“Pais educam, professores ensinam”. Se você concorda, compartilhe! Assim está no Facebook, hum! Eu vou 'pitacar' e discordar.
Imagem de esconderijos.com.br
Não é tão simples assim, eu não acredito que “educação se aprende em casa, e que cabe à escola apenas ensinar conteúdos”. Eu acho um paradoxo, um paradigma que precisa ser mudado.
Por quê? Eu explico e sem Freud. Sim, seria o ideal o papel da família, orientar as crianças, até mesmo nas regras básicas de convivência social, valores morais e éticos.
Essa tarefa não pode ser atribuída somente aos pais. A escola é responsável por ensinar regras coletivas e valorizadas pela cultura arraigadas na sociedade da qual nem sempre são seguidas ou admitidas no seio familiar, um dos fatores de impedimento em transmitir aos filhos as regras morais, éticas e sociais estão ligadas a desagregação familiar.
É de suma importância para os aprendizes, estudantes terem outras pessoas como ponto de referência, além de sua família. O professor é um deles. Considero a única bússola confiável e viável para orientação e regras coletivas. Muitos pais não têm ou não tiveram oportunidades de enquanto crianças, aprenderem as regras básicas de educação para seu filho.
Acredito que a escola tem o efeito transformador em aguçar, instigar e fazer com que desperte em cada um, a vontade de querer viver em sociedade mais harmoniosa. Ela precisa ser uma entidade de credibilidade e que passe confiabilidade ao aluno para que ele possa discernir até sobre quais caminhos no futuro pretende tomar como parâmetro, além de ensinar, educar, aguçar e estimular a curiosidade, a pesquisa e o pensamento individual aos alunos de modo a promover e expandir o campo de visão deles, para conviver em sociedade de forma coletiva, com valores assertivos e inclusão.
Educação nem sempre ou raramente vem de berço, se a família é desagregada, ausente, sem formação substancial, pouca cultura ou conhecimento, pautada apenas nas regras individuais de dogmas ou antepassados poderá ter dificuldades para entender a dinâmica do que ocorre ao redor.
Uma criança, por exemplo, que sofre abusos e se a família é omissa ou negligente com ela, pelo seu comportamento agressivo, retraído ou desconfiado, muitas vezes, o educador percebe que naquele lar há algo que não está correto.
Com a escola, a criança tem a oportunidade de comparação, de perceber o que pode ser permissivo ou não.
Um lar formado por pessoas despreparadas, iletradas, ignorantes ou doutrinadas pelo senso comum, dificilmente essas pessoas serão educadas e ensinadas com regras sociais, morais, éticas e valores que diferenciam e formam cidadãos mais preparados para conviver no coletivo e do que é permissivo.
Portanto, o maior equívoco que um professor pode cometer é apoiar essa frase “Pais educam, professores ensinam” ao favorecer os que desejam desobrigá-los desta responsabilidade social e dar ênfase aos estudos privados, acesso à minoria e doutrinados pela classe dominante e com valores individuais, não coletivos.
A escola é a base, a estrutura de toda qualquer nação que almeja pessoas melhores, bem estruturadas emocionalmente e de pensamento crítico e individual, não uma sociedade doutrinada pelo sistema para beneficiar apenas os seus interesses ao bel-prazer.
E a pergunta que fica: A quem interessa a não educação sexual das crianças nas escolas? A quem interessa elas não saberem sobre seu corpo, sobre o que é abuso, permissividade e manipulação emocional?
Somente aqueles que se beneficiam destes atos repugnantes! Proteger as crianças é papel do Estado e informação também para que cresçam como adultos saudáveis, com autoestima, autoconfiança e amor-próprio, e saibam desde cedo a diferenciar o que é afeto, respeito de invasão! Roubar a inocência de uma criança, aproveitar-se de seu purismo ou confiança é um dos maiores crimes contra a humanidade, uma sociedade doente e indigesta.
