quarta-feira, 20 de novembro de 2013

—Ser bom não é ser bobo —

Ser bom não é ser bobo — por Anderson Coutinho -
Algumas pessoas, acabam por se colocar em situações difíceis que inicialmente não teriam razão de ser. Consideram que ser uma pessoa boa, significa se sujeitar aos escárnios. É certa a necessidade que temos de suportar dores, tolerar impropérios, sofrer com as mazelas, necessidades e carências das pessoas que convivem conosco, seja no lar, entre enamorados, noivos, casados, no trabalho - diante de funcionários difíceis ou chefes irascíveis - entre os amigos e no meio social que vivemos e com tudo isso, nos aperfeiçoarmos como seres humanos em busca de uma condição moral mais valorosa. Indispensável ter a paciência, a resignação, renunciar clamores pessoais da vaidade, do orgulho e de todas as fraquezas características de um mundo de provas e expiações.
Mas é inexorável a necessidade que temos de não adotarmos essa postura diante da maldade gratuita ou dos que pretendem aproveitar-se de nossa bondade para cometerem perversos abusos, sejam de ordem física, moral, judicial ou de qualquer natureza.
O problema é que diante da bondade, a primeira tendência dos maus é considerar que o interesse das pessoas em se tornarem melhores, é um interesse insincero, crendo que ninguém é capaz de ser tão bom se não houver por trás disso uma intenção que o beneficie de alguma forma. A segunda tendência é a de se aproveitar da bondade alheia, levando ao extremo a resistência do outro. E sentem-se de certo modo seguros, porque sabem que os princípios da bondade e da fraternidade sempre falarão mais alto no coração de quem assumiu o papel de agir no bem.
Esse é o equívoco na conduta dos bons, que acabam por dispensar a previdência e não raro, tornam-se joguetes nas mãos dos aproveitadores perniciosos.
É preciso que saibamos nos guardar da devastação gratuita, mesmo que os maus considerem que sempre seremos bobos apenas porque nos dispomos a sermos bons; mas ser bom não significa ser bobo. Vou mais além: ser bom não significa ser parvo; ser bom é sim uma virtude que alguns parvos não compreendem.
A bondade deveria ser entendida como o altruísmo de dedicar uma parte de nós mesmos, de nosso tempo e recursos, para a sociedade, uma causa, um ideal ou uma pessoa. Mas para os desprovidos dos princípios elevados e do entendimento de que a vida é uma troca - recebemos o que damos - ser bom significa ser passível de ser enganado por alguém que utiliza - consciente ou inconscientemente - nossa boa vontade em benefício de si mesmo.
Daí a importância de nos mantermos no caminho do bem -mas sem sermos bobos- fugindo às aquiescências para os perversos.
Defendamos nossa cooperação no bem, ATÉ O FIM!