
Ah, porque essas mães vivem com o coração fora do peito!
Já repararam?
Chegamos com aquela amiga que pensamos ser do peito — a mãe da gente torce o nariz e diz “não é confiável” e a gente teima, pensa que ela é “antiquada”. Algum tempo depois a máscara cai e a gente tem que ouvir o famoso “eu avisei!”.
Num belo dia, clima quente, ensolarado, e a dita mãe nos diz:
Leva o guarda-chuva, vai chover, e a gente faz aquela careta e pensa “Que tolice” — mas anda 2 quarteirões e lá vem o aguaceiro, despenca aquele toró e os nossos pés ficam encharcados pela enxurrada! E ela: “Eu não disse?”
E aquela paquera? Lá estamos nós, suspirando acordadas, e a mãe, “desmancha-prazer”, nos diz: “Esse não é um cara legal, não serve para você” e, mais uma vez, logo pensamos “que mãe sem noção”. Passam-se uns meses e lá está o nosso príncipe, dando mostras de que era (mesmo) um sapo.
Mãe, não tem jeito! A gente pensa que engana; ela finge que acredita, nos conhece até do lado do avesso pelas entranhas.
Às vezes, guardamos um segredo, algo que possa enfurecer, uma desilusão, ou até ir contra o juízo de valores dela e... E a gente, quando resolve falar por que estamos amuados, ela já vem com a resposta pronta, porque a intuição de mãe é uma praga.
Incondicionalmente, mesmo de nariz torto, nos aceita. O mundo pode nos dar as costas, aquela amiga pode romper a amizade, o namorado, o compromisso, a chuva nos pegar desprevenidas, os bolsos ficarem vazios…
Enquanto todos nos dão indiferença, sabotam nosso mundo, fingem gostar da gente, o bullying que omitimos por medo, essa “praga” chamada mãe está lá à frente, ao lado, atrás, seja por nossas qualidades, defeitos. Malcriação.
Ela finge que não os vê, pois não tem jeito; a leoa está ali, pronta para sair em defesa de sua cria.
Amor de mãe não precisa ser adquirido, conquistado nem ser merecido; simplesmente ela oferece, nem sempre por meio de palavras, mas de ações, atos e orações.
Para elas, sempre seremos aquele/aquela bebê indefeso, carente, que necessita eternamente de proteção, de amor, de zelo, de cuidados.
Quantas vezes a gente ignora, menospreza, julga que não nos entende, está ultrapassada, “careta”, nos passa vergonha por suas atitudes exageradas.
Mas o coração desta leoa está sempre atento. Ali, nem precisa assoviar; lá vem ela, com toda sua ferocidade, nos defender dos invasores, das adversidades e nos socorrer, nem que seja com seu colo.
Uma água com açúcar, um placebo aos olhos da ciência, mas até o simples beijo no machucado opera milagres na gente, porque a dor cessa, ou simplesmente dizer: vai passar.
Desconfio mesmo que a única pessoa que de fato tem sangue nas veias é o tal coração de mãe. Algumas ainda não se deram conta do tesouro que és, do dom único e da força sobrenatural que possuem.
Até as broncas, as palavras mal ditas nas horas de estresse, do seu limite, dizem para nós, são benditas depois. Porque elas são a mola propulsora e a nossa bússola que nos norteia para a vida e qual caminho devemos seguir, se para o bem ou para o mal.
Enfim, só posso concluir que mãe tem, sim, um pacto com Deus e sagrado. Ela é o nosso anjo da guarda na terra; longe ou perto, as “percepções” dela continuam atentas.
Feliz Dia das Mães a todas as mulheres e homens, que também exercem o papel de mãe, assim como mães exercem o papel de pai e que ousam amar incondicionalmente, mesmo que a gente, como filho(a), não mereça!
Nota: Quando criei esse texto em 14 de maio de 2013, ministrava um curso voluntário de “Desenvolvimento Interpessoal e Assistente Administrativo”, no qual, como sou apaixonada por psicologia, filosofia e reflexões, o fiz para que tivéssemos um olhar mais cuidadoso e homenageá-la, em vez de apenas julgar, criticar ou negligenciá-las. As mães podem não ser perfeitas, afinal, não há uma receita única para educar-nos, elas também tem suas cicatrizes.
Mal sabia eu que, no ano seguinte, perderia a minha.
A sensação é a pior do mundo; é como se o cordão umbilical fosse rompido bruscamente e eu despencasse no chão, correndo por conta a partir daquele momento.





