Loira do bem ∞ : 03/05/09

quinta-feira, 5 de março de 2009

10/03 REPRISE NA TV DO SR. BRASIL COM ALMIR SATER









Consumoterapia - MENOS....


A crise chega para enxugar excessos, mudar conceitos e inspirar frugalidade. A nova onda encolhe até o guarda roupa, no melhor estilo menos é mais. Navegue sem medo nesta onda que pode crer, traz a reboque um jeito mais suave de viver.
Em vez de temer os próximos 365 dias, encare-os como uma passagem, um portal que vai deletar valores desgastados e configurar um novo modelo de olhar o mundo.
Sintomas estão por toda a parte, eventos catastróficos, dos 11 de Setembro ao tsunami, das enchentes e secas concomitantes ocorridas no Brasil e nos terremotos da Ásia, resultaram numa urgência frenética, em viver como se não houvesse amanhã.
Consumoterapia
Conversar, ler, passear, ver a cidade, andar a pé, frequentar parques- temos de descobrir novas possibilidades de lazer que não envolva gastos, diz a psicanalista Vera Rita Ferreira, especializada em psicologia do consumo e professora da PUC, SP,
Atire a primeira pedra, quem nunca afogou as mágoas, ou celebrou uma vitória se dando um presente, em geral, algo desnecessário, quase inútil. “Comprar é o esporte predileto do planeta”.  “Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo”, zombava o jornalista Millôr Fernandes, a respeito do consumo exacerbado. Piadas à parte, o maior problema é que quando se busca aí a solução para angústias. "Comprar não resolve questões da alma”, analisa Beth Furtado, autora do Livro” Desejos Contemporâneos" - esse círculo vicioso gera exaustão. A desaceleração econômica, o arrocho do crédito, o desemprego, o mercado em queda.
Uma ala significativa dos analistas concorda que do prejuízo sempre se pode obter lucro. Acreditam que essas perspectivas representam oportunidades.
Segundo a psicanalista, Vera Rita autora do livro “Psicologia Econômica”, tais problemas podem conter uma força agregadora: "É a chance de rever conceitos com que vivemos há décadas, como se fossem naturais e inevitáveis. A estabilidade causa acomodação e engessa o pensamento. Perdemos a Capacidade de olhar por outras perspectivas”, diz ela. Nem os otimistas se atrevem, no entanto, dizer que a vida vai ficar fácil, porém segundo a psicanalista, é a incrível criatividade que seremos obrigados a descobrir "A mente só se desenvolve sob pressão", insiste Vera.
Outras fontes de satisfação já despontam no horizonte: o ser humano vai se alimentar, por exemplo, da energia do encontro. Dedicar-se mais tempo aos amigos, a família, torna-se uma nova forma de consumo.
Você decide.
De um lado, fusões, aquisições, conglomerados trabalhando em grande escala para atender aquela parcela da população que ainda está carente de tudo e apenas, se inicia, nos confortos que o consumo propicia. De outro, a segmentação em nichos, num estilo de marketing mais barato, que acontece via internet e está focado nos desejos e necessidades. O negócio de sucesso é o que respeita a diversidade. E isso já é um antídoto, contra excesso-compraremos o produto que nos atende e não o que o mercado nos sugere. A passagem pode não ser suave, mas trará alegrias. Hoje as pessoas tendem a basear suas decisões nas campanhas publicitárias. "Apoderar-se dos próprios desejos não facilita a vida, mas nos traz de volta a realidade”.
Há outras oportunidades na crise, fragilizados, perdemos a petulância e fica mais fácil de entender as urgências do meio ambiente, mesmo que as soluções para os problemas sejam custosas.
Pouca gente entende a estreita ligação entre as questões ambientais e os hábitos de consumo. As embalagens, por exemplo, já viu o volume de descarte que representam?
É esforço, dinheiro, recursos naturais, tempo que se joga fora.
E quando a crise passar? Não tem volta. "O impacto maior é sobre as novas gerações, que vão aprender a viver de outro jeito", conclui Beth.
Os otimistas avistam no horizonte novas formas de desejo. Como a busca pela esperança, de novas formas de amor, relacionamento, sexo, contato, valores que podem afetar a configuração das famílias, o desenho das cidades, relações globais.
Que assim seja
Texto: Duda Ramos
Fonte: Revista Boa Fluída- Edição 120- Março 2009.