A ponte que
une o Cristianismo, a Justiça Social e as Controvérsias.
Observei outra coisa debaixo do sol numa rede social, parafraseando Eclesiastes, que me deixou confusa. Um perfil com a capa de Nossa Senhora, se dizendo católico fervoroso e curtindo como “Amei” (coração vermelho), numa alusão ao fim do Bolsa Família.Muito contraditório entre o ser e a atitude desse perfil para quem se declara publicamente, um devoto fervoroso.
Por isso que hoje penso como Voltaire: “acredito no Deus do Universo, mas não no Deus que os homens criaram”, ao me deparar com pessoas assim que confundem
O verdadeiro significado do cristianismo, disseminado pela Igreja Católica Apostólica Romana possui esta vertente: o do amor, da partilha, da divisão entre os irmãos, a fraternidade e a caridade. Difere da Teologia da Prosperidade, em que, no fim, se você deu certo, foi Deus quem o ajudou; se fracassou, não foi bom para Deus o suficiente. Nunca a responsabilidade é do sistema.O lado humano e empático que trago comigo — e não estou falando da boca para fora, tenho muitos defeitos, claro, afinal sou humana — sempre levei muito a sério, principalmente as palavras de Jesus Cristo, segundo Mateus 25:45: "Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim."
Pois, imaginava que Jesus podia vir em forma do sem-teto, do maltrapilho, do retirante, do imigrante e migrante, da cor de pele diferente da minha, daqueles que batem à minha porta, para vir me testar e comprovar se tinha um coração bom.
Certa vez li uma frase assim: Não há justiça onde não existe bondade, e não há bondade onde não existe justiça.
Que mérito tem uma pessoa em conquistar algo à custa do sofrimento alheio? Até o déspota do Napoleão Bonaparte, ao conseguir uma bolsa de estudos para ser militar, declarou: “De nada adianta a capacidade, sem oportunidades”.
Em nossa Constituição, a carta magna que rege os ditames do nosso país, veremos que isso está no Artigo 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Portanto, é dever do Estado promover o bem-estar social. A democracia não é seletiva; se governa para todos. Aqueles que estão invisíveis para o sistema, cedo ou tarde, virão cobrar sua parte.
Uma pesquisa muito recente da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que “os beneficiários do Bolsa Família responderam por mais de 85% do saldo líquido de empregos formais gerados no Brasil.
Dos 5,38 milhões de postos com carteira assinada criados, 4,58 milhões foram ocupados por pessoas que integram o programa, provando que o auxílio funciona exatamente como uma ponte de emancipação para o mercado de trabalho”.
Respeitem as pessoas que não tiveram a mesma oportunidade que nós e que o Estado não faz favor nenhum em ajudá-los.
O que mais impressiona é que muitos destas pessoas se indignam com uma mísera renda básica de até 700 reais, mas não questionam os bilhões de emendas que saem do Congresso, via deputados e senadores, elaboradas a partir de 2019 através de eufemismos como “orçamento secreto”, “emendas parlamentares” ou “Pix”, sem a obrigatoriedade de prestar contas a você.
Dinheiro dos seus impostos que está sendo encaminhado para outras finalidades, menos para investir na saúde, segurança pública ou educação, e os cidadãos forneceram uma procuração em branco através do voto dado nas urnas.
Dizem: “Ah, mas nos outros países não tem Bolsa Família”. Será que não?
No Reino Unido (incluindo a Inglaterra), há o Universal Credit para ajudar com custos de vida, alimentação, aluguel e imposto municipal (council tax).
O valor base para um adulto solteiro com menos de 25 anos é de exatamente £338,58 por mês, subindo para £424,90 se o beneficiário tiver 25 anos ou mais, variando conforme a renda, o tamanho da família e os gastos com moradia. Há também um auxílio pago para quem tem filhos menores de 20 anos que estejam estudando ou em treinamento, administrado pelo governo britânico para ajudar nos custos de criação de crianças, entre outros benefícios.
