Pitacos sobre Cultura e Humanidades

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Tempos de rudeza

Vivemos numa sociedade ansiosa e com gente mais apressada ainda. Não há tempo para rever conceitos, valores sociais e coletivos ou ter empatia com os outros. Nem desacelerar. Vencer a qualquer custo.

      Imagem de Pixabay / licença free

A “internet” virou um campo minado, por muito pouco pessoas pulam na jugular das outras. Justamente num país onde, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil lançada em 2020 e anteriores, o livro mais lido e conhecido entre os supostos leitores é o sagrado, a Bíblia, um paradoxo. Portanto, conhecem de cor e salteado os 10 mandamentos cristãos.

 
Imagem de Pixabay / licença free

       





Hoje, não se distingue mais quem é filho de Deus ou do capeta, engravatados, políticos, figuras públicas, artistas, pessoas comuns, mentores espirituais, religiosos e pudicos, pasmem, não se privam de nada. Tudo aquilo que antes era visto como pecaminoso, vulgar, boçal ou inadequado foi naturalizado. Justamente de onde deveria vir o exemplo, inclusive os da velha guarda e da comunicação.

Antigamente, se distinguia um cristão que se autodenominava como evangélico pelo linguajar, vestimenta e postura. Eles faziam questão de impor isso aos outros, como diferencial. Hoje, certos “religiosos” são as pessoas mais vulgares, com vocabulário de esgoto, e todos banalizam!

Nem as grandes corporações escapam deste contágio negativo que tomou conta da sociedade geral, em cumprir com a missão e objetivos, conforme propôs fazê-lo atrelado à responsabilidade social. Isso ficou para trás. O valor agregado à marca mudou de patamar. Pelo poder e pela dominação, vale tudo!

Dizem que o “empregado é a cara do patrão”, subentende-se que o ambiente interno (“endomarketing”) influi em seu comportamento, sadio (valores éticos, assertivos e coletivos) ou tóxico (individuais, egoístas e vis) determinará a sua postura perante a sociedade. Talvez, por isso, falar em medo, demônios e crenças sobrenaturais é mais lucrativo que propagar amor, respeito e união.

Jennifer Delgado, psicóloga espanhola especialista em “Neuropsicologia”, num de seus artigos publicados no Yahoo, embasado em estudos científicos diz “todos nós podemos ser alvo de comentários ofensivos, insensíveis ou rudes, sejam de estranhos, amigos próximos ou familiares. No calor do momento, podemos lutar para administrar a situação de forma assertiva. Podemos acabar ficando com raiva e colocando lenha no fogo, ou podemos ficar paralisados ​​e não fazer nada, permitindo que a pessoa despeje sua hostilidade sobre nós”.



          Imagem de Pixabay / licença free

“Defeitos não fazem mal, quando há vontade e poder de os corrigir.” Machado de Assis.
As circunstâncias se tornaram voláteis, a civilidade e polidez ficaram no passado, justamente o que distinguia o rude camponês da classe da “nobreza” na idade média, da qual se orgulhavam pelo diferencial, era essencial mesmo que fosse um verniz social, mas necessário para conviver na sociedade, com boas maneiras.

A vulgaridade, rudeza, descompostura, palavreado chulo eram coisas das classes mais baixas, dos aldeões, da leiteira, da taverna, hoje não têm mais disso não. São eles que incentivam as massas e minimizam a civilidade para atuar contra seus oponentes.

“Na verdade, hostilidade, comentários completamente inadequados e grosseria não apenas nos fazem sentir mal, mas afetam nosso desempenho e colocam nosso equilíbrio psicológico em xeque”, de acordo com estudo conduzido pela Singapore Management University “comportamentos rudes no trabalho geram muito estresse e podem causar problemas psicológicos e de saúde a longo prazo”.

A psicóloga também cita o experimento da Universidade da Flórida onde reuniram alguns participantes para uma pesquisa de 15 minutos e como resultado final “acreditam que a grosseria e a hostilidade são tão contagiosas quanto à gripe, embora nem sempre estejamos cientes disso. Se estivermos imersos em situações rudes ou hostis, teremos mais probabilidade de nos comportar da mesma maneira com as outras pessoas, o que alimenta emoções como raiva e frustração”.

