sábado, 23 de novembro de 2013

MARKETING: Simplifique! Tornar o complicado simples exige criatividade, e pode vender mais.


Por Adriana Noviski*
Baseado no texto de Irene Etzkorn* “How To Improve Any Service By Simplifying It”
“Tornar o simples complicado é lugar-comum, tornar o complicado simples, isso é criatividade.” – Charles Mingus.

Pode parecer absurdo, mas em um ambiente de negócios que normalmente sempre tudo tem que ser mais e mais, as pessoas estão  optando por “menos”, respondendo bem a produtos com características mais simples e, alimentos com menos ingredientes. 
Vamos ver alguns exemplos deste fenômeno… A fabricante de sorvete Häagen-Dazs observou pela primeira vez esta tendência há alguns anos atrás, quando o gerente de marketing, na época, identificou nos EUA consumidores que expressaram uma clara preferência por produtos alimentícios com menos ingredientes. Então, concluíram: Por que não fazer sorvete usando essa preferência pelo “menos”? O resultado foi uma nova linha de sorvetes chamados de Five (ou Cinco, em português) – com cinco ingredientes – leite, creme, açúcar, ovos e baunilha. Foi um sucesso imediato com os consumidores.

Talvez as coisas realmente não tenham que ser tão complicadas
Na verdade, não é só ser criativo, é preciso também uma atitude oportunista, sensibilidade para saber o que o consumidor deseja, e vontade de abandonar práticas e abordagens usuais.  Encontrar uma maneira de tornar tudo mais simples. Uma nova forma de pensar que permita visualizar e buscar novas possibilidades que podem levar a grandes avanços.
O conceito de simplicidade é uma forma de inovar para levar uma melhor experiência aos clientes (ou dos pacientes, dos cidadãos). E qual é uma das melhores maneiras de melhorar qualquer experiência? Remover as complicações, as camadas desnecessárias, aborrecimentos, ou distrações, enquanto se concentra na essência do que as pessoas querem e precisam em uma determinada situação. Seja visitando um site, manuseando um produto,  encomendando um jantar, ou escolhendo um sorvete.
Desbravar novos caminhos via simplicidade não é tão simples, é claro. Parte do que torna difícil essa tarefa é que dentro de quase toda a indústria ou categoria de produto, a complexidade foi construída ao longo do tempo – e, gradualmente, passa a ser aceito como uma parte inevitável nos negócios.
Vejamos o caso da companhia aérea Southwest Airlines. Quatro décadas atrás, ela queria entrar no mercado de aviação, que era lotado, caótico e complexo, já naquela época. Na época ela foi a primeira companhia aérea a simplificar. Em vez de ter a sua frota equipada com vários tipos de aviões, optou por um único tipo de avião, o Boeing 737.
E, enquanto outras companhias aéreas tinham se acostumado a um sistema de atender várias regiões, a Southwest fez a corajosa decisão de se concentrar em vôos diretos e sem escalas. Nestes voos, eles também mudaram o serviço oferecido, em vez de refeições completas serviam lanches. Esta simplificação do modelo de negócio, criou enorme eficiência para a companhia poupar dinheiro em manutenção de avião, alimentação e custos de limpeza, além de assegurar que os seus aviões passassem mais tempo no ar, e menos no chão. Ela “maximizou os ativos produtivos” e usou as economias de custos, para oferecer tarifas mais baixas aos passageiros.
Os resultados da Southwest foi uma das poucas companhias aéreas consistentemente rentáveis ao longo das últimas três décadas.

Quanto mais complicado um determinado produto ou serviço pode ser, mais oportunidades existem para a simplificação. 

Hoje, está claro que a maioria das pessoas está procurando maneiras de simplificar suas vidas. Parte disso, é sem dúvida, uma reação a um mundo que está cada vez mais acelerado, hiper conectado, e sobrecarregado com informações, escolhas e distrações.

De acordo com uma pesquisa recente da empresa de pesquisa Outlaw Consulting, realizada com os consumidores americanos da geração Y (aqueles com idade entre 21-27), concluiu-se que estes jovens respondem muito positivamente às marcas que se comunicam de uma forma simples e despojada. Seja em suas embalagens mais simples, ou, simplesmente evitando o excesso.
Os entrevistados citaram uma série de empresas como modelos admiráveis de simplicidade, incluindo a Apple, Trader Joe, JetBlue, e In-N-Out Burger, este último, conhecido por seu limitado “menu hambúrguer sem frescuras”. Uma das qualidades citadas pelos entrevistados foi associar a simplicidade com a autenticidade, ou seja, fazer as coisas simples, equivale a mantê-las verdadeiras.
Conclusão? A simplicidade pode vender mais, sim!

Por: Adriana Noviski*
*Irene Etzkorn é uma autoridade mundial na construção da simplicidade em branding estratégico, e autora do livro “SIMPLE: CONQUERING THE CRISIS OF COMPLEXITY”