domingo, maio 31, 2015

Historiador desenvolve projeto de leitura em regiões carentes

Há uma década, Clóvis Matos realiza trabalho itinerário de leitura; 
em 10 anos, doou mais de 25 mil obras.
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Gabriel Soares                                                                                                       
 VINÍCIUS LEMOS 
DA REDAÇÃO
A caminhonete Rural Willys verde, intitulada “Furiosa”, chama atenção pelas ruas de Cuiabá. Na carroceria, são carregados mundos de conhecimentos, através de livros de literatura.

O veículo abriga o projeto “Inclusão Literária” e leva cultura para diversos municípios de Mato Grosso.


Dirigindo o automóvel, o técnico administrativo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Clóvis Matos, de 60 anos, orgulha-se da ação social, que está completando uma década.

A paixão de Clóvis pelos livros surgiu na infância, quando morava no município de Iporá, em Goiás.

Apesar de o lugar ser distante, o criador do “Inclusão Literária” conta que conheceu os primeiros livros da vida a partir de hóspedes que passavam temporadas no hotel de sua família. O primeiro grande livro ao qual teve acesso foi “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel Garcia Marquez.

“Na minha cidade não tinha livraria, nem asfalto. Os turistas levavam livros, gibis e revistas, foi a partir daí que comecei a me interessar pela leitura”, relembrou.

Formado em história, no ano de 1992, Matos teve a ideia de criar o “Inclusão Literária” após trabalhar como diretor de marketing em uma livraria da Capital mato-grossense.

Ele conta que criou um espaço de leitura na loja, para que o público pudesse ler trechos das obras. Porém, notou que muitas vezes os leitores iam diversas vezes ao local, para que pudessem terminar de ler os livros, sem comprá-los.



"Eu percebi que as pessoas terminavam de ler na própria livraria, sem comprar os livros, porque eles eram caros."

“Eu percebi que as pessoas terminavam de ler na própria livraria, sem comprar os livros, porque eles eram caros. A partir de então, tive a ideia de facilitar a leitura para quem não tinha condições financeiras”, explicou.

Criado em 2005, o “Inclusão Literária” marcou uma nova fase na vida de seu criador. O primeiro passo foi a compra da “Furiosa”, que desde o princípio foi utilizada para servir de biblioteca itinerante. Clóvis Matos sempre teve o objetivo de levar os livros para as zonas rurais, como Pantanal, Manso e Poconé.

Sem grandes apoios governamentais, o projeto teve pouco auxílio do governo. Clóvis relatou que o“Inclusão Literária” possuiu somente uma ajuda custeada pelo Governo do Estado.

O início da ação social foi avaliado em R$ 94 mil. O valor foi encaminhado para o programa de Lei de Incentivo Estadual, que concedeu apenas R$ 30 mil para ajudar na empreitada.

“Houve uma outra vez em que o projeto foi aprovado pela Lei de Incentivo Federal à Cultura e eu deveria captar verba. Mas fiquei dois anos e meio tentando e acabei não conseguindo nada”, lamentou.

Os gastos com gasolina, estadia e alimentação são pagos pelo próprio Clóvis, que não conseguiu nenhum tipo de ajuda financeira. Para auxiliá-lo na distribuição dos livros e na condução dos eventos, ele conta com voluntários. Alguns estudantes da UFMT costumam viajar com o técnico-administrativo para outros municípios.

Dificuldades de incentivo no Estado
Ele afirma que a falta de incentivo financeiro a projetos culturais ocorre pelo fato de Cuiabá não fazer parte dos grandes centros do Brasil.

“Somos periferia, se fosse Rio de Janeiro ou São Paulo, conseguiria recursos mais facilmente. Aqui é muito difícil”, disse.

Além do projeto “Inclusão Literária”, Matos também costuma ensinar audiovisual aos jovens presentes nas regiões onde faz distribuição de livros. Ele ensina a produzir obras que incluem som e imagem a partir da leitura dos jovens.

Por enquanto, apenas os municípios próximos a Cuiabá foram contemplados com incursões da “Inclusão Literária”, que ocorrem em quase todos os finais de semana. As regiões periféricas são os alvos. As zonas rurais do Pantanal, Manso, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Acorizal e Poconé foram algumas das áreas que receberam o projeto.

A próxima parada do projeto será Juína, no interior do Estado, dia 4 de junho. A “Furiosa” desta vez será deixada em casa, pois este será o primeiro evento de Clóvis com sua nova biblioteca ambulante, uma Kombi branca. A nova ação tem empolgado o técnico-administrativo, que ainda está acertando os últimos detalhes do novo veículo.

Em uma década do “Inclusão Literária” foram distribuídos 25 mil livros. As obras são doadas às pessoas que participam dos eventos, pois Clóvis é contrário ao empréstimo literário. Ele compartilha do pensamento de que os livros devem circular e, por isso, acredita que as doações contribuem para que mais pessoas tenham acesso à cultura.

“Os livros contribuem muito para ajudar intelectualmente as pessoas. Por isso, não quero que elas devolvam, mas que passem para frente. A intenção é fazer as obras circularem”, explicou.

A partir do ano que vem, Clóvis deve se aposentar. Ele espera que na nova fase da vida possa se dedicar mais aos projetos de incursões literárias.
Para ler na íntegra Site Original:  midianews

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