É possível que as pessoas não saibam disso e, por isso compram um discurso pronto e vazio. É importante pesquisar para não serem manipulados por algoritmos, mas por sua própria conclusão final.
Os Estados Unidos, por exemplo, atendem mais de 42 milhões de americanos por meio de um cartão de débito governamental, o SNAP (semelhante ao cartão do Bolsa Família), usado exclusivamente para a compra de alimentos em supermercados. Enquanto isso, o Brasil atende entre 18 a 19 milhões de pessoas, aproximadamente e não impõe onde gastar, seja com educação, alimentação, pagamentos de contas básicas, etc.
Sendo os Estados Unidos um país extremamente rico, poderoso e com o maior Produto Interno Bruto (PIB), milhares vivem na extrema pobreza.
Basta assistir ao canal no YouTube de Ricardo Molina, que vive lá e trabalha como corretor de imóveis. Como é uma pobreza “envernizada”, e as pessoas mesmo empregadas, não conseguem pagar o aluguel e vivem em trailers, dormem em motéis ou dentro do próprio carro. É uma pobreza que passa despercebida.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que cuida da segurança alimentar, os valores máximos mensais do benefício variam de acordo com as regiões e o custo de vida local, sendo consideravelmente maiores em territórios fora do continente como o Alasca e o Havaí. Tomando a tabela geral como base, o auxílio varia até US$ 306 para uma pessoa, duas (Até US$ 562), aumentando em até 3 ou 4, e até 5 pessoas (US$ 1.215). A partir de 8 pessoas: Até US$ 1.841 (com acréscimo de US$ 230 por pessoa extra).
Independentemente da orientação política — seja ela mais progressista, conservadora ou liberal —, o Brasil, os EUA e a Inglaterra destinam recursos aos mais necessitados, cada um por meio de seus próprios sistemas de assistência social.
Enquanto o homem comum caminha no asfalto quente da sobrevivência, colhendo as sobras da feira e moldando-se ao comportamento geral de baixar a cabeça e dizer obrigado, as estruturas do topo seguem intocáveis.
No fundo, a pressa em silenciar a dor do necessitado revela o medo de enxergar o óbvio: que a justiça social não é esmola, mas o próprio altar onde a dignidade humana deveria ser santificada, para os verdadeiros heróis e heróinas que contribuem diariamente com o seu suor para a engrenagem da economia girar.
O verdadeiro cristianismo não se veste de ouro, de emendas ocultas ou de curtidas vazias em redes sociais, nem algoritmos.
Ele se manifesta no pão partido, no olhar atento à invisibilidade do outro e na coragem de compreender que, debaixo do mesmo sol, a fome pela justiça social só será saciada quando a mesa for, finalmente, de todos os irmãos.🙏
Quando todos são um e o um é o todo, já dizia Led Zeppelin. E se Led Zeppelin falou tá falado.
Escrever, opinar não para manipular, mas para que pessoas possam fazer suas escolhas conscientemente.
Pesquisa, Fontes e referências:
Dados de Inclusão no Emprego Formal: Estudo FGV/CEEE (2026).
Transparência Pública: Dados orçamentários da Câmara e do Senado Federal.
Parâmetros Internacionais: USDA (SNAP /EUA) e Gov.uk (Universal Credit / Reino Unido).
YouTube: Ricardo Molina.
Imagem: kar3nt via Pixabay.
Checagem by Python (IA) e Google.
Escrever, opinar não para manipular, mas para que pessoas possam fazer suas escolhas conscientemente.
Pesquisa, Fontes e referências:
Dados de Inclusão no Emprego Formal: Estudo FGV/CEEE (2026).
Transparência Pública: Dados orçamentários da Câmara e do Senado Federal.
Parâmetros Internacionais: USDA (SNAP /EUA) e Gov.uk (Universal Credit / Reino Unido).
YouTube: Ricardo Molina.
Imagem: kar3nt via Pixabay.
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