“Não existe grandeza onde não há simplicidade, bondade e verdade.”-Liev Tolstói. 
Nem Educação, postura, compostura, respeito, justiça e honra, ouso complementar. E respeito é uma via de mão dupla.

Ao se acostumar a um ambiente tóxico, seja pessoal, profissional ou virtual, a retroalimentação será de emoções negativas e agressivas. Isso reflete que o “exemplo vem de cima”.

Uma sociedade de padrões invertidos se torna uma sociedade doente, indiferente, grotesca, incivilizada. Sim, humanos têm rompantes, mas não podemos fazer dos outros a nossa privada, assim como não se deve deixar confortável aquele que desrespeitou primeiro.

Ninguém é obrigado a gostar de outra pessoa, mas entre o “gostar e respeitar” há uma linha tênue que as separa, em que a segunda deve prevalecer. Ao difamar, caluniar, injuriar, desqualificar, sabotar, cancelar, instigar pessoas ao ‘Cyberbullying’ (crime cometido por qualquer meio digital), muitas vezes por motivos torpes, revela mais sobre o caráter e má índole do autor do que da pessoa a ser desqualificada.

Para ler na íntegra, acesse o link https://es.vida-estilo.yahoo.com/comentarios-groseros-fuera-de-lugar-como-responder-160522023.html , a psicóloga revela 5 segredos para responder de forma inteligente à hostilidade, grosseria e insensibilidade. 

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Qual é o seu Propósito?


Como você deseja ser visto?

A vida é só um sopro, para que tanta vileza, egoísmo, inveja, julgamentos, medir as pessoas e coisas por nossa régua, quando na verdade, são opiniões e conceitos de acordo com nossa cultura, vivência e aprendizado. Ao invés de regredir, devemos aproveitar o tempo que resta para evoluir, refletir e desenvolver sentimentos assertivos e coletivos. 

De acordo com Aristóteles, a virtude é algo que se adquire, praticando. Ou seja, rever nossos conceitos sempre.

Uma pitada de educação, um grama de paciência e uma boa dose de respeito não fará mal nenhum, ao contrário, só engrandece, mais civilizados e modelo para outros se inspirarem. Ser assertivo, justo e sincero não para agradar aos outros, mas para ter orgulho de si que não passou pela vida em vão e nem fez da vida dos outros, um inferno na terra, enquanto aguarda o paraíso!

Para seguir a psicóloga nas redes sociais acesse seu site Jennifer Delgado

Obs.: As fotos têm licença gratuita do site Pixabay, exceto a última do site Pratique o Bem, o que vem a calhar. Pratique o bem você também!

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Kyle Sant: A música está em boas mãos

      A música está em boas mãos!

Dias atrás, eu tive a grata surpresa de ser seguida por um jovem músico na rede social, Kyle Sant. E antes de retribuir a gentileza, eu resolvi acessar o canal do artista no You Tube na verdade dois canais, um autoral e outro como cover de Bob Dylan. Eu fiquei literalmente de boca aberta, porque ele é muito talentoso e promissor.


 Foto  Divugalção/ Twitter/Artista.

   Ao mesmo tempo, eu senti tão aliviada por entender que o futuro da música no “Folk, Country e Rock” estará sempre em boas mãos. Não me contive, após ouvir várias vezes, eu escrevi para ele e pedi uma entrevista para o blog, sedenta em saber mais detalhes, qual fonte ele bebia para se inspirar,  suas influências, e antes frisei “Eu gostei muito de sua música e interpretação. Eu ouvi tanto seu disco autoral quanto cover de Dylan”. 

    Quem me conhece sabe que não sou de delongas nem de adulação. Se, solicitei porque eu gostei mesmo e já virei fã. Bem, Kyle gentilmente atendeu e respondeu a entrevista por e-mail. E através dela, pude conhecer sobre início de tudo, ao ser chamado para cantar numa banda Rock Gospel, e o papel de seu avô como mola propulsora. 

     O músico fala a respeito do seu primeiro álbum autoral "Incomplete Letters" que se encontra em todas as plataformas digitais, entre elas o Spotify 

     Em sua entrevista, abordamos tudo isso. Vale a pena conferir, o que é bom e do bem, a gente sempre dissemina.

