Dias destes, estava a pensar como as pessoas acima dos 50, 60 anos ou mais estão sendo excluídas das inovações tecnológicas e da vida social. Mesmo para aqueles que dominam as técnicas do computador.

Estamos ficando invisíveis para esse mundo moderno, cheio de ruídos e futilidades. Facilitam para eles, dificultam para nós.
Na metade dos anos 2000, quando me formei em Administração com habilitação em marketing, o meu TCC foi sobre esse assunto: o país estava envelhecendo e o mercado precisava adequar os produtos e serviços a essa nova realidade.
Fiz até uma comparação na minha dissertação: os jovens que votaram no Collor nos anos 90 seriam os da terceira idade (como eram chamados na época) nos anos 2050. Colegas da sala de aula ficaram surpresos com o choque de realidade.Lembro que, na época, não havia livros didáticos sobre o assunto; então, focamos em estudos, pesquisas e revistas sobre longevidade, e falávamos da realidade local.
Naquela época, segundo dados de Paulo Cidade (1932-2016) — pesquisador de destaque nas áreas de Agronomia e Economia da Agricultura e professor sênior da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) —, a aposentadoria rural sustentava cerca de 40% dos lares no campo, transformando os idosos nos principais mantenedores daquelas famílias.O dinheiro deles movimentava o turismo, o lazer, a alimentação, entre outras necessidades básicas. Fomos a campo em três lugares diferentes (um bailão, um clube para a terceira idade e uma ONG que promovia a inclusão digital). Notamos que o marketing para os idosos — prefiro o termo 60+ — deixava muito a desejar. Desde roupas adequadas e alimentação até facilidades de acesso, como rampas, acessórios e apoios para se segurar, principalmente para aqueles com dificuldade de andar ou outra limitação.
Naquela época, segundo dados de Paulo Cidade (1932-2016) — pesquisador de destaque nas áreas de Agronomia e Economia da Agricultura e professor sênior da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) —, a aposentadoria rural sustentava cerca de 40% dos lares no campo, transformando os idosos nos principais mantenedores daquelas famílias.O dinheiro deles movimentava o turismo, o lazer, a alimentação, entre outras necessidades básicas. Fomos a campo em três lugares diferentes (um bailão, um clube para a terceira idade e uma ONG que promovia a inclusão digital). Notamos que o marketing para os idosos — prefiro o termo 60+ — deixava muito a desejar. Desde roupas adequadas e alimentação até facilidades de acesso, como rampas, acessórios e apoios para se segurar, principalmente para aqueles com dificuldade de andar ou outra limitação.
E também na compreensão da dinâmica da inclusão digital. Houve um tempo em que a igreja ocupava um papel social relevante nas comunidades, pois promovia a inclusão, a alfabetização e a socialização.Ah, mas qual razão do mercado, sociedade investir nos “velhos?” Porque, além do respeito e dos direitos constitucionais, eles movimentam a economia — muito mais do que o seu preconceito, que deve estar mal informado sobre pesquisas mercadológicas e sociológicas. Segundo dados, esse segmento de idosos movimenta entre R$1.6 trilhão e R$ 2 trilhões por ano na economia, em diversos setores da sociedade. Observo ao meu redor que, cada vez mais, empresas, bancos e afins dificultam o acesso tecnológico e digital. Há milhares de pessoas com 60+ que sentem essa dificuldade e nem sempre estão com um celular atualizado para a tecnologia que eles exigem.Se não tiverem a ajuda de um familiar ou de uma pessoa confiável, como será? Não é só isso. Muitas pessoas até abaixo dessa faixa etária também sentem a mesma dificuldade. É tanto código disso ou daquilo e tantas funções que as pessoas se confundem com tamanha burocracia. Os mercados começam a substituir funcionários por máquinas e cartões. Em lojas de alimentação, como as de fast-food (os totens do McDonald's, por exemplo), a escolha do cardápio com opções, a montagem do lanche, o ato de passar o cartão e depois aguardar na fila para pegar o pedido geram um estresse enorme.Basta apertar um botão errado ou ocorrer um bug para ser preciso reiniciar tudo para obter o abençoado lanche, no final. As empresas precisam focar em quais serviços desejam oferecer a essa parcela significativa de idosos e como priorizar um atendimento simplificado.Além dessas dificuldades, a exclusão digital e financeira dos bancos — entre eles, há aqueles encerraram o acesso pelo computador — principalmente para os não correntistas, ignora esta realidade: as letras miúdas em telas de celular são desconfortáveis e cansativas. Não é à toa que existem óticas em tudo quanto é canto das cidades. Digitar senhas e números longos de boletos em telas sensíveis ao toque gera erros frequentes. E se o aparelho possui um PIN, num instante a tela pula para o bloqueio ou para outro aplicativo, sem avisar. Semanas atrás, quando chegou a minha vez de ser atendida pela gerência, justamente para liberar o acesso virtual, fomos interrompidas por mais de quatro vezes por um senhor idoso, pois ele tinha dúvida como prosseguir para encerrar a sua conta no banco, já que anteriormente, ela havia explicado para ele, de forma oral e não, na prática. Sou e sempre serei a favor do teclado e do monitor do computador; eles oferecem muito mais confiabilidade e conforto visual. Os aplicativos bancários exigem sistemas operacionais de celular superatualizados por questões de segurança.Isso obriga a pessoa a trocar de aparelho a cada 2 ou 3 anos, o que gera um custo alto e desnecessário para quem tem um celular perfeitamente funcional para o dia a dia, para coisas triviais e simples. Considero o isolamento tecnológico um desrespeito com as pessoas que sustentam grande parte da economia deste país. Dados comprovam que este é o público com o menor índice de inadimplência e que, historicamente, mantém relacionamentos mais locais e longos com os bancos.
Tratar essa parcela do mercado com descaso é, além de uma falta de sensibilidade, um péssimo negócio e uma falta de visão mercadológica.
Para mim, isso não é evolução ou segurança digital, mas exclusão e etarismo digital. Se as empresas optam por esse isolamento tecnológico, o caminho mais digno é transferir a conta para instituições que oferecem um atendimento telefônico eficiente, agências físicas acessíveis ou um Internet Banking adequado no computador. Os dados demográficos mais recentes do IBGE apontam que o Brasil possui cerca de 35 a 36 milhões de idosos com 60 anos ou mais. Essa fatia representa 16,6% de toda a população brasileira, mostrando que o envelhecimento da nossa população está ocorrendo de forma extremamente rápida. Não só aqui, mas no mundo.Por isso, é acertado o estudo do governo em planejar um ministério voltado à pessoa idosa. O objetivo central deve ser promover mecanismos para que as pessoas envelheçam com dignidade, aumentando a longevidade e, sobretudo, a saúde mental, física e emocional, por meio do retorno de atividades em praças públicas, eventos e espaços de socialização.Isso passa também por um comércio com roupas e calçados mais adequados, pelo resgate e respeito rigoroso às filas preferenciais para idosos, pessoas com deficiência, gestantes ou com crianças de colo, e por funcionários capacitados para oferecer um atendimento humanizado, acolhedor e menos robótico.O público dos 60+ merece autonomia, respeito e canais de atendimento que acolham seus hábitos, e não barreiras digitais. Modernizar não significa excluir.
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