segunda-feira, novembro 10, 2014

Pitaco de Loira: AdULTO OU CRIAnÇA CApRICHOSA

 “Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz
um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que
assim é que a natureza compôs suas espécies.” Machado de Assis
no decorrer da sua existência, o ser humano foi visto, muitas vezes, como uma criança caprichosa. Alguns filósofos consideraram o adulto como uma criança com mais idade, pois, independente da fase de vida, há momentos em que só um adulto - uma criança com mais experiência - pode nos auxiliar.
Heráclito (576 – 480 a.C.) foi herdeiro de uma família muito rica e com muitos títulos, que recusou, preferindo viver uma vida simples. Ficou isolado de centros urbanos e de outras pessoas, que ele achava que eram, na maioria, crianças caprichosas. Muitos filósofos, entre eles Marx, Hegel e nietzsche, se utilizaram de suas reflexões.

dizia ele que TUdO é UM: isto não quer dizer que a essência das coisas forma uma unidade ideal, mas que tudo, a multiplicidade, faz um, porque os contrários se conciliam
– o dia só tem sentido pela existência da noite, o calor com relação ao frio etc. (dia e noite formam uma unidade chamada dia; frio e calor caracterizam as diferentes estações, formando a unidade chamada ano).Mas o que os nossos sentidos nos revelam todos os dias, a nossa inteligência tem tendência a ocultar. Ela, que por meio da linguagem e na utilização equivocada das palavras fraciona, opõe, divide, negligencia a verdade e as sensações. Cada um percebe o mundo com um olhar particular, e, na maioria das vezes, mesmo vendo, nada vê (Ensaio sobre a cegueira, de Jose Saramago). nem sempre percebemos que o caminho que sobe é idêntico ao caminho que desce, mudam apenas a nossa disposição e a possibilidade de um olhar diferente, nos parecendo um novo cenário.

Sempre será bom descobrir o novo no velho existente. Enfim, ver a mesma coisa com um olhar diferente, possibilitando-nos transformações.

O MUndO é CÍCLiCO, com ondas que se sucedem, sendo um eterno devir.
A natureza cósmica não responde a nenhum plano organizado que necessita ser criado de tempos em tempos. Ela é um processo autônomo que não pode reduzir-se a um imobilismo
das substâncias. é uma eterna transformação e um eterno retorno.O que nos faz insensíveis à unidade do mundo, do universo, é que não compreendemos o tempo, as diferentes fases. Tudo que existe já foi, e o que está sendo morrerá e um dia voltará a ser (tudo é cíclico: ciclo das estações, das gerações, da moda, dos valores e interesses...).

Sabemos que “nada se cria e nada se perde... tudo se transforma”. Tudo flui e tudo retorna.
não podemos impor um sentido para tudo, com começo, meio e fim, pois nem tudo progride até o desejável, e esse progresso nos obriga a recusar ou reagir mal a alguns aspectos da realidade, como o sofrimento e dor, a morte, os conflitos causados pela incoerência humana, a necessidade de acumular riquezas e conquistar poder perpétuo, a não conceber a felicidade sem o acúmulo de dinheiro suficiente para comprar os mais diferentes e desnecessários brinquedinhos, dizendo: dai-me o supérfluo, porque o básico já tenho.Como crianças caprichosas, queremos cada vez mais, sem mesmo saber o que precisamos e seria necessário ter. Algo, acontecendo ou para acontecer, se faz sempre necessário para combater o tédio que nos persegue, para compensar a insatisfação sem motivo que justifique. O homem é um ser eternamente insatisfeito.diferente do caminho de uma caprichosa criança, o caminho de uma pessoa adulta é semelhante ao do parafuso: direito e curvo ao mesmo tempo.
A nossa vida não é linear, e o tempo não obedece a uma direção, a uma vontade exterior ou a uma fonte provedora de plantão sem interrupção. não temos a mãe para nos acolher o tempo todo.Estamos no universo cósmico, a mais bela e perfeita ordem, com coisas espalhadas ao acaso, que, mesmo em constante expansão, continua em equilíbrio. Esse é o jogo a ser jogado.

Como apreciar o sentido trágico da vida com uma alma
tranquila? Os intranquilos estão sempre buscando proteção devido ao grande dilema do ser humano no jogo da vida: onde podemos colocar as nossas esperanças?

Cada um fará conforme sua necessidade, educação, cultura e convicções religiosas, raramente sendo a mesma na trajetória da vida. Varia conforme as circunstâncias e a maturidade
emocional. Quanto mais infantil for uma pessoa, maior será sua necessidade de ter atendido seus pedidos e maior será o tamanho do seu deus. Os conceitos dos intranquilos sempre se fragmentam. A alma de uma pessoa tranquila sabe que a harmonia real não é aquela que tem alguém para combater os seus transtornos, que ela não tem para quem transferir as suas dificuldades. Que necessita superar os seus transtornos, por conta própria, portanto, se exercita e se prepara convenientemente para o enfrentamento, da melhor maneira possível, desenvolvendo as suas potencialidades, sem renunciar à porção divina que existe no seu interior, mesmo necessitando de ajuda profissional quando necessário. é preciso despertar as forças interiores, e não esperar passivamente que uma força invisível venha resolver por decreto os nossos problemas. A vida é combate, e reconhecer o significado desse combate é a possibilidade de desfrutar de uma harmonia natural, sem interferência ou necessidade de pagar ágio pela fé. A vida é combate, mas também prazer.

Palavras sinceras sobre Medos - desejos -
conquistas – Prazeres (uM novo olhar sobre a vida)
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