    Blog — Kyle em primeiro lugar, eu gostaria que você falasse um pouco sobre você. Como surgiu o gosto pela música, quais instrumentos você toca, seu gênero musical. O que a música representa para você?

   Kyle — Olá, tudo bem? Então, eu já nasci respirando música, minha família é bem "familiarizada" com a música, seja tocando, cantando, ou ouvindo. Mas o meu inicio mesmo, foi quando, ainda na escola, fui chamado pra cantar em uma banda de "rock gospel", ( eu devia ter um 13 anos, kkk) e a partir dalí, comecei a desenvolver, tanto cantando, quando tocando, falando nisso, meu avô tem uma grande importância nisso, ele que me ensinou meus primeiros 3 acordes, depois disso, eu fui me virando no violão. Hoje ele me acompanha em quase todas as apresentações, sou muito grato à ele. Eu toco violão, gaita e piano. Considero-me hibrido em relação a gênero, eu sou vocalista de uma banda de metal, "Venus May Burn", e paralelo à isso, tenho uma carreira solo "Folk, Country e Rock". A música para mim, é o meu porto seguro, é a chave de tudo, é a trilha sonora do meu caminho.

    Blog — Gostei tanto de sua interpretação, ao ponto que eu fui assistir seus canais no You Tube. Um deles como cover de Bob Dylan e outro com suas músicas autorais. Dylan é sua maior influência?

    Kyle — Neste canal de cover você também encontra, Neil Young, Johnny Cash, Gregory Alan Isakov, etc...Já Bob Dylan, Johnny Cash e Guilherme de Sá. Eu os trato como uma trindade inspiradora e incompreensível. Eles são a minha maior influência.

    Blog — No caso, as suas apresentações seriam com seu disco autoral e canções de Dylan, como cover apenas ou ambos?

    Kyle — As minhas apresentações são mescladas com covers (não só de Dylan) e autoral.

    Blog — Seu disco autoral está em todas as plataformas digitais e no seu canal You Tube. Fale sobre ele e sobre sua agenda ( aberta) para shows ainda este ano. Quais são seus projetos?

    Kyle — O "Incomplete Letters" começou a ser produzido, logo no início da pandemia, quando eu decidi a fazer um trabalho paralelo à banda. Peguei meu violão, arranjei uma gaita e aprendi a tocar rapidamente, daí comecei a compor músicas extremamente profundas e sinceras. Ele significa pra mim tanto o fim quanto o início de algo. Ele foi gravado e produzido em casa. Foi o meu primeiro álbum solo, eu já havia lançado um álbum com a "Venus May Burn". Minha agenda está aberta, pois ainda estou divulgando o "Incomplete Letters”. E sobre meus projetos, estou com um álbum em andamento, que provavelmente será lançado antes da metade do ano que vem.

    Blog — O formato do seu show é acústico, com banda ou de acordo com o perfil do evento, por exemplo.

    Kyle — Minhas apresentações são acústicas. Porém futuramente, será também com banda.

Contato para shows:


Telefone: +55 (21) 9.7994-8670

Mail:  kylesantcontact@gmail.com

Redes Sociais:

Instagram:  @kylesantofficial

Facebook:  kyle Sant Official

Twitter:   Kyle Sant Music

Canais You Tube:  Autoral: Kyle Sant e  o Cover:  Kyle Sant Cover


 
Agradeço a Kyle pela oportunidade. Ele não sabe, mas a sua música me
salvou de uma crise de ansiedade "Não desista, pois as tempestades passarão. O sol brilhará novamente sobre nossas cabeças. Daremos mais valor à vida” (Nineteen). 

  Eu estava em um nível de stress elevado ao ponto de quase acionar o gatilho. Em certos momentos, o preço é alto por ser original.

 Ouça "Nineteen" - do Álbum Autoral. 


Sim, a música faz isso: opera milagres, devolve esperança, equilibra os sentidos entre outras coisas e ela se encontra em boas mãos. 

Basta apenas procurar por ela.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Jackson Martins celebra 30 anos como produtor cultural

 

Evento em Araçuaí comemora os 30 anos

de Jackson Martins na produção musical

                               (4 de dezembro, às 22 h, no Espaço de eventos UaiT)      

                     

       Trinta anos separam dois espetáculos na cidade de Araçuaí. No palco, o mesmo artista Celso Adolfo, cuja produção musical foi a primeira feita por Jackson Martins

        Jackson, filho da cidade, prepara uma grande celebração para marcar suas três décadas de trabalho com alguns dos maiores nomes da Música Popular Brasileira. 


