sexta-feira, novembro 20, 2009

20/11 SALVE MEUS IRMÃOS AFRO E NEGROS






O que é consciência negra?
Está na moda falar em consciência negra, para bem ou para mal, todos já ouviram falar nesse tema. No entanto, será que todos têm noção de seu significado e importância?
Que o Brasil foi escravista, todos estão cansados de saber; que o negro sofreu, foi humilhado e obrigado a negar sua identidade; incentivado a ter vergonha de si próprio, de sua história, de seu presente… Isso todos já sabemos, ou pelo menos deveríamos saber. O processo de escravidão foi vergonhoso e deixa marcas até hoje, pois mesmo depois da abolição o racismo permaneceu detonando nossas condições de vida, fechando portas, nos exterminando. O racismo no Brasil é tão forte, que está disfarçado em coisas que a gente nem imagina: na política, na cultura, na religião, no nosso dia a dia.Uma dica é que o racismo, não é só quando alguém me xinga ou me olha com desconfiança (e olha que isso acontece frequentemente), mas é principalmente o fato de os negros terem menos acesso ao ensino, a moradia digna, saúde, trabalho, renda etc – em todos esses gráficos nós estamos em desvantagem… Alguma coisa tem que ser feita. Mas quem vai fazer? Será que quem tem o poder vai abrir mão de seu privilégio? O Racismo foi importantíssimo para construir o capitalismo (esse sistema que a gente vive). Toda a riqueza dos Estados Unidos e Europa são fruto da escravidão e colonização dos paises africanos, asiáticos e americanos. O sangue de nossos ancestrais garantiu a qualidade nos países de 1º mundo. Exterminaram os indígenas, milhões de africanos morriam na travessia do atlântico; Os povos “não brancos” foram roubados em suas riquezas materiais, intelectuais; culturais etc…
Aonde vai esse filme? Em toda historia da humanidade  onde teve opressão, teve resistência. E ela ocorreu, desde o primeiro momento: Na África ou no Brasil, nos Estados Unidos ou na Índia… Sempre teve resistência; luta. No Brasil se formaram quilombos; na África, guerrilhas das mais variadas, no Haiti Revolução. É lindo conhecer a historia do Haiti e como aqueles bravos guerreiros deram fim às escravidões, enfrentaram heroicamente a Napoleão. O foda é que pagam até hoje o preço de sua liberdade.
O que consciência negra tem a ver com tudo isso?
Árvore sem raiz não para em pé! Paras as elites se manterem no poder, não adianta apenas reprimir, é necessário fazer o dominado acreditar que é inferior e que não tem outro jeito: “É assim mesmo, sempre foi e sempre será”, “Deus quis que fosse assim”. As elites racistas tentaram de tudo para manter-se no poder. Usaram a religião, a ciência, a moral, a estética, a cultura… cada um desses pontos dá um livro. O fato é que se o oprimido tem autoestima ele luta. O nome “consciência negra” foi forjado na luta contra o colonialismo e o racismo como uma resposta a essa questão. Pois não tem luta sem autoestima, sem amor próprio, sem conhecermos nossa historia e nos orgulharmos dela… por outro lado, não basta só ter orgulho e não lutar. Então as duas coisas devem estar juntas: Orgulho e luta.

Foi pensando nisso que o movimento negro brasileiro lutou para que o dia da consciência negra fosse no 20 de novembro (data que lembra de Zumbi e do quilombo dos palmares) e não do 13 de maio (data da falsa abolição). A consciência Negra é algo que temos que ter o ano todo. Devemos conhecer a historia de nosso povo, conhecer, valorizar e dar continuidade em nossa tradição cultural (presente na capoeira, candomblé, congadas, maracatu e muita vezes nos ditados de nossos avós, em nosso jeito de fazer as coisas), mas ao mesmo tempo buscar sempre ns organizar e lutar contra o racismo e seus impactos em nossa vida. A luta sem identidade é vazia… A identidade sem luta é mentirosa.
Autoria: Deivison Nkosi – Grupo Amandla
Kao Cabecile(Seja bem vindo a sua majestade)
Salve a cultura africana, Salve meus irmãos indígenas.
Salve Oxalá e Tupã do oiaporque ao chuí...

Pode-se juntar à superioridade técnica e de cultura dos negros sua predisposição como que biológica e psíquica para a vida nos trópicos. Sua maior fertilidade nas regiões quentes. Seu gosto pelo sol. Sua energia sempre fresca e nova quando em contato com a floresta tropical."
Trechode Casa Grande e Senzala. Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós. Ela nos deu, ainda a rede em que se embalaria o sono ou a volúpia do brasileiro."Trecho de Casa-Grande & Senzala.
Não foi só de alegria a vida dos negros escravos dos ioiôs e das iaiás brancas. Houve os que se suicidaram comendo terra, enforcando-se, envenenando-se com ervas e potagens dos mandingueiros. O banzo deu cabo de muitos. O banzo - a saudade da África. Houve os que de tão banzeiros ficaram lesos, idiotas. Não morreram, mas ficaram penando."Trecho de Casa-Grande & Senzala.

