domingo, janeiro 24, 2010

Filosofando: educação ética e valores



O filme Clube do Imperador, que tem como protagonista Kevin Kline, traz um roteiro bem instigante sobre o tema e a reflexão sobre conceitos de educação ,ética e valores. Tratam-se de conceitos,que estamos sempre vivenciando na nossa sociedade.
A nossa política, certamente, essas pessoas, quando crianças, tiveram outro postura e forma de agir e ser;

Mas, o que faz mudarmos tanto com o passar dos anos; Supostamente dizem de Maquiavel que "os fins justificam os meios",  outro que "O poder corrompe o homem" e ...
Na visão de Jean Jacques Rousseau, que foi um pensador e educador na fase do Iluminismo Francês, e um dos  responsáveis pelo ideal revolucionário na França. Thomas Hobbes foi um estudioso também, que trabalhava pela monarquia na Inglaterra, segundo ele o homem necessita de um poder comum a todos, caso contrário sempre estará em guerra...

O que os dois tem em comum, é uma análise sobre a natureza do homem, segundo o Rousseau "O homem nasce puro e a 'sociedade' o corrompe, enquanto pra Hobbes "O homem nasce mau e a 'sociedade'que o molda. A questão que podemos levantar aqui e, se como observo a trama do filme, as coisas se desenrolam na vida mediante possibilidades e circunstâncias, como será que o meio interage na vida do sujeito? É o sistema que faz o indivíduo ou será o individuo que faz o sistema?

Hamlet, diria:"Ser ou não ser", ou Sócrates, "penso que nada sei",. Qual será, então a origem destas nuances, do comportamento e postura adotado por alguns, infelizmente, a maioria. E não é só a política, é no geral, pessoas burlam as regras de trânsito, furam filas, quando recebem o troco a mais não devolvem e quando recebem a menos, brigam, sempre uns querendo levar vantagens sobre os outros em algum aspecto, negócios ou vendas, são fechados, desde que o licitante, receba uma "comissão" para tal;

Eu, ainda acho que é necessário, reaver nossos conceitos, e fazer uma reflexão social, onde queremos chegar com "tantas vantagens". Somos tão frágeis diante de uma catástrofe, de um terremoto, num dia temos tudo, no outro podemos ter nada, e aí? Não serão os laços que criamos, aqueles genuínos e verdadeiros que farão a diferença ?

Ninguém está imune de passar, por uma situação arrasadora destas, principalmente,
porque estamos gananciosos demais, voltados para a competitividade no mercado, pela buscar do ter, ter e ter, e esquecemos, que  o planeta não suporta mais o peso da devastação sobre o meio ambiente, por exemplo. Li um artigo do Professor de Filosofia, Euzébio Costa, da abordagem e um sendo também educador, Hobbes e Rousseau, onde sem duvida a ideia colocada por trás do filme pode ser escorada na filosofia destes dois grandes, - o homem nasce bom e a sociedade o corrompe? Ou ele nasce mal e a educação bem como o convívio social possibilita a ele fingir uma bondade que não e nata no ser humano? Ou simplesmente, qual seria o verdadeiro poder da educação na vida de um homem?

O CLUBE DO IMPERADOR! Hobbes x Rousseau

Acredito que o meio não corrompe, mas o sujeito sim pode corromper o meio, por exemplo, quando um aluno e colocado em uma realidade educacional diferente da que ele teve na escola da vida, onde ele terá que seguir regras, normas, terá que se moldado ao desejo do estado, sem duvida ele terá que se adequar a esta realidade, mas sem duvida o homem é fruto de suas escolhas, cabe a ele escolher como e até mesmo se vai se encaixar nesta realidade,de forma que posso dissolver-se neste meio ou se entregar de maneira que mantenha alguma coisa de sua originalidade,
E o que faz o personagem do filme, ele se entrega ao coletivo, mas não se corrompe pelo meio, pois ao final ele era o que sempre tinha sido, creio que o meio não pode mudar o sujeito a não ser que exista uma aceitação do individuo, do contrario ele pode entrar em qualquer meio e continuar sendo ele, sem duvida o garoto do filme, aplica de forma brilhante a teoria da duplicidade de Maquiavel, ele adota uma personalidade para na verdade controlar e se manter no poder, ao ponto de fazer o professor ir contra seus princípios éticos e morais alterando uma prova, para que colocasse o futuro senador no concurso Julio César.

O que podemos a partir desta analise concluir que o caráter não é inato no sujeito, o caráter é formado à partir do momento em que o sujeito se percebe como senhor de desejos e sonhos e que tem um preço à pagar para atingir cada um deles, onde se pode perceber que quando o professor fala com o senador que pretende formar o caráter do seu filho, o senador responde sabiamente, que o papel do professor e ensinar o seu filho, mas o caráter do mesmo, ele o próprio pai se encarregaria.

Que pena que não temos muitos professores com a visão deste senador, pois a escola assumiu tantos papeis e esqueceu-se do seu papel primordial, que é ensinar cultura, hoje à escola e um caldeirão de papeis sociais, e uma confusão de valores, desta forma fica difícil conseguir o respeito da sociedade, pois nem mesmo a escola sabe hoje qual é seu verdadeiro papel na sociedade, ela perdeu seu caráter de educadora e agora quer se colocar na vanguarda de formadora de caráter?

Bem sei que meu olhar sobre o filme, CLUBE DO IMPERADOR, e destoantes com o olhar de muitos, mas não posso negar meu olhar só para se encaixar no olhar da maioria, e sem duvida o que podemos concluir e que as teorias hobinianas estão amplamente representadas e justificadas na trama do filme, e revela uma verdade assustadora que uma educação por melhor que seja não tem o poder de alterar o caráter de uma pessoa, a não ser que o próprio sujeito permita.

por Euzébio Costa Professor de filosofia para crianças e adolescentes há 10 anos, pesquisador nesta área tentando encontrar um caminho para colocar a filosofia de forma contextualizada e com significado para a vida dos alunos. e-mail: tttsa@bol.com.br