  
                                                Jackson Martins e Celso Adolfo - Acervo JM 

        Será no dia 4 de dezembro, às 22 horas, no espaço de eventos “UaiT”, com apresentações de Celso Adolfo, além do violeiro Miltinho Edilberto, Luciano Tanure e Banda Chuva de Pedra, Foka Sena e Eduardo Aldrin, e mais o poeta Gonzaga Medeiros e o escritor e cordelista Tadeu Martins, lançando seus novos livros. O evento vai contar com um momento muito especial, quando pessoas de Araçuaí serão homenageadas. São figuras que contribuíram para a cultura da cidade e da região.


         Em 1989 Jackson era bancário, mas resolveu se arriscar no mundo artístico. Produziu seu primeiro show com Celso Adolfo em Araçuaí. De lá pra cá muitos outros grandes nomes da MPB foram produzidos pelo filho do Vale do Jequitinhonha. Artistas reconhecidos nacionalmente como Zé Ramalho, Alceu Valença, Almir Sater, Belchior, Elba Ramalho, 14 Bis, Fagner, Geraldo Azevedo, Luis Melodia, Beto Guedes, Oswaldo Montenegro, Elomar, Saulo Laranjeira, João Bosco, Tadeu Franco, Paulinho Pedra Azul e mais Celso Adolfo, Paula Fernandes, César Menotti e Fabiano, Vander Lee, Marcus Viana, Rubinho do Vale, Saldanha Rolim, Renato Teixeira, Vital Farias, Xangai e outros.


                                           Jackon Martins início de carreira- acervo JM


       “Este show vai celebrar os trinta anos desta minha caminhada, com muitas realizações. E é uma alegria voltar para a minha aldeia, onde fiz o primeiro show justamente com o cantor e compositor Celso Adolfo. O evento vai marcar também meu retorno ao mercado de trabalho, já que parei por quase dois anos por conta da pandemia”, conta Jackson.

    
       Para que o sonho se realizasse, Jackson rodou o Brasil, se estabelecendo profissionalmente em São Luiz, Fortaleza e São Paulo, residindo atualmente em Belo Horizonte.

      Jackson lembra que ganhou gosto pela cultura ainda na infância e adolescência em Araçuaí. “Foi a minha formação musical, com show de calouros, corais da igreja, rodas de viola, quadrilhas, serenatas, festas populares, quando eu estava sempre por perto, como olheiro, admirando.... Como não virei artista, aprendi a arte de produzir cultura”.

     O produtor conta que aprendeu a "colocar os artistas no palco para aproximá-los dos fãs, fazer com que a arte se manifestasse no circo, no palco, em praça pública e eu sendo o articulador”.

     Antes de entrar no mundo da cultura, Jackson trabalhou por 10 anos como bancário, no extinto Bemge, mas não vacilou em largar tudo para rodar o Brasil produzindo cultura. 
Entre os artistas com quem trabalhou, o produtor lembra-se com carinho daquele que esteve mais ao seu lado: “Belchior foi meu professor. Tive a honra de produzir o seu último CD “Um Concerto a Palo Seco”, ao lado do maestro Gilvan de Oliveira”.


                                                    Jackson Martins e Belchior - acervo JM

     Além do CD, Jackson fez a produção de mais de 200 shows do cantor cearense, não só em Minas, mas por todo o país. A admiração que tem pelo cantor pode ser percebida quando ele conta as histórias de estrada vividas pelos dois, que viraram grandes amigos. “Belchior é uma grande referência mundial da música  contemporânea. 

      Trabalhar ao lado dele foi uma grande honra. Sua morte prematura, em 2017, deixou um grande vazio na cultura musical brasileira.


      Jackson produziu o último show de Belchior, antes de o cantor sair da cena musical brasileira, em 13 agosto de 2006, no encerramento do Festival Nacional da Canção de Colatina-ES, em evento apresentado pelo poeta Gonzaga Medeiros. 

    “Aprendi muita coisa com a sabedoria de Belchior, que foi meu grande mestre, uma pessoa com grande capacidade de discernimento, um filósofo da palavra cantada, uma grande figura humana”.


