Loira do bem ∞ : 05/01/10

sábado, maio 01, 2010

Pitaco de Loira:Cultura Japonesa e os valores éticos dos orientais.



                                                                                            Ohaiô gozaimassu!

Eu já tive a felicidade, de vivenciar a cultura japonesa, um das mais interessantes que existe. Não é fácil acompanhar tanta disciplina, ritual e bom senso ao mesmo tempo. Requer cautela, interesse e vontade, sobretudo, entender, como os orientais, agem e atuam dentro do mercado do trabalho ou nas relações interpessoais. Imagine, para uma  pessoa como eu, oriunda da raça italiana, calorosa, que dialoga, como se estivesse "brigando", falam tudo que pensam até pelas ventas...é da nossa raça ser muito espontâneo, ousado e levar as emoções ao ápice da coisa. Como diria, um terapeuta holística, que eu conheço,"primeiro dispara a metralhadora, depois que usou todas as munições ,é que vai analisar, quem foram os mortos e feridos", e aí já é tarde. santo exemplo, italianada é assim mesmo, não leva desaforo pra casa, tem um orgulho arraigado dentro de si, e quando diz "não" é para sempre,( ou pensa que é ) sic...qdo o faz, não há quem faça mudar de ideia, mesmo que isto implica em perdas, o que prevalece é a indole do caráter e a honra sendo restítuida.
Ninguém humilha um italiano, (eles pensam) sic....rebaixando o seu valor ou sua dignidade. Tá no sangue quente, revidar, seja o que for, sobretudo de injustiça.

Eis um dos motivos, que me debandei para a cultura oriental, e fui conhecer, vivenciar, um pouco deste equilíbrio, até então não tinha, era tudo "oito" ou "oitenta", ferro ou fogo sem meio termo.. Muita gente de má indole, foi até beneficiada com isto, porque, em outros tempos, o "buraco era mais embaixo", mas com o amadurecimento e o tempo eu aprendi, que devemos ser complascentes e o quanto outras culturas podem agregar a nós, e nos tornar pessoas melhores. Nestes retiros em que tive a oportunidade de realizar junto a Monja Coen, que faz parte do zen budismo, e da qual, se baseia na meditação zazen, pude vivenciar e aprender muita coisa...O que era normal pra mim, como falar, gesticular, ser estabanada, passou a ser "deslizes" no novo aprendizado. O Japonês, em si, tem um ritual pra tudo, desde no preparo da comida, até a hora propriamente para comer. Tudo é silêncio, respeito, disciplina e hierarquia. Ninguém ousa jamais quebrar esses protocolos, é um outra forma de cultura. Nos próprios negócios, mesmo sendo ele, o herdeiro da empresa, não iniciará  no cargo de lider ou chefia, pelo contrário, para gerir bem seus negócios, começará no piso da fábrica, aprendendo, todas as funções, obtendo profundo conhecimento e só assim, estará apto para exercer  a mais alta funcionalidade.

Orientais, não jogam conversa fora, pensam muito antes de falar, agir ou comentar.
Segundo, Lumi Toyoda, pesquisadora da cultura japonesa, “O Japão é um país repleto de regras de comportamento, com códigos explícitos na vida familiar e social, e implícitos em locais de trabalho e relacionamento profissional. Uma pessoa com falta destes conhecimentos é considerada ‘sem educação’. "O japonês carrega para si muitas obrigações, imposições e obediência. E responde por qualquer ação negativa de sua família e seu grupo. Por outro lado, o sucesso é o resultado do esforço de todos, mesmo que este seja gera por apenas uma pessoa"

Quando fazemos negócios com orientais, todo a cautela é pouca, devemos antes, conhecer profundamente seus hábitos, costumes e culturas, para não ser invasivos, deselegantes e mal educados e eles não são como nós brasileiros, acostumados, a tripudiar pessoas, a rir de nós mesmos e tudo acabar em pizza, são pessoas que desde criança, tem a palavra dada como honra, disciplina, atitude, ética e bom senso muito bem definidas em seu vocabulário. 

Uma vez conquistado um japonês, é meio caminho andado, para mantê-lo como fixo na carteira de clientes. Como diria o velho guerreiro"Quem não se comunica, se trumbica". E não é só com a cultura dos orientais, que devemos ter os "insigths" de conhecê-los antes, para depois, gerir negócios, mas com todas as culturas.

Quando conhecemos os valores e tradições dos povos, temos maior capacidade de discernimento e vamos estar mais próximos de atingir nossos objetivos. Toda a pessoa, gosta de ser e sentir respeitada, e se demonstrarmos profundo interesse, respeito e sobretudo conhecimento da cultura alheia, com certeza, as chances de dar continuidade aos negócios, sejam eles pessoais ou profissionais, serão sempre maiores, em todos os sentidos.  Pessoas gostam de se interrelacionar com quem tem afinidades e sobretudo que os seus valores culturais sejam respeitados e conhecidos de fato.

