Para filosofar e divagar sobre a ética e a moral, é um campo arriscado, entre as duas está uma tênue linha divisória que vai diferenciar uma da outra: “juízo de valor” embasados de acordo com as percepções e crenças de cada um vividas no âmbito familiar e pessoal, de geração em geração.
Diferentemente do “juízo da realidade”, este associado às experiências reais, e não nas suposições e princípios culturais, mas na capacidade de avaliar com mais precisão através do empirismo.
De certa forma, é uma avaliação positiva ou negativa sobre algo, fato, coisas ou pessoas, de acordo com nossa percepção e vivência. “O juízo de valor” está relacionado com o que vivenciamos de acordo com as condições da nossa existência. “Se as condições mudam, os nossos juízos de valor modificam-se”, segundo Friedrich Nietzsche. Ou seja, eles não são eternos.
Enquanto a moral é cultural, ou seja, está intrinsecamente ligada a regras e normas redigidas por um determinado grupo ou sociedade, a ética é universal, ela começa com a indagação:― O que faço prejudica terceiros, sejam por palavras, atos, ações ou decisões? Então, se sim, não é oriundo do bem, logo não é ético. Entretanto, se for para salvar a vida de alguém injustiçado ou matar a fome?
Porém, o Estado é o Primeiro setor, é dever dele promover políticas sociais para erradicar a miséria, a disparidade social e fornecer oportunidades para o seu povo conforme o Art. 6º.
Reza a lenda que Sócrates discorria que “A felicidade só pode existir aonde há o bem coletivo”.
― Como poderá ocorrer isso, se vivemos numa sociedade mais individualista do que nunca? Quando colocamos o egoísmo, interesses e valores acima dos demais e de qualquer coisa? Se quase sempre julgamos, condenamos e criticamos embasados em nosso juízo de valor, e não em julgamento imparcial.
Se for contra nossos interesses ou isentos de benefícios, com favorecimentos, a condenação é crucial. Então, para ser considerado ético, temos que estar acima do bem e do mal, e não sermos levados impetuosamente pelo auge da emoção, comoção e do antagonismo apenas.
A ética deve estar à parte do que escraviza e limita nosso pensamento e que nos leva a enxergar o comportamento social apenas linearmente e não na totalidade. Para isso que existe a Sociologia, analisar o comportamento das relações humanas e compreender o porquê de determinado grupo ou indivíduos agirem daquela maneira.
Devido ao advento da “internet”, de anônimos passamos a ter voz ativa, sejam como blogueiros, ou interações nas redes sociais, até os ditos “influencers” com opiniões equivocadas ou tendenciosas, carregadas de eufemismos em seus canais midiáticos por serem divergentes, geram interpretações ambíguas. E há jornalistas que esqueceram a ética e se juntaram ao elitismo parcial. Com isso, perderam a credibilidade e abriram espaço para os ditos "influencers".
Quando, na verdade, poderia dar oportunidade para que todos analisem por si mesmos, os dois lados de uma mesma moeda. Não julgar apenas unilateralmente, mas sistemicamente.
Quem lucra com isso? Certamente, não serão os cidadãos comuns. Mas os que fomentam o ódio, a dúvida, o medo e a ignorância, que desejam ocupar o poder e privilégios restritos à minoria. Não será por meio do caos que uma sociedade evoluirá, se tornará proativa, mas via consciência social, educação e reflexão.
Segundo Fernando Savater, filósofo espanhol, “Ninguém chega a se tornar humano se está sozinho. Nós nos tornamos humanos uns para os outros. Somos, pois, frutos do contágio social. A humanidade é como um vírus que se pega. Contato após contato, emoção após emoção. Nem sempre em um processo indolor. Não seríamos o que somos sem os outros, mas custa-nos ser com os outros”.


