domingo, 2 de novembro de 2008

Dia de Finados Celebre a vida Celebre o Hoje.





O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas que já partiram.É o Dia do Amor,porque amar é sentir que o outro não morrerá nunca.


Isso me lembra uma parábola de Buda,a Semente de Mostarda é uma bela história budista com um desfecho enternecedor,onde nos mostra,que o sofrimento é inevitável, a dor opcional,como enfatizou Drumond,porque,tudo na vida é impermanente,como Almir Sater e Renato Teixeira musicalizou,"num dia a gente chega e no outro a gente vai embora,e o que nos resta fazer é continuar "tocando em frente"....e que todo o ser que vive,um dia morre,isso é inevitável,mas cabe a cada um de nós,compreender essa verdade extrema,e fazer da vida um aprendizado;


A Semente de Mostarda preta..


Reza a lenda,que Krisha Gotami teve um filho e este morreu.Transida de dor,ia com o filho morto de casa em casa,pedindo um remédio,e as pessoas diziam:

-Está doida:a criança está morta."

Finalmente,Krisha Gotami encontrou um camponês que respondeu sua súplica dizendo:

-Não posso dar um remédio para a criança,porém sei de um médico capaz de o dar.

E Krisha Gotami respondeu:

-Suplico-te que me digas quem é.

-Vai ver o Buda.

Krisha Gotami foi ver o Iluminado e exclamou,chorando:

-Senhor meu e mestre.Meu filho estava brincando entre as flores e tropeçou numa serpente que se enroscou no seu braço.Ficou logo pálido e silencioso.Não posso aceitar que ele deixe de brincar ou que deixe o meu colo.Senhor meu mestre,dá-me um remédio que cure o meu filho.

O Iluminado respondeu:

-Há uma coisa que pode curar teu filho e a ti,se puderes consegui-la,porque os que consultam os médicos tomam o que lhes é receitado.Procura uma simples semente de mostarda preta,porém só deves receber de uma casa onde nunca tenha entrado a morte, onde não tenha ainda morrido pai,mãe,filho nem filha,nem irmão,nem irmã,nem escravo nem parente.

Aflita,Krisha Gotami foi de casa em casa pedindo o grão de mostarda.As pessoas se compadeciam dela e lhe davam,porém,quando ela pergunta se já tinha morrido alguém naquela casa,lhe respondiam:

-Ah!Poucos são os vivos e muitos os mortos.Não despertes nossa dor.

Agradecida,ela lhes devolvia a mostarda e dirigia-se a outros que lhes diziam:

-Aqui está a semente,porém já morreu nosso escravo.

-Aqui está a semente,porém o semeador morreu entre a estação chuvosa e a colheita.

E não encontrou nenhuma casa onde não tivesse morrido alguém.

Krisha Gotami voltou chorosa para o Iluminado dizendo-lhe:

-Ah!Senhor,não pude encontrar mostarda em casa onde não tivesse havido morte.Então, entre as flores silvestres,na margem do rio,deixei meu filho que não queria mamar nem sorrir,e volto para ver teu rosto e beijar teus pés suplicando-te que me digas onde encontrar essa semente,sem deparar ao mesmo tempo com a morte,pois, apesar de tudo não posso crer na morte de meu filho,como todos me disseram e temo tenha acontecido.

O mestre respondeu-lhe:

-Minha irmã,procurando o que não podes encontrar,achaste o amargo bálsamo que eu queria dar-te.

Sobre teu seio,o ser que amas dormiu hoje o sono da morte.Agora já sabes que todo mundo chora uma dor semelhante à tua.

O sofrimento que aflige todos os corações pesa menos do que se concentrado num só. Escuta!Derramaria eu meu sangue se,derramá-lo pudesse deter tuas lágrimas e descobrir o segredo de o amor causar angústia e através de prados floridos conduzir-vos ao sacrifício,qual mudos animais conduzidos por seus donos.

Nenhum nascido pode evitar a morte.Assim como os frutos maduros caem da árvore, assim os mortais estão expostos à morte desde que nascem.

A vida corporal do homem acaba partindo-se como a vasilha de barro do oleiro.

Jovens e adultos,néscios e sábios,todos estão sujeitos à morte.Porém,o sábio que conhece a Lei não se perturba,porque nem pelo pranto nem pelo desânimo obtém a paz, mas pelo contrário,isso tudo aviva as dores e os sofrimentos do corpo.

A morte não faz caso de lamentações.Morre o homem,e seu destino está determinado por suas ações.Embora viva dez ou cem anos,acaba o homem por separar-se de seus parentes ao sair deste mundo.

Quem deseja a paz da alma,deve arrancar de sua ferida a flecha do desgosto,da queixa,da lamentação.Feliz será aquele que consegue vencer a dor.Sepulta tu mesma o teu filho.

Extenuada pela dor,Krisha Gotami sentou-se à beira do caminho,pôs-se a meditar no silêncio do entardecer e disse consigo:"Quão egoísta sou eu em minha dor!A morte é o destino comum de tudo quando vive.Porém, neste vale desolado há um caminho que conduz à imortalidade - aquele que elimina de si todo egoísmo.

E sufocando o amor egoísta que sofria por seu filho,enterrou-o no bosque.E foi logo refugiar-se no Iluminado,e encontrou consolo que alivia o coração dilacerado pela dor.


Segundo,Pe Fabio de Melo,levamos certo tempo,sem entender,sem acreditar.

Leva tempo para acontecer dentro de nós,a gente leva um tempo dizendo‘eu não acredito’.Você fica o tempo todo ruminando aquele acontecimento,porque a vida leva tempo para acontecer dentro de nós.

Nós levamos tempo para organizar o luto,levamos tempo para descobrir que aquela pessoa não faz mais parte da nossa vida mesmo.

E a gente começar a recolher no espaço que era dele e nosso também,as coisas que ficaram.

Você abre uma gaveta,e coisas pequenas,bobas,um bilhetinho,que antes não teria valor nenhum,mas porque ele foi embora,foi revestido por uma sacralidade que dinheiro no mundo que pague aquele bilhete.Ai se alguém fizer uma limpeza nas nossas gavetas e começar jogar fora o que pra nós é sacramental,porque é um jeito que a gente tem de fazer o outro sobreviver.

Há duas formas de vivermos o processo da morte,ou o processo do sofrimento:ou nós nos entregamos a ele, ou nós experimentamos a ressurreição,que pode ser exalada aos poucos.
Não é para ficarmos na morte, mas devemos olhá-la de frente,para que ela não seja maior que nós.

Celebre a vida,celebre a doce lembrança dos seus entes queridos,
Domingo de paz,e serenidade a todos,