Se o Sol se recusasse a brilhar Eu ainda estaria amando você
Crédito: Pixabay
Quando as montanhas desmoronarem rumo ao mar Ainda assim haverá você e eu Mulher bondosa, eu te darei tudo Mulher bondosa, nada mais
Pequenas gotas de chuva, sussurros da dor Lágrimas de amor se perdem com o passar dos dias Meu amor é forte, com você não existe erro Juntos nós ficaremos até morrer
Inspiração é o que você para mim Inspiração, veja entenda
E então hoje, meu mundo sorri De mãos dadas, nós caminhamos quilômetros Graças a você isso será feito Para mim você é a única
Felicidade, tristeza nunca mais Felicidade, eu estou satisfeito
Se o Sol se recusasse a brilhar Eu ainda estaria amando você Quando as montanhas desmoronarem rumo ao mar Ainda assim haverá você e eu!
Eu adoro Oscar Wilde, sem
dúvida, um dos maiores escritores do século, através de sua genialidade,
perspicácia e "língua afiada" em forma poética e cínica, ousava
contradizer a hipocrisia da sociedade da época [da qual não está tão diferente de
lá pra cá] e suas atitudes, eram consideradas um tanto quanto audaciosas,
irreverentes e até amorais, desafiaria ainda mais a aristocracia inglesa quando
sua vida pessoal foi exposta e passou a ser motivo de imoralidade pública, sua orientação sexual, até então, era velada e
os seus ferrenhos bajuladores o seguiam por toda a parte.
"De
Profundis" trata da carta escrita para Lord Douglas (‘Bosie’ como
Wilde costumava chamá-lo) durante os dois últimos meses de cárcere, em seu
período na prisão, repensou sobre as atitudes e ações que o levaram ao estado
de letargia, sofrimento, decadência moral, social e financeira, pelos mesmos
que até então o reverenciava em toda a sua genialidade, atos.
Nas palavras de Wilde: "Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e
muita sinceridade é absolutamente fatal". O escritor pagou um preço
alto demais pelo enfrentamento ao um par do reino, influente e poderoso.
A seguir a introdução:
“É preciso que eu diga a mim mesmo que fui o único
responsável pela minha ruína e que ninguém, seja ele grande ou pequeno, pode
ser arruinado exceto pelas próprias mãos. Fui um homem que se colocou em
relação simbólica para com a arte e a cultura do seu tempo. Os deuses me
concederam quase tudo: eu possuía o gênio, um nome, posição, agudeza
intelectual, talento. Fiz da arte uma filosofia e da filosofia uma arte, não
havia nada que dissesse ou fizesse que não provocasse a admiração das pessoas.
Tratei a arte como a suprema realidade e a vida
como uma mera ficção. Despertei a imaginação do século em que vivi, para que
criasse um mito e uma lenda em torno da minha pessoa. Resumi todos os sistemas
numa única frase e toda a existência numa epígrafe. Além de todas essas coisas
eu ainda tinha algo diferente. Mas me deixei atrair por longos períodos de ócio
sensual e insensato. Divertia-me ser um flâneur, um dân-di, um homem da moda.
Cerquei-me de naturezas menores e de inteligências medíocres.
Esqueci que cada pequena ação cotidiana pode fazer ou desfazer um
caráter e que tudo aquilo que fazemos no segredo da alcova teremos que
confessá-lo um dia, gritando do alto dos telhados. Deixei de ser senhor de mim
mesmo. Já não era mais o comandante da minha alma e não sabia. Permiti que o
prazer me dominasse e acabei caindo em terrível desgraça. Agora só uma coisa me
resta: a mais absoluta humildade. Estou há quase dois anos na prisão”.
Nota: A
expressão "De Profundis" é comumente utilizada em
referência ao Salmo 130, na qual o salmista em grande sofrimento implora a Deus
pela misericórdia que, quando experimentada, leva a uma concepção mais profunda
da divindade.
Obs: Segundo a Convenção de Berna, o prazo mínimo geral é de 50 anos após a morte do autor. No Brasil, as obras são protegidas por 70 anos após a morte dos autores, com exceção das obras fotográficas, audiovisuais e coletivas, que duram por 70 anos contados da publicação. Fonte: http://www6.ensp.fiocruz.br/repositorio/node/368252