Loira do bem ∞ : 01/16/08

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Começar 2.008 exercitando a "compaixão"....





....Quando a China resolveu invadir o Tibet,em meados dos anos 50 e culminando com a fuga do Dalai Lama,líder máximo do budismo tibetano,que se encontra exilado em Dharamsala na Índia,desde 1959 até os dias atuais.

Muitos monges budistas foram aprisionados,torturados de forma vil e brutal e num destes depoimentos dados tempos depois,um deles me chamou a atenção,foi quando perguntado para um monge,qual teria sido o pior sofrimento,o monge se limitou a dizer:

- O que me doía naquele momento,não foi a língua levando choques,as unhas arrancadas,ou partes do meu corpo sendo dilaceradas...mas conseguir sentir pelo meu algoz a "compaixão",ou seja,mesmo sendo torturado,massacrado,sentir-se no lugar dele e não odia-lo e emitir sentimentos de compaixão,de resignação por eles.

Falando de forma geral,na tradição budista,compaixão e gentileza amorosa são vistas como dois lados da mesma coisa.Segundo Dalai Lama,diz-se que a compaixão é o desejo empático que aspira a ver o objeto de compaixão,o ser senciente,livre do sofrimento.

A gentileza amorosa é a aspiração que deseja felicidade para os outros. Nesse contexto, amor e compaixão não devem ser confundidos com amor e compaixão em seu sentido convencional. Por exemplo, experimentamos uma sensação de proximidade com os seres que nos são queridos.Temos uma sensação de compaixão e empatia para com eles.

Temos também um forte amor por essas pessoas,mas freqüentemente esse amor e compaixão são baseados em nossas autoreferências:"Esse ou aquele é meu amigo","meu esposo","meu filho",e assim por diante.

O que acontece com esse tipo de amor e compaixão,que pode ser forte,é que eles podem ser tingidos por apego,uma vez que eles envolvem considerações auto referenciadas.

Uma vez que haja apego,há também o potencial para o ódio e a raiva aparecerem.

Apego,raiva e ódio andam de mãos dadas.Por exemplo,se a compaixão de um ser por outro é tingida por apego,ao menor incidente ela pode se transformar em seu oposto emocional.Então,ao invés de desejar que essa pessoa seja feliz,desejamos que ela sinta-se mal.

A verdadeira compaixão e o verdadeiro amor,no contexto do treinamento da mente,são baseados no simples reconhecimento que os outros,como eu,naturalmente aspiram à felicidade e à superação do sofrimento,e que eles,como eu, têm o direito de alcançar essa aspiração básica.

A empatia que você desenvolve por outro ser,baseada no reconhecimento desse fato básico,é a compaixão universal.Não há elementos de preconceito ou discriminação.

Essa compaixão pode ser estendida a todos os seres sencientes,uma vez que eles são capazes de experimentar dor e felicidade.Assim,a característica essencial da verdadeira compaixão é que ela é universal sem discriminação.

Assim,treinar a mente no cultivo da compaixão,na tradição budista,envolve primeiramente cultivar pensamentos de mente tranqüila,estável,ou de equanimidade, para com todos os seres sencientes.

Por exemplo,você pode refletir a respeito de que determinada pessoa possa ser seu amigo,seu parente,e assim por diante,nesta vida,mas essa pessoa pode ter sido,do ponto de vista budista,seu pior inimigo em uma vida passada.

Igualmente,você pode aplicar o mesmo raciocínio a quem considere seu inimigo.

Embora essa pessoa possa apresentar-se negativa com você e ser seu inimigo nesta vida,ele ou ela pode ter sido seu melhor amigo/amiga em outra vida,ou pode ter sido seu parente,e assim por diante.

Refletindo sobre a natureza flutuante dos relacionamentos com os outros,e também sobre o potencial de todos os seres sencientes para serem amigos ou inimigos, você desenvolve essa mente estável,ou equânime.

Que díficil..ter esse auto controle,esse equilíbrio..às vezes dá vontade de chutar o balde e vomitar goela abaixo o que certas pessoas fazem com a gente,de forma dissimuladas.O que budismo chama de "apego" eu vejo como"dualidade,comportamento bipolar".Para o monge,dificil foi sentir a verdadeira compaixão e orar pelos seus algozes,para eu,difícil é viver num mundo surreal e convivendo com pessoas de meias verdades,num faz de conta..


Onde quer que eu vá,com quem quer que eu vá,
Possa eu ver a mim mesmo como menos que os outros,e do fundo de meu coração
Possa eu considerá-los supremamente preciosos.(Dalai Lama).