O problema é que a abolição da escravatura, embora tenha sido fato notável na história da formação brasileira, foi muito incompleta." Com a abolição, os problemas do negro estariam apenas começando. Mas quem se interessou por isso? Ninguém se interessou. O negro livre deixou as fazendas e os engenhos e foi inchar as periferias das cidades. Abandonado, constituiu-se num sub-brasileiro."Todo mundo... não quer se encontrar com os pretos, não quer, só quer se ligar aos brancos. Mas isso naquela época a Princesa Isabel libertou! Cabou-se, né! esse negócio de não querer se encontrar com o negro. Porque tristes dos brancos se não fosse o sangue do negro."Maria Madalena Correia, cantora (Ilha de Itamaracá, PE).
Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro." Mestre Gilberto Freyre...
Em 1933, após exaustiva pesquisa em arquivos nacionais e estrangeiros, Gilberto Freyre publica Casa-Grande e Senzala, um livro que revoluciona os estudos no Brasil, tanto pela novidade dos conceitos quanto pela qualidade literária. Gilberto Freyre foi buscar nos diários dos senhores de engenho e na vida pessoal de seus próprios antepassados a história do homem brasileiro. As plantações de cana em Pernambuco eram o cenário das relações íntimas e do cruzamento das três raças: índios, africanos e portugueses. Em Casa Grande e Senzala, o escritor exprime claramente o seu pensamento. Ele diz: "O que houve no Brasil foi a degradação das raças atrasadas pelo domínio da adiantada". Os índios foram submetidos ao cativeiro e à prostituição. A relação entre brancos e mulheres de cor foi a de vencedores e vencidos.Gilberto Freyre (15/03/1900-18/07/1987)
Natural:Recife - PE .Escritor e Sociólogo. Autor de Casa Grande e Senzala.
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Pitaco: Deivison Nkosi e Gilberto Freyre, eles tem toda a razão, sobre o pré conceito velado que existe dentro de todos nós de alguma forma. Quando criança sempre ouvia por parte da minha familia paterna, frases racistas: "só podia ser negro""a cor é negra, mas até que o coração é de branco ". Mas, eu sempre quis e li mais, e pensava comigo mesma, mas como pode haver essa separação se amamos a Deus? Se ele nos quer pelo coração e não pelo tom de pele, minha melhor amiga é uma negra e linda Inez, Ops mas isso também não é um racismo, ao definir a cor da pele?.. pasmem.. nossa amizade dura até Hoje, persiste, resiste, apesar da distância e dos rumos que nossas vidas tomaram. No meu primeiro emprego, lembro bem, aos 14 anos, entre 70 colaboradores num escritório de contabilidade, eu bati o olho e intuitivamente a voz me disse:"Ela será sua melhor amiga". e assim se profetizou !!!!!!!!nem as diferenças, eu Senna e ela,Prost , risos...pesariam nesta amizade:
Sabem aquela pessoa, que está junto na dor, na alegria, nas contrariedades, estava há 5 anos sem vê-la, e quando a revi foi como se o tempo nunca tivesse passado. Pedi um favor para ela, para comprar um ingresso para o show no Sesc do Almir Sater, eu ia chegar atrasada, devido a minha convenção, e lá estava ela de ingresso nas mãos, levando para mim, às 2:00 horas da madrugada, foi este o horário que bateu, pois ela também iria viajar no dia seguinte.

Quando alguém sarcasticamente, se referia a ela pela cor, eu trazia a resposta na ponta da língua: E se Deus se apresentar negro para você, será que você vai ter tempo de mudar de opinião ?? Eu não escolhi minha minha melhor amiga que é, foi e sempre será a Inez, pelo tom de pele, mas sim pelo seu caráter, lealdade, dignidade e honradez.
Sei que ela não vai ler isto, porque não faz parte da comunidade e nem é fã do Almir Sater ,
mas quisera eu ter tido a sorte e a oportunidade de ter conhecido, durante os anos seguintes, tantas outras negras Inez, minha vida não teria sido em alguns momentos, um mar de discórdia, disputa, inveja, intriga, de armadilhas e ardilosas, sem dúvida. Com certeza eu teria aquela que sempre ten uma palavra certa e nas horas incertas pra me oferecer !!!!
PAZ E BEM !

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