quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Músicas de Almir Sater como Apoio Pedagógico

25/08/2010

Professor defende MPB como apoio pedagógico
Música Do Brasil.

Umuarama - O professor e mestre, Fernando Barradas, fez da Música Popular Brasileira (MPB), a espinha dorsal da sua carreira. Além de ter um programa de rádio diário "Revistando a MPB", que apresenta na Rádio Universitária e de ser professor de História, ele defende por onde passa a importância de se conhecer o caminho da música brasileira, desde o início até o massacre da indústria cultural. Para ele, os professores podem utilizar a MPB como um instrumento em sala de aula a fim de tornar o conhecimento algo mais completo e interessante, reacendendo a chama do que realmente é aprender a ter cultura.


Barradas navega por toda a trajetória da música do Brasil deste o século XVI até o século XX, quando surgiu o mercado fonográfico. Possui a primeira gravação no país, feita em 1902 e já com 20 anos de pesquisa, tem autoridade para falar do potencial da MPB, transitando com naturalidade desde Vicente Celestino até Rita Lee.

Para o professor, a função da educação é transmitir cultura, entretanto as escolas não estão interessadas nisso porque, primordialmente, as universidades não tocam no assunto e formam professores que não conhecem o potencial da música brasileira. "A função de um professor não seria perguntar para o aluno o que gosta de ouvir, até mesmo porque hoje o que se faz é essencialmente comercial, mas transmitir o legado cultural para eles", explica.


Segundo Barradas, a única maneira de reagir ao triste esquecimento da MPB pela educação brasileira, e consequentemente pela nova geração, é através das universidades do país. "O culpado disso não é a indústria cultural nem o povo por não gostar, mas a universidade brasileira". Ele também frisa o descaso do governo para com a história do país, por não incentivar, por exemplo, que cada rádio execute por dia uma hora de programação de MPB.


A MPB, segundo Barradas, é uma música mais estética e mais contemplativa para a alma, entretanto, se limita aos ouvidos da elite, porque as faculdades se esqueceram da MPB, e consequentemente formam-se professores desinteressados, afetando por fim os estudantes de ensino fundamental e médio. "Não sou contra a música que se toca hoje feita para divertir, até mesmo porque ninguém é de ferro, porém as pessoas precisam de música de qualidade", argumenta.


Para Barradas, se os atuais professores tivessem formação suficiente, até as aulas de geografia poderiam ser ilustradas com música como, por exemplo, ao falar do Pantanal, utilizar das composições de Almir Sater, ou ao lecionar sobre o sertão e o norte do país, utilizar o carimbó. Na disciplina de História então, são centenas e centenas de músicas que ajudam a contar a história do Brasil, assim como professores de filosofia e literatura poderiam fazer análises semânticas, semióticas e literárias de uma canção. "Entretanto, as coisas mais elementares ninguém sabe e o professor quando se arrisca a por uma música com carga cultural para o aluno, não sabe contextualizar e o estudante só irá desprezar algo tão ‘de gente velha e careta'", comenta.

Em síntese, para um professor motivar o aluno, Barradas afirma que é preciso conhecer. "Seriam milhares e milhares de pedagogias musicais através da MPB, até mesmo por ser algo tão barato", finaliza.

O professor dará uma palestra gratuita hoje à noite, a partir das 19h30min, com o tema "MPB e seu contexto histórico". Além da comunidade em geral, estão convidados acadêmicos de Pedagogia, Letras, Magistério, Comunicação e História. A palestra acontecerá no salão de eventos do Serviço Social do Comércio (Sesc) e faz parte do projeto Arte Expressão: Música e Sustentabilidade, que acontece durante toda esta semana.

Para o professor a indústria cultural não tem compromisso com a cultura e a massa escuta apenas músicas para dançar. "Essas músicas são feitas por um capitalismo que objetiva o lucro e o povo não dá audiência [para MPB] por não ter informação técnica de nada".

AULAS ILUSTRADAS COM MÚSICAS


Para Barradas, se os atuais professores tivessem formação suficiente, até as aulas de geografia poderiam ser ilustradas com música como, por exemplo, ao falar do Pantanal, utilizar das composições de Almir Sater, ou ao lecionar sobre o sertão e o norte do país, utilizar o carimbó. Na disciplina de História então, são centenas e centenas de músicas que ajudam a contar a história do Brasil, assim como professores de filosofia e literatura poderiam fazer análises semânticas, semióticas e literárias de uma canção. "Entretanto, as coisas mais elementares ninguém sabe e o professor quando se arrisca a por uma música com carga cultural para o aluno, não sabe contextualizar e o estudante só irá desprezar algo tão ‘de gente velha e careta'", comenta. Em síntese, para um professor motivar o aluno, Barradas afirma que é preciso conhecer. "Seriam milhares e milhares de pedagogias musicais através da MPB, até mesmo por ser algo tão barato", finaliza.

fonte:http://www.ilustrado.com.br/?mod=not&id_not=3775