Algumas expressões:
• Ohayoo gozaimasu: “bom dia”
• Shitsurei shimasu: “com licença”. Usado tanto para entrar quanto para sair de um recinto.
• Onegai shimasu: literalmente, “por favor”.
• Arigato gozaimasu: o famoso “obrigado”.
• Dou itashimashite: o quase tão famoso quanto “de nada”.

* Uma Comitiva Japonesa
“Milton Neshek é um advogado norte-americano e diretor de uma empresa japonesa localizada no Meio-Oeste norte-americano.

Certa vez, acompanhou o governador do seu estado em uma missão comercial ao Japão, onde o governador falou para uma enorme e distinta plateia de funcionários do governo japonês. No final da apresentação, o governador, visivelmente preocupado, imprensou Neshek e lamentou:
- Meu discurso foi um desastre! Não devia tê-lo feito. Por que minha assessoria não me avisou? Confuso, Neshek perguntou:
- O que o fez pensar que seu discurso foi horrível?

O governador reclamou que havia visto muitos membros da plateia com sono, até mesmo balançando a cabeça. Aliviado, Neshek explicou rapidamente que, entre os japoneses, é comum demonstrar concentração e atenção fechando os olhos em contemplação e balançando levemente a cabeça para cima e para baixo. O que o governador interpretou como enfado era, na verdade, um sinal de respeito e atenção”.

Com a internacionalização dos negócios, cada cliente precisa ser detalhadamente analisado, para que pequenos atos que para uns são mera cordialidade não se transformem nas famosas gafes, que muitas vezes inviabilizam os negócios.

Ao recepcionar uma comitiva japonesa, ou visitar esse país visando um relacionamento comercial com resultados positivos, é preciso que o empresário estude atentamente os hábitos e costumes desse povo, tão diferentes dos nossos.

- nunca tente lisonjear um japonês; soa como falso e inviabiliza seu negócio;
- curvar-se é a forma tradicional de cumprimento, na chegada e na saída:
- entre orientais e ocidentais a reverência é seguida de um aperto de mãos;
- com as mulheres, apenas curve-se; só estenda as mãos se ela o fizer primeiro;
- se você for o visitante, não espere ser convidado para ir à residência de seu interlocutor comercial; japoneses dificilmente - - recebem seus parceiros comerciais em suas residências;
- a prioridade no País é do homem - andam na frente, entram primeiro nos veículos;
- por isso, dificilmente um japonês levará sua esposa a reuniões de negócios; dessa forma, não leve a sua à reunião que somente os deixará constrangidos;
- logicamente, essa norma não serve para esposas e mulheres executivas da empresa;
- a hierarquia e a idade são respeitadas e valorizadas;
- os japoneses gostam de negociar com profissionais da mesma hierarquia; não aceitam bem os representantes;
- as decisões comerciais são lentas; pensam muito e somente depois de certos de sua posição, respondem ao cliente – respeite esse modo de ser, não os apressando;
- dificilmente os japoneses viajam sozinhos para encontros comerciais; geralmente em comitivas;
- nem sempre quem fala é a pessoa que toma decisões; pode ser um porta-voz;
- apreciam a postura adequada ao falar, sentar, andar, abaixar; as mãos devem ficar a vista do interlocutor;
- o riso é usado como forma de esconder vários tipos de emoções; não o interprete como demonstração de alegria somente;
- a pontualidade é rígida e exigida nas reuniões;
- os cartões de visita são trocados sempre no início dos encontros, entre todos os participantes e entregues com as duas mãos;
- tenha sempre cartões de visita, de preferência impressos em dois idiomas: português e um segundo – inglês ou japonês;
- a troca de presentes em encontros comerciais é habitual no Japão, mas dificilmente os japoneses abrem o presente no momento de recebê-lo; abra o seu, se assim o desejar, mas não espere que ele faça o mesmo;
- conversam olhando-se nos olhos, mas evitam qualquer tipo de contato físico;
- os trajes são sempre formais em reuniões de negócios;
- as refeições seguem a tradição oriental - chopsticks (pauzinhos) substituem os talheres, e tigelas, os pratos;
- recusar comida típica é falta de educação; sirva-se bem pouco, experimente e agradeça. Não é necessário repetir.

Bons negócios com seus parceiros japoneses, e lembre-se, não se aflija se ouvir:

“Sono ken ni tsuite kangaetokimasu”. isso significa uma frase esperançosa no mundo dos negócios:“Vou pensar no assunto”.

*Gilda Fleury Meirelles, bacharel em Comunicação Social e Relações Públicas pela FAAP/SP, Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero/SP, professora, consultora e assessora de comunicação empresarial, protocolo, cerimonial e eventos. Sócia-diretora do IBRADEP – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Comunicação, Capacitação Profissional e Empresarial.

Lembrete: Além do Estado de São Paulo, a colônia japonesa também tem forte presença nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará. No Paraná, Curitiba, Londrina e Maringá,vem a ser as maiores colônias japonesas do Estado.