Loira do bem ∞ : 11/10/09

terça-feira, novembro 10, 2009

O Pão Nosso de cada dia .....


Nossa !!!..
faz tempo que não entro no blog, para dar "pitaco", em alguma coisa...ufa que dia estafante, muito quente, e ao chegar, fatigada eu estava pensando, o quanto é difícil, estar o dia inteiro no piso de uma fábrica, dá um sufoco na alma, uma coisa estranha, é um mundo diferente.

Eu explico, estava num treinamento aos colaboradores de uma empresa, que é um dos meus clientes preferenciais VIP.

E como foi difícil adaptação no início, pois tive que abandonar meus saltos agulhas, trocar por uma calçado de segurança (como senti dores nas pernas, que coisa estranha, estar fora do meu habitat(salto alto), um calor intenso, forte e vários ambientes com situações diferenciadas, em termos de riscos ocupacionais.

Tem que ir de setor em setor, para estar dentro da fábrica, é necessário, usar todas as parafernálias, vestimentas, como capacete, óculos de segurança e o jaleco que cabia duas de mim, felizmente,rsrs, de mangas longas..Haja calor, realmente o incômodo aumenta, mas é preciso para garantir e preservar vidas;

Tava aqui pensando eu como a minha violinha, parafraseando o Almir Sater, até cheguei a comentar, com o engenheiro que me acompanhava de uma multinacional, líder no mercado a nível mundial, no fim do dia, quando que saímos do local, com parte da missão cumprida,(amanhã tem mais)...Ufa...

Que, se eu tivesse um marido ou namorido, que fosse colaborador de fábrica assim, que estivesse o dia inteiro, dentro de uma, eu beijaria era os pés dele, como um Rei, quando este, em casa chegasse, pois é estafante demais, é sufocante;

Enquanto os engravatados estão lá no ar condicionado, naquela "roubalheira",toda; homens de bem, cidadãos comuns, dão o suor literalmente para ter seu ganha-pão e sustentar sua família e não são reconhecidos jamais; são esses que enchem os celeiros do Brasil,

Homens de verdade que dão o seu suor contínuo, e se alegram com as migalhas no fim do mês; me trouxe a lembrança viva do meu pai, de quando criança, ao vê-lo chegando, suado, cansado, após um dia de trabalho e nas mãos dele, sempre trazia umas roscas com cobertura de açúcar, (que não encontro mais)  para mim.

E eu corria colocar na porta do banho, seus chinelos e a toalha, em retribuição e porque me enternecia vê-lo, com aqueles olhos enormes e azuis, pele vermelha, de tão branquelo que era, de estar sol a sol, 

Embora, nós, mulheres lutamos tanto pela tão sonhada independência, embora eu seja uma mulher independente, bem resolvida, eu conservo esse lado em mim, o do respeito pela figura paterna e pelo homem da casa à moda antiga; porque não é fácil, quando estamos ali,de fato, vendo como um colaborador destes ganhar seu dia, o quanto seu dinheiro vem suado e contido;

Quantas vezes, ainda deve encontrar pela frente uma mulher "queixosa", um filho desatento ou se deparar com uma mulher, que não tem senso de valor e discernimento, e gastar o dinheiro ganho com tanto sacrifício, na labuta, em coisas fúteis e que a mídia produz e influencia ao consumo compulsivo;

Quase que sempre eu faço uma oração da Deusa Mãe Terrena, que diz: Que a comida colocada em minha mesa seja o fruto do suor do meu trabalho.

Aprendi, que o meu suor perto deles, não é nada, e que o meu alimento está sendo colocado de forma branda até, e, eu fico a imaginar, como uma pessoa daquela, consegue, após o dia estafante, ter condições de pensar em lazer; em diversão e chegar de alto astral em casa; porque eu cheguei "moidinha";

Aprendi, que nunca mais vou questionar quando um deles vier e dizer que a roupa é pesada, calorenta, que o calçado incomoda, dá calo, que o respirador o sufoca de alguma forma;

Há o ditado de um velho índio que diz,
só posso julgar o outro quando eu estiver calçando suas sandálias por sete sóis e luas;

santa verdade, vindo de um sábio, um xamã, e, após esse dia estafante, só me resta um banho bem energizado, porque nem "capim de ribanceira", cura rapidinho o cansaço que estou sentindo neste momento e amanhã, em mais desta difícil jornada;