                                                             Jackson Martins - acervo JM                                           

      Ao analisar a atual cena musical brasileira, Jackson diz que o Brasil ainda produz a melhor música do mundo. “Sempre estão surgindo novos artistas que fazem um trabalho de ótima qualidade. Estão compondo, criando, assim como os artistas já consagrados procuram novas experiências, além de manter suas antigas criações mais famosas. Desta forma, a MPB está sempre pulsando”.  

                     Homenagem de Saulo Laranjeira pela festa 30 anos de

                     Jackson Martins como produtor cultural. 


    Com 30 anos de estrada, Coiote, apelido que Jackson Martins ganhou de Belchior e como é  conhecido no meio artístico, está mais ativo do que nunca e agora já envolvido na produção de shows da Banda 14 Bis, Oswaldo Montenegro e Zé Ramalho, além de vários outros projetos. Para a sorte do público mineiro, quanto mais o Coiote ‘corre trecho’- expressão que sempre usa - mais agitada fica a vida cultural de Minas e do Brasil.




SERVIÇO:

“Festa de 30 anos de Produção Cultural e Musical de Jackson Martins”

Quando: 04 de dezembro - Sábado.

Onde: UaiT em Araçuaí,MG

EndereçoRua. Uberaba, 90 - Esplanada (1.188,39 km)  - Araçuaí, MG

Abertura: 21h

Início dos Shows: 22h 

Ponto de Vendas (Físico):  Vale Automóveis

Endereço: Rua Otacílio Martins, 917 - Bela Vista, Araçuaí, MG.

WhatSapp (33) 9.9839-1478

Valores em R$: (Primeiro Lote)

Mesa p/ 04 pessoas: R$ 200,00

Pista: R$ 40,00

Obs. Ingressos e mesas limitados.

Artistas: Celso Adolfo, Eduardo Aldrin, Foka Sena, Miltinho Edilberto, Luciano Tanure e Banda Chuva de Pedra!

Lançamento de livros de Gonzaga Medeiros e Tadeu Martins.

Serão homenageadas algumas pessoas que contribuíram com a nossa Cultura e Nossa Música! 

Realização: Jackson Martins

+Info. (31)9.9930-4189

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Oswaldo Montenegro se apresenta em Nova Lima



   Turnê de Oswaldo Montenegro chega à Nova Lima em dezembro!

      Um dos mais importantes artistas da música popular brasileira se apresenta no Bellagio Villa Bar em Nova Lima - MG,  no dia 17 de dezembro de 2021, num evento que promete ser emocionante. O espaço une música, gastronomia e segurança. Drinks e música ao vivo, DJ e uma maravilhosa vista do moderno bairro Vila da Serra, para apreciar.


  
 Foto de Marcelo Dischinger

   Em seu novo show  “Balada para um ex-amor”, Oswaldo Montenegro reveza entre piano e violões, em clima intimista, e faz uma fotografia dos desencontros do nosso tempo, ao som de belas canções recheadas de lirismo.

      A música que dá nome ao espetáculo já ultrapassou mais de 5 milhões e 500 mil visualizações no YouTube (“Fala da sua dor / Que eu conto o que passei / O tempo passou por nós / Como o vento quebrando o telhado que abriga a esperança”).

      O show aborda diversos tipos de separação e sentimentos dos ex-casais, nessa época de constantes trocas de parceiros e sonhos. Através de canções que compôs ao longo de sua carreira e se tornaram atemporais, como “Bandolins” (a dificuldade em admitir o fim do sentimento/da relação), “Lua e flor” e “Por brilho” (a paixão que se transforma em amor fraterno e sem fim),  “Eu quero ser feliz agora” (a alegria de se libertar das relações sufocantes) e “Taxímetro” (sobre o término sem dor), Montenegro conduz o público por subtemas e cria um espetáculo inesquecível, como um filme em câmara lenta, despertando as mais profundas emoções e sentimentos intrínsecos em cada um de nós.

        Assim, passeando pelos afetos em suas diversas cores e matizes, Montenegro questiona a si e ao público sobre como lidar com esse novo tempo, em que nos separamos a toda hora e, paradoxalmente, sonhamos com o amor eterno. Entre uma canção e outra, o menestrel conta histórias e propõe reflexões, como em “A Lista” (“Faça uma lista de grandes amigos / Quem você mais via há dez anos atrás / Quantos você ainda vê todo dia? / Quantos você já não encontra mais?”).

