Loira do bem ∞ : 03/01/10

segunda-feira, março 01, 2010

Pitaco de Loira :—“Eu te amo, mas sou feliz sem você”.

Tenho notado nos jornais, um crescimento constante de notícias que são verdadeiras catástrofes, além claro, de terremotos, geleiras e terrorismos, pessoas que não conseguem conviver com a perda de algo ou relacionamentos e optam por verdadeiras carnificinas, se auto destruindo e destruindo a vida dos seus entes, que antes lhes foi tão especial.
As pessoas andam tão apegadas ao egoísmo, a disputa, que esquecem dos valores importantes do dia a dia, A impressão que tenho, não é só a perda, mas o sentimento do orgulho em não permitir a mudança, em não deixar o outro(a) seguir em frente, e nestas até notícias hilárias, como ocorrera, recentemente no Distrito Federal, dois homens que marcaram um duelo, disputando à bala, o amor da mesma mulher, como se estivessem no velho faroeste. Com o rompimento dos laços afetivos, por mais moderna, em termos de relacionamentos, que a sociedade se apresenta, nota-se um vazio de alma e interior nas pessoas, onde predominam a imaturidade emocional, para lidar com certas situações que deveriam ser encaradas como aprendizado e que não é o fim.  O budismo nos dá essa percepção, pois de acordo com a filosofia, tudo está em constante transmutação, tudo é efêmero, feito de ciclos e fases, tudo é impermanente. Nada é para sempre, é a chamada roda do “samsara”. E, por mais, que as pessoas tenham condições financeiras, status, acredito que Renato Russo, estava certo, quando afirmou, que a solidão é o mal maior deste século. As pessoas, pouco dão para as outras, mas, quando sentem a perda ou quebra de laços não tem o controle emocional o suficiente, para aceitar o rompimento. pitaco by Loira Dobem.
                                                     
                                                                 —“Eu te amo, mas sou feliz sem você”.
O engenheiro Jaime Jaramillo (que bem poderia ser psicólogo), escreveu um livro bem interessante sobre “Eu te amo, mas sou feliz sem você”, onde ele faz a seguinte indagação:
“Quando um(a) namorado(a) nos abandona, um parente próximo morre ou perdemos uma grande soma de dinheiro, nossa vida desmorona.
Sem o status ou aquela pessoa querida, parece que nada mais tem importância. Mas, diferentemente do que costumamos pensar, essa sensação que nos aflige nada tem a ver com amor, e sim com apego. Segundo ele, que ao longo de sua vida conheceu e trabalhou com milhares de pessoas pelo mundo afora, como bem diz, desde os mais santos e iluminados, até os criminosos mais desapiedados, e ficou impressionado ao ver que, mesmo provindo de diferentes raças, culturas, religiões e classes sociais, a maioria das pessoas está cheia de medos, temores e apegos, com o sofrimento permanentemente presente em suas vidas.

Para o autor, o amor é um sentimento que não cria obrigações nem expectativas, ao contrário do apego. O amor liberta do apego, e assim a pessoa pode experimentar o mundo através da liberdade, sem depender de nada nem de ninguém para ser feliz, embora possa continuar amando e sendo amado. Produz, ainda, o raciocínio que permite ao leitor criticar e refletir sobre como passa a vida procurando a felicidade fora de si, e que por isso, quando o objeto eleito como o eliciador da felicidade desaparece, advém o grande vazio interior, como se na vida, nada mais fizesse sentido. A sensação, neste momento, é de que a pessoa já não se basta para ser feliz. Apresenta também, no livro, algumas técnicas que permitem, além da crítica, exercícios reflexivos que podem conduzir à produção de um novo estilo de viver e pensar a vida, amando sem precisar depender ou aprisionar. E, isto é a concepção do budismo, que o homem para obter a paz e felicidade interna, precisa não depender de outro para tal, e aquietar a mente. Segundo Bel Cesar, psicóloga e psicoderapeuta, e embasada no budismo tibetano, nos fala, que os ensinamentos budistas constantemente nos alertam sobre esse apego: as qualidades que projetamos sobre os objetos, situações ou pessoas por quem sentimos tanto apego são criadas em nossa própria mente. Resistimos a acreditar que elas não existem independentes de nossas projeções!

O apego surge quando atribuímos qualidades falsas ou exageradas a um objeto, situação ou pessoa. Exaltamos as qualidades e negamos as imperfeições. Iludidos pelas nossos próprias idealizações, nem consideramos o fato de que o objeto em si pode não conter estas qualidades. Exageramos de tal modo que nos esquecemos que somos nós quem atribui valores a este determinado objeto. Esquecemos de tal forma que chegamos ao ponto de acreditar que só ele poderá nos satisfazer. É uma loucura, mas é isso mesmo que fazemos: damos qualidades exageradas aos objetos, situações e pessoas e depois pensamos que não podemos viver sem eles!

Portanto, para mudar nossa atitude frente a um objeto de apego, temos que mudar nossa maneira de nos relacionarmos com ele. Podemos começar por reconhecer que estamos exagerando, intensificando o desejo. Por isso, precisamos primeiro observar a nossa mente e não dar tanta ênfase à situação à nossa volta.

Não podemos confundir desapego com desinteresse pela vida. Desapego é ter a capacidade de relacionar-se com mais espaço, flexibilidade e liberdade. O antídoto do apego é a mente que se dá por satisfeita. Reconhecer a satisfação é um sério desafio em nossa sociedade materialista.

Desapego não significa estar desligado do outro. Ao contrário, quanto mais desapegados formos numa relação, mais responsabilidade teremos por nossas atitudes mentais em relação ao outro. Isto é, quando nos responsabilizamos por nossos sentimentos, liberamos o outro de nossas expectativas insaciáveis. Ao passo que nos "compromissamos" com o processo de autoconhecimento, aumentamos o sentimento de respeito pelo outro. Por amá-lo, queremos poupá-lo das neuroses de nosso apego. Amar, segundo o budismo, é o desejo de ver o outro feliz. Neste sentido, liberá-lo de nossos medos e manias já é um bom modo de contribuir para a sua felicidade. Se, começarmos a criar menos expectativas em relação as pessoas, fatos e coisas, e que tudo na vida, seja qual for, tem prazo de validade, e que o fim, é o início de um novo ciclo, aprendizado, seremos menos egoístas, individualistas, menos ressentidos, e não viveremos esse caos, onde, por medo do viver sem ou da solidão, acabar matando e nos matando, em nome deste equivocado sentimento.

Há um ditado que diz assim e é uma mera verdade:
"Deixo livre as coisas que amo, se voltarem as conquistei, senão nunca as tive." ou como pergunta Humberto Gessinger, Tententender: "Que amor era esse que não saiu do chão?Não saiu do lugar ....Só fez rastejar o coração....

Tententender...que todos merecemos mais que migalhas no chão... !

E, para finalizar, Chico Xavier, deixou uma reflexão bem oportuna:

-A gente pode ter uma casa mais ou menos, uma roupa, uma comida, mas o que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

Eu desejo Ótima semana e que sejamos "mais" que mais que "menos" e que Deus nos livre do apego, amém!