domingo, 28 de agosto de 2011

REMOÇADO - Entrevista Almir Sater

por Marina Vaz
25.agosto.2011 19:07:19
O repertório, como ele mesmo diz, é o mesmo há ‘200 anos’. Nunca muda e sempre funciona.
Almir Sater ainda emociona o público como se fosse uma estreia

O violeiro em seu refúgio, na Serra da Cantareira























Difícil ver plateia mais afinada que a de Almir Sater. E mais educada. E calma. Talvez seja o som da viola, que contagia as pessoas, ele especula. Ou talvez porque o público seja mesmo um reflexo do artista. O sul-mato-grossense que largou o curso de Direito para ser violeiro pode ter mudado muito ao longo de seus 55 anos incompletos. Mas mantém a serenidade de tocar o que gosta. Sem pressão. Sem pressa. E só quem nunca assistiu a um de seus shows poderia achar isso ruim.

Você já se auto denominou um roqueiro e, não, um sertanejo. Por quê? Desde criança sempre escutei rock – Beatles, Pink Floyd, Rolling Stones. Também gosto do folk e de manifestações folclóricas andinas, do som do charango, instrumento de dez cordas que antigamente era feito a partir do casco do tatu. Meu lado roqueiro é pela minha geração. Se for para me chamar de sertanejo, então, sou roqueiro.

E o que há de mais pantaneiro em sua música? 
O que mais influencia a música do Mato Grosso do Sul é a música da fronteira com o Paraguai, as polcas, os ‘chamamentos’. Eu saía na noite de Campo Grande com a família e o som ao vivo que tinha lá era música paraguaia. Isso influenciou meu trabalho. É só escutar o ‘Trem do Pantanal’ – é uma guarânia (gênero musical paraguaio). Com nosso estilo, até com certa pegada de blues, mas uma guarânia.

A viola caipira que usará em São Paulo é aquela mesma que você usa desde 1979? É a mesma, a minha grande viola. No palco, tenho usado três violas e um violão. Minha afeição é pelo som. E essa viola é insuperável, pelo menos para o meu gosto. Tanto que eu estou começando a ‘cloná-la’; estou fazendo umas violas na mesma medida, para ver se eu consigo achar esse som em alguma outra. Ainda não consegui, mas já cheguei perto, muito perto.

Está preparando algo diferente para este show? É o mesmo show que faço há uns ‘200 anos’. Muda uma cançãozinha, mas é praticamente o mesmo que venho fazendo minha vida toda.

E sente alguma pressão para apresentar repertório novo? Ah, até minha mãe me cobra! Ela diz: ‘Mas você vai tocar essa música de novo?’. E eu digo: ‘Eu vou…’ (risos). A família, os músicos, todos querem que eu mude as músicas do show. Mas vou seguindo assim, com as que eu gosto de tocar. E as coisas têm de ser fáceis; não pode complicar muito. E é assim.

Você já participou de quatro novelas, começando por ‘Pantanal’, na TV Manchete. Fiz essa novela porque o Sérgio Reis ficava me enchendo muito. Ele sempre foi muito generoso. Aí ele falou que eu era preguiçoso, que tinha de pegar meu disco, colocar embaixo do braço e ir para rádio, insistir para tocarem. Eu disse que me constrangia. E então falei: ‘Você quer que eu faça sucesso? Então, me põe aí nessa novela que você vai fazer!’. Depois disso comecei a tocar no Brasil inteiro. Facilitou minha vida.

O que lhe dá mais prazer na vida hoje? Viajar pelo Brasil tocando viola, sentado num ônibus na cadeira da frente, vendo esse imenso cenário brasileiro. E, no fim de novembro, me preparar para passar 90 dias lá nas minhas bandas pantaneiras, com a família – ir tranquilamente lá pro matão, fazer música, receber uns parceiros e comer peixe frito.

Reproduzido direto da fonte: http://blogs.estadao.com.br/divirta-se/remocado/