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| Foto: Pixabay |
Como o caso da modelo envolvida com o jogador, ambos maiores de idade, o rapaz que nasceu no interior paulista, morou em conjunto habitacional, se ascendeu, viajou o mundo, muitas experiências vividas.
Apesar de sua juventude, certamente sabe distinguir uma aventura perigosa, mas é tratado como um “pobre menino ingênuo”. E a imprensa, homens e algumas mulheres… Apontam o dedo para quem?
Segundo ela e o processo da época, ele agiu em legítima defesa, um direito dela em defender o pai, uma tragédia horrível, várias vidas foram abreviadas, outras moralmente linchadas, no entanto, em nenhum momento, até na visão de uma historiadora: "Não significa a destruição do Euclides, mas uma compreensão nova de um ator histórico importante, mas que esteve enredado em um drama terrível, cujas histórias têm que ser revistas.
E nela o Dilermando foi vítima, como foi vítima o Euclides, como foi vítima Dinorah e como foi vítima o Euclides Filho."
Para Ler a história na íntegra https://www.bbc.com/portuguese/48916568
Para a eva ardilosa, imoral e aproveitadora, tabloides sensacionalistas replicam “fulano vira o jogo, o 'passado' da modelo revisitado”, sendo que a moça em nenhum momento negou ser quem era ou intenções, conforme com as mensagens trocadas entre ambos e divulgadas pela “parte ingênua”.
Diga-se de passagem, uma pessoa pública, no mínimo, deveria estar atenta, quanto aos riscos e consequências das aventuras ou desventuras.
Até as mídias defensoras das diversidades, “acredite, se quiser” diziam: "A fulana é a nova modelo da marca tal", como se ela não tivesse nenhum direito mais de prosseguir com sua vida, exceto o de ser limada e cancelada só porque acionou um processo, com ou sem razão, mas até então em segredo, de modo a pedir reparo sobre sua dignidade sexual, presente no Código Penal, desde 2018, sob a lei nº 13.772, "como prioridade a liberdade sexual da mulher nas suas escolhas, independente de quem seja, ele visa proteger a dignidade humana, sem constrangimento, ameaça ou imposição".
Ao invés de deixar os adultos e envolvidos que resolvam nos tribunais suas pendengas pessoais, como diz o Pe Fábio de Melo "Cada um que expulse o diabo que criou", afinal, somos responsáveis por aquilo que tomamos conhecimento, pois, se compadecem dos "pobres meninos ingênuos" e as condenam deliberadamente.
Outro caso surpreendente, o triângulo amoroso ocorrido com o escritor Euclides da Cunha (morto pelo amante de sua esposa Anna, Dilermando), ao tirar satisfação pela traição, uma das balas atingiu o irmão dele, Dinorah e alojada em seu corpo o levou ao suicídio, anos depois. Como também custou a vida do seu filho num intento malsucedido em lavar a honra do pai, morto pelo mesmo atirador do qual a filha em recente feira literária trouxe à tona a luta para remover a palavra assassino dos anais sobre Dilermando, seu pai, da qual acha justo.
Ou seja, todos os 4 homens são vítimas, menos a Anna, sem direito a redenção, como se os sentimentos aflorados entre o casal de amantes (quando um não quer, dois não brigam) pudessem fazê-la a única responsável pela desventura deles, por ser “mulher, mais velha e casada”, deveria saber o seu lugar.
No entanto, a sociedade sempre atuou com hipocrisia quanto aos casamentos, nos tempos idos eram por contratos e interesses pessoais, nunca por amor. Desde o tempo medieval, eram vistos como coisas de tolos camponeses, bardos e poetas, um sentimento vulgar para classes baixas.
Nobres e abastados casavam-se por conveniência, um contrato de negócios, com o aval da santa igreja, é óbvio, de modo a unir proteção, terras e influências sociais. O machismo não só está arraigado nos costumes e tradições (a sociedade foi definida como patriarcal e a mulher como provedora e submissa), mas desde os tempos de Adão no jardim do Éden é custoso entender o papel dessa aversão e desigualdade.
As matriarcas nunca educaram os seus filhos para respeitar mulheres, pelo contrário, os educaram para serem machistas, havia até uns ditados vulgares e tendenciosos “prende suas cabras que meu bode está solto”. Um pensamento patriarcal de décadas atrás, se uma moça engravidasse, fosse abandonada ou traída, seus filhos não eram os culpados.
As mocinhas casaidoras só podiam frequentar igrejas, festas se acompanhadas por um familiar e se sentiam envaidecidas ao ser “poupadas” até o casamento por seus pares que se fartavam das “mulheres fáceis”, mas com elas era para casar, com as outras não, era só diversão.
O machismo e a lealdade imperam entre homens nos pequenos gestos e atitudes que tomam entre si. Se um sujeito falta com o decoro para uma mulher, faz uma piada de mau gosto, maliciosa ou tendenciosa, seja no trabalho ou numa reunião informal, quem recebe a punição? A mulher. O sujeito pode ser um sem noção, politicamente incorreto, com toscas gracinhas de tiozão há décadas, mas ele permanece impune, aos olhos destes senhores com viés machistas, eles sempre têm razão e a mulher é inadequada, pois suas atitudes são de insolência.

Imagem de Rascunhos Inversos/Facebook
Para não perder a noção do que é justo e certo, devemos nos nortear pela ética do bom senso. Se causa dor, constrangimento ou sofrimento ao outro é antiético, desnecessário. Se alguém se aproveita de outra pessoa em situação vulnerável ou em desvantagem, é duplamente imoral e antiético, porém, enquanto esses paradigmas não são quebrados, resta o castigo por nascer mulher e inadequada.
Aos antigos será difícil fazê-los compreender, mas aos novos ensine seus filhos a respeitar, valorizar as mulheres, não só porque viemos de uma, como iguais e com direito às escolhas, não ser omisso numa situação de abuso ou permanecer neutro, é o mesmo que tomar o lado do mais forte!
Afinal, do que os homens têm tanto medo?






