Loira do bem ∞ : 04/30/12

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Vale dos Esquecidos’ filme com Trilha Sonora de Almir Sater

O filme documentário "Vale dos esquecidos", tem como trilha sonora, um das mais belas instrumentais de Almir Sater, "Fronteira", além de ser documentário importante  sobre os conflitos de posseiros e os índios xavantes.

Vale dos Esquecidos’ – Entrevista exclusiva com a diretora Maria Raduan

Primeiro longa-metragem de Maria Raduan, Vale dos Esquecidos é um documentário que tem como tema uma história de 46 anos de conflitos entre posseiros, fazendeiros e índios Xavantes em terras indígenas na Amazônia, próximas à fronteira do nordeste do estado de Mato Grosso.
A área em questão, conhecida como Fazendoa Suiá-Missu,  já foi considerada o maior latifúndio do mundo na década de 70. O perímetro dela é tão extenso que chega a equivaler em tamanho a 252 vezes a ilha de Manhatan, onde está localizada a cidade norte-americada de Nova Iorque.

Nessa caótica situação por um pedaço de terra, a violência e o fogo na mata são os meios usados pelos diferentes atores sociais para defenderem seus interesses dos grupos rivais.
Apesar de em 2012 a Justiça Federal ter determinado que a região pertence aos índios, fazendeiros, posseiros e sem-terras recusam-se a deixar o local. E assim a situação política da região complica-se dia-a-dia, afastando-se de uma solução.

A exemplo do longa Xingu, de Cao Hamburger – lançado recentemente (clique aqui pra ver nosso post) - Vale dos Esquecidos é um filme de extrema importância para entendermos a realidade de um Brasil que está fora do eixo Rio-São Paulo, que pouco aparece nas mídias tradicionais, a não ser quando um grande conflito explode e chama a atenção da opinião pública.
Com roteiro de Felipe Braga e Maria Raduan, direção de fotografia é de Sylvestre Campe, montagem de Jordana Berg,  produção de Rodrigo Teixeira e trilha sobora de Almir Sater, Vale dos Esquecidos é a história de um pedaço do Brasil em guerra contra si mesmo.
Conheça o site oficial do filme, e curta a página no Facebook.
Veja abaixo o trailer do filme e vá ao cinema conferir!
Clique aqui para ver a agenda. Estreia em S. Paulo no dia 20/04 e no Rio de Janeiro em 27/04.
Confira a entrevista exclusiva que fizemos com a diretora Maria Raduan.
Portal Tela Brasil – Este é o seu primeiro longa, não é mesmo? Fale um pouco dele pra nós e sobre a história que ele conta.
Maria Raduan – Sim. É meu primeiro longa para cinema. Vale dos Esquecidos conta a história da disputa, que já dura 46 anos, pela região considerada o maior latifúndio do mundo na década de 70, conhecida como a Fazenda Suiá-Missú. É uma situação que revela índios expulsos das suas origens, posseiros na busca por um pedaço de terra, grileiros invasores, sem-terras à espera de decisões políticas e fazendeiros na luta por suas propriedades.
PTBr – Explique  melhor o cenário dessa história e qual a sua motivação para registrar essa história.
MR - O latifúndio em questão fica na área da Amazônia no nordeste do Mato Grosso. Nos anos 70, o governo incentivava a ocupação da Amazônia através da SUDAM. Desta forma, o estado atraía trabalhadores agrícolas de outras regiões do país. A ocupação incluiu a expulsão de diversos integrantes da tribo Xavante Marawãtsède, habitantes originais da região em 1966.
A princípio eu queria entender a história dos índios e durante a pré-produção percebi que existiam muitas outras variáveis. Foi quando decidi que o Vale dos Esquecidos seria uma radiografia de como é a Amazônia no Brasil.
PTBr - Quais foram as maiores dificuldades para produzir o filme?
MR – A questão da logística certamente foi a maior dificuldade. Não só o Vale dos Esquecidos é muito longe (14 horas de carro) de Goiânia, como uma vez lá qualquer deslocamento representava no mínimo 1 dia. Foi complicado identificar os personagens e convencê-los a falar, tivemos um grande período de pré-produção por isso.
PTBr - Fale sobre a trilha sonora e a escolha do músico de Almir Sater para compô-la.
MR – A música escolhida não é cantada e tem uma pegada um pouco diferente da maioria das músicas do Almir Sater, a música já foi gravada há muitos anos, mas nós achamos que ela tinha tudo haver com o clima do filme.
PTBr - Como está a situação atual na região foco do documentário? Que tipo de esperança você tem a partir do filme pronto,podendo jogar luz sobre este problema? 
MR
 – Em 2010, a Justiça Federal determinou que a região é dos índios. Todos os demais deveriam desocupar o local, mas os posseiros recusam-se. Eles mostram escrituras registradas em cartório, consideradas sem valor pelo Ministério Publico Federal. O conflito continua. Nós já fomos procurados por várias partes para mostrar o filme, até pelo Governo.

Fonte:
http://www.telabr.com.br/noticias/2012/04/25/vale-dos-esquecidos-entrevista-exclusiva-com-a-diretora-maria-raduan/