prisional”.

― Nietzsche lembra que “Aquele que combate monstros deve tomar cuidado para que ele mesmo não se torne um. E, se olhar muito tempo para o abismo, o abismo te encara de volta.”. Ou seja, se queremos viver na justiça ou retidão, com dignidade e equidade, não podemos usar as mesmas armas que tanto abominamos naqueles que nos causam repúdio, estaríamos sendo como um deles. Qual a vantagem nisso no final¿. ― Veremos.
―Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

* Trechos em grafia colorida são do Poema de José Régio.

Nenhum comentário: