sábado, 14 de abril de 2012

Almir Sater concede entrevista ao RBV News


Durante show do 1%, Almir Sater concede entrevista ao RBV News

Por  RBVNews: 

Almir Sater emocionou a platéia durante show do Movimento 1% para a Cultura (Foto: Aurélio Vinícius) Almir Sater emocionou a platéia durante show do Movimento 1% para a Cultura (Foto: Aurélio Vinícius)
Ele é um dos nomes mais consagrados da Música Popular Brasileira (MPB) e através do seu trabalho vem levando há décadas o nome do Mato Grosso do Sul ao resto do país. Para ele, música boa não é só aquela que faz sucessos momentâneos e apenas o que é arte fica para sempre.

Com o mesmo show há 30 anos, Almir Eduardo Melke Sater não se importa em repetir canções, pois em cada apresentação sente uma emoção diferente. 

Durante o Show “Movimento 1% para a Cultura” que ocorreu nesta quarta-feira (11) na Praça do Rádio em campo Grande, Almir Sater subiu ao palco sem cobrar cachê e emocionou uma plateia com mais de seis mil pessoas que de graça assistiram o famoso ídolo dividir espaço com outros grandes nomes como Tetê e Geraldo Espíndola.

Neste dia, em entrevista ao Portal RBV News, Almir contou um pouco de sua trajetória e opinou sobre as atitudes políticas e as novas articulações que vem surgindo a cada dia reforçando a cena cultural da Capital. Sobre as conquistas de verbas públicas destinadas a cultura, o cantor reforça: É só um começo, mas ainda não é o suficiente.
Confira a entrevista:
RBV NEWS - Almir, o que você pensa sobre o movimento chamado de sertanejo universitário, você considera esse estilo música sertaneja de verdade, vê qualidade nesses novos produtos lançados na mídia?
Almir Sater - Bom, eles chamam de sertanejo, mas pra mim é música popular mesmo, outro estilo, mais românticas, tanto faz se é sertanejo universitário, primário, isso não importa. Se tiver arte e conteúdo, tem vida longa, o que não tiver arte, cumpre seu momento ali, faz um barulho, até emociona um pouco, mas o que é arte fica para sempre.

RBV - Luan Santana e Michel Teló seriam alguns deles?
AS - Acho que esses meninos estão no momento deles, Luan Santana, o Teló, tem pessoas que se emocionam ouvindo o som deles, então quem somos nós pra julgar o que é bom ou o que é ruim? Acho que é o tempo que vai dizer isso.

(Foto: Debora Bah)

RBV - E os nossos bons compositores regionais, porque o resto do mundo, digamos assim, não chega a conhecê-los?
AS - O que sei é que Mato Grosso do Sul tem grandes compositores, o Geraldo Espíndola é um dos maiores compositores que eu conheci na minha vida, Paulo Simões, Geraldo Rocca, são pessoas diferenciadas, e se o mundo não conhece esses nomes, é porque o mundo é meio besta (risos).

RBV - Almir, é verdade que você faz o mesmo show desde o início de sua carreira? Não enjoa de cantar as mesmas músicas sempre?
AS - É verdade sim, o mesmo há 30 anos, se você escutar de novo vai ouvir o mesmo som de todos os jeitos. Eu não tenho talento pra poder mudar um show, tem canções que ficam e que as pessoas ainda pedem pra eu cantar. Mas a emoção é diferente, por isso não enjoa, eu posso fazer a mesma canção no mesmo local, mas a emoção do show de hoje será diferente da de amanhã.

RBV - Você continua compondo, tem algum trabalho novo surgindo?
AS - Continuo sim, são as minhas músicas, música e letra. Eu comecei a gravar um CD com o Renato Teixeira, mas nós temos nos encontrado muito pouco por causa dos compromissos dele mesmo, tem um prazo de oito anos pra gente acabar com isso, estamos só no primeiro, um ano e meio.

(Foto: Aurélio Vinícius)

RBV - E essa questão do 1% para a cultura, como encara isso?
AS - É um bom começo, mas acho muito pouco ainda pra um Estado que tem tantos artistas, que quer se tornar um pólo turístico. Você não vai se tornar um pólo turístico só com imagens, só com por do Sol, bichinhos, tem que ter a arte, tem que ter cultura.
Um cara vem pra conhecer o Mato Grosso do Sul, vai pra Bonito, desce em Campo Grande, o que ele faz em Campo Grande? Não temos nada a oferecer, então acho que a gente tem que ser um pouco mais ambicioso. Tem que copiar os baianos, usar e mostrar um pouco mais dos seus artistas.

No final do show, Almir chamou todos os artistas presentes para subir ao palco (Foto: Aurélio Vinícius)

Entrevista por Alexander Onça RBV News