A Páscoa já está indo embora, mas o maior presente que podemos dar e receber é deixar Jesus viver verdadeiramente dentro do nosso coração como homens e mulheres de boa-vontade, independente de dogma, crença, ele deixou um legado para sempre!
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Imagem de Gerd Altmann por Pixabay
Para os cristãos, mais especificamente os católicos, hoje é um dia de renovação e simboliza a ressurreição de Jesus Cristo, morto pelo viés político e religioso da época. Líderes religiosos como Caifás viam Jesus como uma ameaça por causa de suas pregações e por ele ser contra os vendilhões do templo, e incitaram o imperador romano para prendê-lo.
Mas segundo Flávio Josefo (historiador e sacerdote judeu) conforme registrada em sua obra Antiguidades Judaicas (por volta de 93-94 d.C.), que alguns alegam que podem ter sido alteradas, porém afirma que Jesus não representava perigo ao sistema, mas uma “ameaça” direta à sociedade.
Enquanto Jesus era um homem pacifista voltado para pensamentos filosóficos e espirituais, não como insurgente, líder revolucionário ou armado como era Barrabás (significa “filho do pai”), e pertencia ao partido político dos Zelotes que lutava contra a dominação romana e a cobrança alta dos impostos para os judeus.
Nos evangelhos de Marcos (15:7) e Lucas (23:19) relatam que Barrabás foi preso por um ato de rebelião e homicídio, e possivelmente visto como um salvador político que traria libertação armada para os judeus em contraste com a mensagem de paz de Jesus que utilizava como arma suas palavras.
Os dois poderes influenciadores que dominavam os judeus eram o religioso e o governo romano, e o povo era vítima da ambição deles.
Segundo o advogado, economista, contador, professor universitário Manoel Paulo de Oliveira, “a tributação excessiva levava à inadimplência. Os tributos religiosos eram cobrados à razão de aproximadamente treze por cento das colheitas e, a cada sete anos, o resultado de um ano e meio de trabalho, um exemplo de como era feita essa tributação:
Produto a ser tributado 1.000 litros de trigo:
Imposto romano 25,0% 250 litros
Impostos religiosos 13,0% 130 litros
Líquido 620 litros
Imposto dos sete anos 22,0% 136 litros
Total de tributos 51,6% 516 litros
Ainda segundo o Professor, as cobranças descomunais foram “o que levou à sonegação num esquema de corrupção materializado no desvio dos dízimos, o ambiente de um confisco generalizado é inquestionável, na medida em que “O Império Romano, todavia, não era mais um império agrário tradicional, mas sim comercializado e os camponeses judeus estavam sendo levados a dívidas e deslocados de suas propriedades com maior frequência do que o normal à medida que a terra se tornava, sob a economia comercializante romana, menos uma herança ancestral para nunca ser abandonada e mais uma mercadoria empresarial a ser rapidamente explorada (…)”. Os camponeses judeus, portanto, tinham uma longa tradição em nítido choque com uma próspera economia do século I que via o acúmulo de terra como prática comercial e o endividamento dos camponeses como a melhor e mais rápida maneira de consegui-lo.”
E o mais incrível é que esses 10% estavam entre os menos religiosos, ateus ou agnósticos. Os mais religiosos agiam com segregação e preconceito.
Quanto desses religiosos promovem a paz, a união, na pandemia, por exemplo, quantos destes “famosos” ou não, promoveram acolhimento ou solicitaram para seus súditos ajudar com algo para os necessitados? Quantos deles ofereceram conforto para os desabrigados, para os que perderam seus entes queridos na guerra, pandemia, desastres ecológicos e afins.
Antigamente, havia quermesses, bingos, rifas, romarias, não redes sociais, zap zap, mas uma comunidade participativa em ajudar, e recolhimento nestas datas significativas. Hoje há uma disputa de egos e polarização em redes sociais, zap zap, colocando uns contra os outros, o ódio passou a valer mais, se ganha mais dinheiro, notoriedade e likes.
O tal do diabo é mesmo sedutor, deve estar rindo à toa com tantos voluntários. E como todo aquele que faz jogo duplo ou que se vende pelo vil metal, como diz sabiamente Almir Sater em “Verdade Absoluta”, canção em parceria com Paulo Simões, do seu disco mais recente “Do Amanhã Nada Sei”, lançado em 2022, em uma reflexão sobre a cegueira moderna.
Há um filme cristão de Natal que assisti em 2024, “O Presente Perfeito”, que exemplifica isso em sua resenha. Narra um misterioso andarilho que ajuda uma garota mimada e sua mãe a encontrarem o verdadeiro significado do Natal, focando em amizade, fé e comprometimento, metaforicamente representado como Jesus Cristo, como um agente transformador.
Jesus vive sim, se estivermos abertos para entender suas palavras, suas parábolas e colocá-las em prática. Sedentos pelo bem, com consciência coletiva, em ser agregadores e multiplicadores, e deixar a hipocrisia do lado.
Não somos apenas indivíduos, ao contrário, somos uma sociedade que deve conviver civilizadamente, grupos que somam, que dialogam e que respeitam as diferenças, promovem a paz, a união, o bem-estar social. Precisamos uns dos outros, mesmo que seja difícil conviver com os outros, segundo Savater, sociólogo espanhol. “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”, assim pensava Nietzsche, eu concordo, cada pessoa tem um juízo de valor diferenciado, de acordo com seu ponto de vista. Entretanto, se não buscarmos um consenso, maturidade emocional para lidar com as divergências, as consequências serão inevitáveis e o mundo inabitável.
“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?” Sigmund Freud.
O quanto você contribui para essa desordem social, moral e espiritual? Não basta apenas reclamar, indignar ou lamentar, mas cada um fazer a sua parte em ser agente mobilizador para promover o que é certo, justo e bom para todos e não só privilegiar alguns.
Não serão as telas azuis, nem as falsas narrativas, tampouco o ódio que nos salvarão da devastação, além da moral. Essa é a verdade absoluta que nos convida, Sater e Paulo Simões, a repensar sobre os nossos valores, ambições e negligências!
Me perdoe os novos tempos
Com seus reinos virtuais
As notícias do momento
Nem parecem ser reais
Muita gente já nem pensa
Afinal qual vale mais?
Ao invés de um sentimento
Preferir ouvir o metal
Ver só o que sai de dentro
De suas telas de cristal
Muita gente já nem tenta
Distinguir o bem do mal
Quando o fogo se acendeu
E a noite clareou
Nossas vistas se abriram
Para sonhos e mistérios que o sol nunca mostrou
A verdade absoluta
Nem Jesus nos revelou
Mesmo crenças ou ciências
Nem a arte nos salvou
As pessoas se contentam
Com migalhas que sustentam tão estranhos rituais
Se houver seres humanos
Nesse estranho amanhã
Para eles deixaremos
Já mordida essa maçã
A frissão vai ser intensa
E a saída de emergência é o espaço sideral
Desde que a roda girou
E o mundo acelerou (Ooh)
Nesse bom e velho império
Tem um só problema sério
Que é salvar o que restou
Quando o fogo se acendeu
E a noite clareou (Ooh)
Nossas vistas se abriram
Para sonhos e mistérios que o sol nunca mostrou
Desde que a roda girou
E o mundo acelerou (Ooh)
Nesse bom e velho império
Tem um só problema sério
Que é salvar o que restou
É a verdade absoluta!
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