segunda-feira, julho 27, 2026

Misofonia não é frescura, é sensibilidade seletiva

   Misofonia não é frescura, mas uma sensibilidade seletiva sobre alguns tipos de ruídos que podem causar sofrimento ou reação adversa.

Imagem de Luisella Planeta LOVE PEACE 💛💙 por Pixabay

Em algum momento, você já viveu ou presenciou uma pessoa que se irrita quando ouve um sussurro de outra. E sentiu raiva ou desconforto com o som de alguém sussurrando ou mastigando, não é falta de educação. É Misofonia, um curto-circuito no cérebro que dispara o modo de "luta ou fuga" por causa de um ruído.

 

Isso não é frescura, mau humor ou implicância. É uma condição neurológica real onde o cérebro interpreta sons de baixa intensidade (como sussurros, mastigação, bateção de pés ou cliques de caneta) como uma ameaça física.

 

Ela pode surgir em qualquer fase da vida, muitas vezes engatilhada por períodos de grande estresse crônico ou exaustão emocional.

 

Segundo o Jornal da USP, trata-se de uma “Síndrome da Sensibilidade Seletiva a Sons que só foi reconhecida nos anos 2000, mas afeta a humanidade há muito mais tempo, causando desconforto por determinados sons”.

 

Esses ruídos de baixa intensidade desencadeiam uma reação de luta ou fuga no cérebro, causando estresse e desconforto incontroláveis, porque o cérebro processa o sussurro como uma ameaça, liberando adrenalina e aumentando os batimentos cardíacos.


Segundo a ciência ainda não há uma conclusão final sobre e como a misofonia surge, sendo uma combinação de fatores neurológicos, genéticos e psicológicos. Ela não é uma doença de ouvido, mas sim uma falha no processamento do som pelo cérebro, que gera desconforto.

 

Exames de imagem mostram que pessoas com misofonia têm uma conexão excessiva entre o córtex auditivo (que processa o som) e o sistema límbico (responsável pelas emoções e pela reação de "luta ou fuga").

 

O cérebro interpreta um som inofensivo, como um sussurro, como uma ameaça física iminente. A condição pode surgir na infância entre os 9 e 13 anos. 


Embora estudos científicos aleguem que poden se manifestar em qualquer etapa da vida, inclusive na velhice, é menos comum do que na infância. Pode surgir de um histórico familiar ou condicionamento psicológico como associação negativa.

 

O primeiro surto geralmente ocorre ligado a uma pessoa próxima (como pais ou irmãos) em um momento de estresse, quando o cérebro grava essa experiência e passa a antecipar o som, aumentando a ansiedade antes mesmo de o barulho acontecer.

 

Conforme envelhecemos, é natural perder a capacidade de ouvir frequências mais altas. O cérebro tenta compensar essa perda aumentando sua sensibilidade interna para captar os sons.

 

Esse esforço do sistema nervoso central pode desregular os filtros auditivos, fazendo com que o cérebro passe a interpretar barulhos de baixa intensidade (como o sussurro) como ameaçadores ou irritantes.

 

O zumbido no ouvido é muito comum na velhice e anda de mãos dadas com a misofonia. O estresse contínuo de ouvir um chiado ou apito constante deixa o sistema nervoso em estado de alerta permanente, facilitando o desenvolvimento de intolerância a outros sons do ambiente.

 

 O envelhecimento altera a química cerebral e a plasticidade dos neurônios. Períodos de grande estresse na velhice — como o luto, isolamento social ou o diagnóstico de outras doenças — reduzem a tolerância emocional, abrindo espaço para que o cérebro crie uma aversão repentina a determinados ruídos e piora se estiver expoto ao cansaço mental, a perda de energia para tolerar o ambiente;

 

Um familiar que causa estresse pode provocar e até piorar a misofonia, porque é uma caraceterísticas mais marcentes e dolorosas para esse tipo de sensibilidade.

 

O vínculo emocional próximo e o estresse interpessoal mudam diretamente a forma como o cérebro processa os sons. Pois o ambiente familiar e o estresse crônico desencadeiam a misofonia de formas bem específicas:

 

É extremamente comum que os gatilhos (como o sussurro) comecem ou sejam muito piores quando produzidos por um membro específico da família (pais, cônjuges ou irmãos).

 

A pessoa pode tolerar perfeitamente o sussurro de um desconhecido no transporte público, mas sentir uma raiva incontrolável se o mesmo som vier do familiar estressor.

 

 Viver com um familiar que gera estresse constante mantém o seu sistema nervoso em estado de "luta ou fuga" permanente. 


Como o cérebro já está esgotado e antecipando um conflito ou desconforto com aquela pessoa, ele perde a capacidade de filtrar os ruídos que ela faz. O sussurro vira o estopim físico de uma tensão emocional que já existia.

 

O cérebro associa o som do sussurro à sensação de angústia, controle ou irritação que o a pessoa provoca. Com o tempo, o som passa a disparar a raiva de forma automática, mesmo que o familiar não esteja fazendo nada de errado naquele momento.

 

 A raiva que a pessoa sente do sussurro é involuntária e neurológica. Ela não está "ficando louca" e nem fazendo isso por implicância maldosa, mas por causa do gatilho que a outra pessoa desperta.

 

A falta de compreensão, infelizmente, é o obstáculo mais doloroso e comum para quem sofre de misofonia. Como o sistema auditivo de quem tem a condição é normal, quem está de fora costuma confundir uma resposta neurológica involuntária com implicância, frescura, chatice.

 

Busque ajuda com profissionais de psicoterapia, fonoaudiólogo. Faça meditação,  coloque fone de ouvidos, evite confrontos no momento da crise. 

 

Lembre-se do autocuidado e proteja a sua saúde mental. 

 

Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/misofonia-causa-sofrimento-por-exposicao-a-sons-e-pode-ser-tratada/


Outras Fontes: https://www.jbl.com.br/blog/misofonia-como-lidar.html

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