      Um encontro imperdível entre artista e público, que envolve momentos ímpares jamais esquecidos, num espaço aconchegante.

      Conheça o maravilhoso lugar! 

 

 

SERVIÇO:

Festa Lua & Flor apresenta Oswaldo Montenegro em show intimista.

Quando: 17/12/2021 – Sexta-feira.

Onde: Bellagio Villa Bar, Nova Lima, MG.     

Endereço: Avenida Doutor Marco Paulo Simon Jardim, S/n.º - Vila da Serra.

Abertura da casa: 21h

Show: 22h30

Valores em R$:
Mesa Ouro 4 lugares (Lote 3)
R$ 695,00 (+ R$ 69,50 taxa)
Em até 12x R$ 79,07

Mesa 08 lugares (Lote Extra)
R$ 1.200,00 (+120,00 taxa)
Em até 12x R$ 136,52

Camarote Backstage (Lote 3)
R$ 250,00 (+ R$ 25,00 taxa)
Em até 12x R$ 28,44

Mesa 02 lugares (Lote Extra)
R$ 360,00 (+R$ 36,00 taxa)
Em 12x 40,96

Mapa dos Assentos: (vide site sympla)

Obs.: A escolha das mesas será por ordem de chegada.

Ponto de Venda: Online: Sympla 👇

Ingressos 👉  https://www.sympla.com.br/oswaldo-montenegro__1372005

+Informações: (31) 9.9930-4189

Evento Facebook 👉  https://www.facebook.com/events/268899971779997

Realização:
Jackson Martins Produções
Laranjeiras Produções

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A Igreja do diabo - Machado de Assis

No mês de falecimento (29 de setembro de 1908) do maior gênio da literatura brasileira, Machado de Assis, em um conto atemporal, "A Igreja do Diabo", simplificado, mas indispensável ao bom leitor e para reflexão. 

Capa de A igreja do Diabo.

O Diabo, cansado de ficar abaixo de Deus, resolveu comunicá-lo que iria fundar sua própria igreja. Pelo livre-arbítrio, Deus não o impediu. Mal chega à terra e o diabo se declara o verdadeiro Senhor e que a partir daí todos os conceitos de virtudes, totalmente abolidos:

“Sim, sou o Diabo”, repetia ele; “não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. E eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...” 

E assim, entusiasticamente, ele falava, a fim de atrair a atenção para congregar as multidões que aos poucos vieram para si. Após tê-las convencidas, falou qual seria a nova doutrina. 

As virtudes moralmente aceitas seriam substituídas por outras, as que eram legítimas. 

Entre elas, “A soberba, a luxúria e a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença de que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu..."

O mesmo disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons versos de Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de Lúculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou a saliva do jejum?

"Pela sua parte, o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo."

Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de propriedades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.

"As turbas corriam atrás dele, entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs. Porém, a demonstração mais afrontosa foi a da venalidade. Segundo ele, “A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos”.

“Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório.”

"Demonstrado assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente."

"E descia, e subia, examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia a fazer pagar a transpiração."

"Todas as formas de respeito foram condenadas por ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele."

"A previsão do Diabo verificou-se. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo."

"Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros."

"A descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o produto das drogas, socorria os filhos das vítimas."

"Voou de novo ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e disse-lhe: Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana."

Machado, de forma cômica, fala sobre a ambiguidade do ser humano, 
de como a religião, ao mesmo tempo em que vende a salvação, também 
faz vista grossa para as práticas proibitivas.

Dicionário: (Para ler Machado, aconselho o dicionário ao lado, risos). 

* venalidade: qualidade do que pode ser vendido. natureza ou qualidade 
do funcionário público que exige ou aceita vantagens pecuniárias indevidas 
no exercício de seu cargo.

*turbas: multidão.

*pecuniárias - relativas a dinheiro. pagamento de vantagens recebidas ou favorecimento delas.

*Lúculo - político e general da República Romana.

Para ler esse conto na íntegra ou mais obras de Machado de Assis acesse o link do Domínio Público à disposição do leitor.