sexta-feira, fevereiro 07, 2014

CONTO: A Barda e o Reino do Rei.

                                            Foi assim que ouvi dizer...por uma contadora de histórias...
Havia um Reino que tinha sido muito próspero, que vivia um período de marasmo, mas ainda assim possuía um imponente Rei, com toque de Midas, e era cercado por súditos, que o amavam, e a idolatrá-lo mais ainda, quando uma Barda, contadora de histórias, encantado por sua ideologia, aonde ia contava os feitos dele, humanizando ainda mais a sua imagem. O Reino que já era próspero, mas escondido, começou a se expandir ainda mais....


De longe vinham, outros reis, príncipes, condes, duques, ladys, damas, aldeões, montanhesas e até cortesãs, visitarem o castelo e travar negócios com as mercadorias do Rei. Era sabido, que a riqueza do reino transbordava, mas o Rei permaneceu ainda mais simples e bom, alegre pelos êxitos, os recebia, como se fossem dos seus, até mesmo em agradecimento aos poemas da Barda.
Que os influenciavam e por sua vez, crescia aos olhos do Rei, dos seus conselheiros, amigos, parentes e de muitos súditos, que segundo eles próprios, eram descritos com Magnitude e que causavam admiração, pelas novas artes e criativas.


Porém, a paz estava ameaçada, por meia dúzia de supostas montanhesas, que enciumadas, começaram a achar que a Barda, gozava de mais influência, até como a favorita do rei. E a elas não interessavam, o que a Barda fazia para enaltecer o Reino e o Rei, tampouco que isso o tornava mais próspero, mas sim em ganhar a atenção total do Rei. A elas, já não bastava serem colocadas perto da poltrona do rei, desfrutar do mesmo ambiente e por sua companhia. 

Então, se uniram e traçaram um plano, de sabotar a barda e suas histórias a respeito do rei, e começaram elas mesmas a criar as histórias sobre ele e assim seriam, as novas favoritas do Rei.

Só não contavam que o rei era astuto e inteligente. Não era de seu princípio, ser adulado e bajulado, isso já havia de sobra nos palácios e por parte dos bufões que viviam na Corte,
Muito menos dos favores oferecidos, pois não era do interesse, cortesãs no palácio, vistas como uma fealdade, por parte do rei, que até então nutria respeito e gratidão por todas as montanhesas e aldeãs.




E assim, pouco a pouco a teia conspiratória foi dissolvida, porque todas tinham a mesma pretensão e óbvio, brigaram entre elas mesmas. Algumas delas demonstraram bom senso depois e arrependidas, pelo sim e pelo não, se desculparam com a Barda, que aceitou a trégua e as perdoou, mas não para reatar laços, a confiança e admiração foram por ralo abaixo. Nesse novo tempo de reinado, desde então, neutras e indiferentes permaneceram e ignoravam tudo e qualquer espetáculo, que a Barda contava sobre o rei e o seu palácio.


Tudo parecia caminhar para um bom desfecho, até que a barda teve que enfrentar outro tipo de boicote, dos conselheiros do rei, inseguros com as histórias da Barda, que cada vez mais alegravam o Rei, seus amigos, parceiros e atraiam ainda mais negociadores e visitantes ao palácio..
A barda embora parecesse ingênua para os conselheiros, que em muitas reuniões a tripudiavam, e eram os favoritos do rei, compreendeu que não conseguiria vencer ardis armadilhas,  tinha como armas sua inteligência, complacência e paciência, “com o tempo, entenderiam” que não era ameaça para nenhum cargo, ao contrário, agregava valor ao reino e a eles próprios.

 

Afinal, aprendeu durante suas vivências espirituais, que a compreensão e empatia, podem mudar o comportamento destrutivo das pessoas, através da lealdade e do altruísmo, uma pessoa amarga e desconfiada, poderia se sentir segura. Mas, de nada adiantou, a barda era ignorada e muitos vezes rechaçada, por prestar favores como obrigação e sem moedas.
Finalmente, num rompante, a barda caiu em si, e com ela toda a doçura e a humildade caíram por terra, e se rebelou em alto e bom tom, o quanto achava infame as atitudes dos conselheiros, que se beneficiavam com suas histórias, poemas, obtinham lucros, e, no entanto, não demonstram o menor respeito e consideração a tratavam como uma bastarda.



A Barda, cansada da "rede de intrigas", ciúme e disputas vã e em respeito ao Rei, fechou seu livro de contos, levando consigo a admiração que sentia e foi em busca de outro reino, menos afetado, menos adornado, sem parvoíces, para criar novas  lendas e construir uma nova história, com sua dignidade intacta.

Não demorou, para aguçar a curiosidade das montanhesas, e uma delas, até então indiferente à barda, numa suposta inocência, sob o véu da hipocrisia, pedir explicações pela ausência das histórias e espetáculos, contadas, para enaltecer a corte e o Rei. Histórias estas, da qual durante anos atrás, elas mesmas tentaram a todo custo, da forma mais vil, infame e mesquinha destruir, sem motivo de causa. Isso é ou não é uma falácia¿...
E quem quiser que conte outra história para vocês.