quinta-feira, novembro 28, 2013

A ALEGRIA DO URUBU

Viajando certa vez pelo interior de Minas Gerais, na zona da mata, vi uma cena que nunca mais esqueci.
De longe, vimos uma quantidade enorme de urubus no meio da estrada. Estavam bem ocupados com um animal atropelado que ficou no meio da pista. Fiquei impressionado com a cena: eles estavam tão concentrados com a carniça que não se importavam conosco. 



Daí por diante essa cena não saiu mais da minha mente e se tornou uma boa ilustração para um tipo de pessoa que se alegra com os mortos. Não propriamente os que morreram fisicamente, mas sim os que morreram emocionalmente ou espiritualmente. Gente que, no meio da estrada da vida, se feriu, adoeceu e morreu nas expectativas, esperança, fé ou mesmo razão para viver. Nessa hora, aparecem os urubus que se alegram em devorar o que restou... 


E, ainda que estejam em um ambiente cristão, ouçam a Palavra, cantem hinos sobre comunhão e estudem sobre temas de relacionamento, continuam devorando os mortos com tanta satisfação que nem se importam com as advertências divinas sobre ajudar, amar, ter paciência, misericórdia, compaixão, partilhar a dor e outros.
Como na estrada de Minas Gerais, encontramos pessoas atropeladas pelas lutas e tristezas da vida e outras que se alegram com essa situação. Que triste! Pior quando um líder, seja na igreja ou fora dela, partilha dessa alegria pelos que estão caídos. Sua atitude acaba motivando outros e, em um ambiente de trabalho, familiar, na igreja ou em outro ambiente qualquer, se forma um bando de urubus, que se distraem com a morte de pessoas.


Pesquisei um pouco sobre urubus e descobri coisas curiosas, dentre elas, que o cheiro da carniça entorpece o urubu de forma que ele entra em um estado de concentração profunda até que o animal morto seja plenamente devorado. Não são poucos os casos de urubus que foram abatidos porque simplesmente não perceberam a aproximação de alguém. Essa é também a explicação para o fato de os urubus saírem voando sem orientação quando terminam de devorar sua presa. Imagine que coisa: ficar entorpecido com a morte do outro a ponto de colocar em perigo a sua própria vida. 


Há pessoas que correm o mesmo risco. Alegres ou envolvidas demais com a morte de alguém, colocam em perigo sua própria vida. Correm o perigo de cultivar maledicência entre irmãos, de se tornarem pessoas malquistas no grupo, tudo porque estão muito animadas com a morte de alguém. Por outro lado, aquele que está semimorto, mas já com cara de morto, que foi ao chão depois de uma crise ou desistiu de lutar, perde qualquer rastro de esperança quando os urubus chegam. E ao vê-los alegres, muitos destes simplesmente, desistem de lutar pela vida. 


Quem está morto em suas esperanças, alegria ou motivação para viver precisa de uma injeção de vigor através de alguém que leve esperança nova, se apresente como um incentivador e amigo.
Não podemos ser como os urubus que celebram a morte de alguém. Longe de nós uma atitude de alegria com a dor e o desespero dos outros. 


Que pelas estradas da existência humana sejamos os porta-vozes da vida, espantando os urubus e promovendo a paz!
Trechos do Texto de Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez
Pastor Titular da Igreja Batista Bete.

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