domingo, 30 de março de 2008

DISCOS RISCADOS | "MESMICE DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA"





Essa reportagem merece"Bis"pois eu havia colocado no meu antigo blog que se encontra desativado e somente hoje, qual não foi minha surpresa ,que ao visitar o blog desativado, vi que o próprio autor da reportagem havia deixado um recado, para saber onde encontrar o novo CD 7 Sinais de Almir Sater..
Ops, como estou atrasada para a resposta, mas,espero que haja tempo ainda, pois assim quem sabe, ganhamos uma bela reportagem na revista veja, sobre o lançamento do novo CD do músico Almir Sater. Assim espero. desculpas foram pedidas e espero que sejam aceitas...
 
Esses são dos trechos da reportagem sobre a abordagem da "mesmice da música popular brasileira" que Sérgio Martins da Revista Veja fez num brilhante questionamento:.

"Discos Riscados" - é o tema intitulado da reportagem de Sérgio Martins, na Revista VEJA|Edição 2012 |13 de junho de 2007, leiam a seguir:

Num mercado fonográfico em crise, artistas e gravadoras desistem de ousar, abusam das regravações e se repetem, se repetem, se repetem!. A regravação, às vezes, é resultado da busca de um músico pela perfeição. Ela pode ser inovadora. O regente austríaco Herbert von Karajan lançou seis versões das nove sinfonias de Beethoven porque queria registrar cada nova concepção que tinha desses clássicos.

A cantora americana Ella Fitzgerald revisitou várias vezes o repertório de autores como Cole Porter e George Gershwin, renovando-se a cada gravação. No Brasil de hoje, porém casos como esses são raros, muito embora o que não falte sejam regravações.

Em todos os estilos os artistas se repetem,se repetem e se repetem, por falta de ousadia,oportunismo ou auto indulgência.

A regravação é um sintoma da crise na indústria fonográfica.

Buscar uma solução inovadora para as vendas declinantes dá trabalho, e é mais seguro investir em mais do mesmo. A festeira baiana Ivete Sangalo lançou três discos ao vivo em menos de dez anos.

Em tempos idos, o sambista Zeca Pagodinho só lançava CDs de material inédito, com no máximo duas, três releituras. A partir de Ao Vivo, de 1999 Zeca afrouxou seus critérios.

Até Lobão largou a pose de "artista que não se vende" e topou a oferta da gravadora Sony BMG para lançar um Acústico MTV. Nas entrevistas de divulgação desse disco preguiçoso (em grande parte feito de velharias dos anos 80), o cantor jacta-se de que a gravadora está pagando jabá, aquela verba que o radialista recebe para tocar certas canções.

O artista que muda de gravadora às vezes utiliza a regravação como estratagema para transferir o melhor do seu repertório para a nova casa.

No mês passado, chegaram às lojas discos de artistas do segundo escalão da MPB com homenagens a Dorival Caymmi,Tom Jobim e Chico Buarque. São trabalhos modorrentos e sem critério artístico. Está na hora de os artistas brasileiros apresentarem novidades.Ou estarão condenados a confirmar o poeta russo Joseph Brodsky, para quem a repetição era a mãe do tédio.