Loira do bem ∞ : 02/27/17

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

AMOR-PRÓPRIO NÃO É SE COLOCAR EM PRIMEIRO LUGAR

Ando meio incomodada quanto à interpretação de alguns sites, blogs e  pessoas, em confundir o significado de amor-próprio com egoísmo ( colocar-se em primeiro lugar) e achar que estes são distintos, afim de, talvez  justificar e amenizar as negligências, omissão e falta de sensibilidade  em nossas relações interpessoais ou profissionais.  Vivemos num momento onde tudo é passageiro, assim como  objetos agora os relacionamentos. E como tudo é volátil e na ânsia de chamar atenção,  principalmente em redes sociais, as  coisas se tornaram frívolas demais,  não  menos duradouras, alguns embarcaram neste pensamento de que não somos mais responsáveis pelo outro na vida real.
A vertente do cristianismo sempre esteve ligada ao  “sofrimento e resignação” ( Deus não dá uma cruz maior que você não possa carregar), no entanto,  estamos desobrigados agora,  por mais estreito que seja esse vínculo. Devemos seguir em frente,  ajudar até,  mas acompanhado do sentimento de negação ( primeiro nosso bel prazer, depois vem os outros).

O sociólogo Zygmunt Bauman ( in memoriam)  em seus escritos,  já sinalizava esse  novo modelo de sociedade, em  que visamos mais autopreservação,  egoísmo e individualismo do que outra coisa. É comprovado que pessoas sem convívio social,  adoecem ou até morrem mais cedo, por falta de afeto, solidão, segurança emocional, pois viraram peças decorativas nesta engrenagem.  As pessoas não buscam mais consertar ou preservar relacionamentos.

Um jeito mesquinho de ficar isento de comprometimento, me dá  preguiça em acatar essas interpretações – útil para aqueles que  já caminham para esse processo da "individuação" da qual não se envolve  com o outro.  Mais triste é averiguar - essa forma de pensar, é endossada por pessoas influentes da mídia, onde o outro – como  não é mais útil para sua vida social ou material, então  isentos de culpa e responsabilidade,  são deixados do lado,   a isso chamam de amor-próprio ( pensar em si antes de qualquer coisa ).
Para entender melhor isso, a psicoterapeuta transpessoal Elciene Maria Tigre Galindo explica de forma clara e objetiva: “Para ter amor próprio, não significa que a pessoa deve ter sempre seus desejos satisfeitos, ser egoísta ou  pisar, nos outros. O amor próprio faz com que as pessoas ajam positivamente, procurem evitar pensar no passado, quando há tristezas ou mágoas, que procurem sempre lembrar que foi mais uma experiência para poder evoluir, procurando tirar proveito daqueles acontecimentos. Quem se ama de verdade, procura possuir controle emocional, procura compreender as pessoas e sempre se conhecer melhor, estar sempre, ou a maior parte do tempo, de bem com a vida, com paz interior e esquecer a opinião alheia, não guarda raiva, rancor, está sempre disposto a perdoar e ter coragem, amor, discernimento, visão aberta, confiança e segurança para recomeçar”.
O amor-próprio se une a dois conceitos essenciais e formam um tripé: autoaceitação ( saber quem nós somos com todas as qualidades e limitações), autoestima(  o sentimento que temos por nós mesmos, ligados a autoconfiança e o autorrespeito) para saber enfrentar adversidades e situações que exigem, e através do autoconhecimento, conseguimos compreender melhor isso, o artigo na íntegra da psicoterapeuta: https://www.linkedin.com/pulseAmor
Só quem se ama se respeita, e assim tem amor e respeito para dar aos outros, independente de qualquer modelo de vida que esteja caminhando. Os seres humanos não nasceram para viver separados, isolados ou relegados em segundo plano, estamos conectados uns aos outros. Todos nós merecemos nascer, viver e morrer com dignidade, ao menos. Devemos tratar as pessoas como prioridades e não como mera opção. Reza a filosofia, que o Bem é tudo aquilo que não causa sofrimento, dor ou danos a terceiros. Não podemos seguir em frente  à custa do sofrimento e detrimento de outros.