Loira do bem ∞ : 04/07/11

quinta-feira, abril 07, 2011

Almir Sater inicia Hoje em BH | miniturnê em Minas.

Almir Sater faz show em Belo Horizonte

Em turnê por Minas Gerais, ele avisa a plateia:se o público incentivar, o show fica ainda mais bonito
Walter Sebastião - EM Cultura-

Nem adianta perguntar ao cantor, compositor e instrumentista Almir Sater como será o show que ele vai fazer hoje no Palácio das Artes. A resposta vem em duas palavrinhas: “Não sei”. Com jeito matreiro, ele ainda observa: “Não vai ser diferente dos anteriores. Desde a primeira apresentação, mostro o material que tenho, o que funciona, o que é mais objetivo. E canto o que as pessoas pedem”.

Almir diz que seus shows são honestos, acústicos, simples, com bons músicos e boa timbragem, sem som alto. “É para ouvir música e se emocionar. O bonito do violão é a delicadeza”, explica. E avisa: se o público valorizar o espetáculo, o artista rende mais. Só depois de um momento de silêncio Almir aponta a canção que lhe envaidece: Corumbá. “Ajuda no show, relaxa”, conta. Ele incluiu no repertório composições de seu disco mais recente, Sete sinais: Rastro da lua cheia e Maneira simples. “Certos dias, parece que passaram manteiga no lápis e tudo flui. Outras vezes, parece lápis no breu”, observa. O ato de compor é mistério que ainda o surpreende. “É tirar algo do nada. Tocar a mesma canção em dias distintos faz com que elas fiquem diferentes. As músicas vão pegando estrada própria. O desafio é superar o dia anterior”, garante.

Almir Sater ao longo da conversa, aos poucos vai definindo seu trabalho: música da cidade e da roça, feita por um autor que desde criança ouviu os caipiras. Ele fez muito sucesso como cantor (tem gravação antológica de Chalana). Dos antigos, gravou Tristeza do Jeca e Rio de lágrimas. Mas já declinou da sugestão de fazer um disco só com clássicos sertanejos. “Ainda não chegou o momento”, observa, lacônico. Trata-se de um artista que não liga para rótulos. “Caipira, folk, sertanejo, tanto faz. Tem gente que faz som, tem gente que faz arte. Gosto dos últimos”, observa o fã de “música que arrepia”. E cita Eric Clapton, Tavinho Moura, Renato Andrade, Renato Teixeira, Heraldo Rocha, Geraldo Espíndola e Tião Carreiro.


                             Almir Sater como ator da novela Bicho do mato, exibida em 2006

“Nunca pensei em gravar Chalana”, revela Almir. O diretor Jayme Monjardim, que precisava da canção para a trilha da novela Pantanal, não conseguia achar o disco. Perguntou-lhe se conhecia a canção. “Disse que sim. Entramos no estúdio num sábado de manhã, gravamos com violão emprestado e ficou lindo. Foi uma lição. Sem ambição, as coisas acontecem. Ambição demais derruba o momento”, afirma o cantor e compositor.

“Faço música popular brasileira, para público de 5 a 95 anos, que pode ser tocada, sem que eu passe vergonha, em salas sofisticadas de São Paulo e em praças públicas de pequenas cidades de Minas. Isto é MPB: música que emociona todo mundo”, afirma Almir. Referência para ele foi o cancioneiro paraguaio. “Nasci em Campo Grande. Quando jovem, ouvia harpa e acordeom. A guarânia está em minha música de forma não explícita”, informa. Ele também curtiu o pop rock dos anos 1960/1970: Beatles, John Mayal, Jehtro Tull, Bob Dylan, Crosby, Still & Young – “todos bons cantores, instrumentistas e compositores”.

Hoje à noite, Almir chega a Belo Horizonte com banda formada por Toninho Porto (baixo), Papete (percussão), Marcelus Anderson (acordeom), Carlão de Souza (violão de 12 cordas e vocais), Cristiano Kotlinsky (violão clássico), Rodrigo Sater (violão e vocais) e Gisele Santos (vocais). “É grupo meio familiar”, brinca Almir, registrando a presença de dois irmãos no grupo.

Dos palcos para a TV
Almir Sater gravou 10 discos – a estreia foi com Estradeiro, de 1981. “Tive sorte”, resume. Com facilidade para tocar, compor não era difícil para ele. Deixar o curso de direito para trás nem foi problema, pois a perspectiva oferecida pela arte era mais sólida.
“Antigamente, as gravadoras iam atrás dos artistas e gostavam de descobrir coisas. Isso acabou. Então, só de uma pessoa querer entrar em universo difícil já merece o meu respeito. Se tiver talento, deve insistir. Quando comecei, jovem e apressado, Lourival dos Santos, parceiro do Tião Carreiro, me disse: ‘Madeira que cresce rápido só serve para lenha ou andaime. Madeira de lei demora a crescer, mas ninguém quebra”.
Amir fez sucesso como galã na TV. Participou das novelas Pantanal, A história de Ana Raio e Zé Trovão (reprisada até segunda-feira pelo SBT/Alterosa), Bicho do mato e O rei do gado, entre outras. Não pensa em escrever livros ou biografia, mas revela: o cinema o seduz.

TURNÊ MINEIRA

• Amanhã, Almir Sater se apresenta em Sete Lagoas, a partir das 23h. Estação Brasil (Rua Pedra Grande, 2543, Santo Antônio)

• Sábado, o músico estará em Januária. Vai cantar às 23h, no Sesc Laces, Avenida Aeroporto, 250, Aeroporto.

GRANDES SUCESSOS – ALMIR SATER
Hoje, às 21h. Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada).

fonte:http://www.divirtase.uai.com.br/html/sessao_19/2011/04/07/ficha_musica/id_sessao=19&id_noticia=37155/ficha_musica.shtml