sexta-feira, 14 de setembro de 2012

UM POVO EDUCADO NÃO PODE SER DOMINADO


Luciene Amaral da Silva A educação é o maior mecanismo de formação e transformação de consciência que a humanidade já criou. Mas, é o que estão fazendo dela, ou seja, como estão utilizando-a, com quais propostas e objetivos que preocupa não apenas os educadores e cientistas, mas a sociedade em geral.

Platão, grande filósofo grego que viveu entre os anos 427/28 a 348/47 a. C., ao apresentar a metáfora do “Mito da Caverna”, descreve a situação geral em que se encontrava a humanidade. De acordo com ele, o homem está condenado a ver sombras na sua frente e tomar como verdade. Mas ao apresentar um meio do homem se libertar dos grilhões, aponta o conhecimento e a sabedoria como o caminho para essa liberdade.

Aplicando essa metáfora hoje, percebemos que a educação seria ou é o instrumento responsável para levar a humanidade a sair da caverna onde as verdades impostas por um grupo hegemônico não prevaleçam como verdades absolutas para a sociedade.

Mas, o caminho da sabedoria e do conhecimento é árduo porque hoje não pertence a todos. Quando a Constituição Federal assegura que a educação é um direito de todos e dever do Estado, não foi assegurado qualidade e eficiência cujo objetivo seria garantir ao cidadão meios contra qualquer forma de dominação. Presenciamos uma educação que está tentando alfabetizar seus alunos e formá-los apenas com o mínimo de conhecimento para poder trabalhar (escravizar) numa economia capitalista que cada vez mais enriquece um grupo pequeno a custo da exploração de uma massa.

Uma educação de qualidade com uma visão do sujeito como construtor de uma história individual e coletiva, geraria uma dimensão humanística e fortalecida para que não fosse vítima de falsas verdades, ou necessitasse acreditar em falsas verdades como meio de sobrevivência, portanto, um povo educado, não pode ser dominado, mas interessa a quem esse povo ser tão esclarecido a ponto de não se deixar enganar?

Quem quer ver um povo dono da sua própria trajetória, fazendo parte do sistema econômico, não como mero consumidor, modificando os sistemas de governo, participando de construção de orçamentos e colaborando em gestões administrativas que contemplasse a justiça e a igualdade? A ganância e o individualismo de quem representa o povo, não trazem consigo a essência desse mesmo povo.

Sendo assim, a trajetória para se chegar a uma educação libertadora passa pela atuação de profissionais competentes, com formação adequada, remuneração digna, estruturas adequadas, inclusão de todos e gerenciamento participativo, onde possa instrumentalizar os sujeitos a ponto de levá-los a dimensão de protagonistas da sua história, questionando, descobrindo e mudando.

Sobre a autora

Luciene Amaral da Silva, sou natural da cidade de Paulo Afonso, Bahia e vive toda a minha vida em uma cidade chamada Senador Rui Palmeira, sertão de Alagoas. Sou filha de Ivonete e Cícero, no qual me orgulho muito e sempre serei grata a eles. Tenho três irmãos que tanto amo, sou casada e resido em Santana do Ipanema.

Na educação, onde tenho desde a minha formação inicial que é Pedagogia e as demais especializações, tive a oportunidade de ter passado por vários espaços educacionais. Na função de professora tive experiência na cidade de Senador Rui Palmeira com crianças na Educação Infantil, também alguns anos no 2º ano do Ensino Fundamental, trabalhei com alunos do 6º ao 9º ano com as disciplinas de História, Geografia, Ciências, Química, Física, Artes, Ensino Religioso, Cidadania. Trabalhei como alfabetizadora de Jovens e Adultos na zona rural e também com a 4ª, 5ª e 6ª etapa com o ensino da Língua Portuguesa na zona urbana. Na área de coordenação pedagógica, coordenei espaço do Ensino Religioso durante um ano na secretaria municipal de Senador Rui Palmeira, coordenei por um ano os professores da Escola Estadual de Riacho Grande. Participei do projeto de alfabetização de adultos como coordenadora da ONG Visão Mundial. Também fui alfabetizadora do Programa Alfabetização Solidária. Tive a oportunidade de estar na tutoria de um curso Superior à distância da Universidade Luterana do Brasil- ULBRA, onde pude modificar a visão que tinha sobre o ensino à distância. Atualmente sou professora do Curso Normal médio na Escola Estadual Aloísio Ernande Brandão e atuo na formação de professores.

Gosto do que faço. A educação tanto transformou a minha vida, quanto me possibilitou a transformação da vida dos alunos com os quais trabalho.

Acredito que através da educação a sociedade poderá voltar a se respeitar e a promover a convivência pacifica entre os povos. Um povo educado é um povo livre.
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