segunda-feira, 27 de outubro de 2008

—Quem me roubou de mim? —





Começar a semana com reflexões, e confesso, que me surpreendi, com o livro, do Pe Fábio de Melo, além de ter gravado um novo Cd belo, por sinal,"Vida"

e ter incluido no anterior duas canções belíssimas de Almir Sater,"Razões"e "Viola e Vinho Velho", os assuntos abordados no livro, são feitos de forma sutil e inteligentes, pois o mal de nosso século, ao meu ver, é a falta de comunicabilidade, entendimento e diálogo entre as pessoas. E do quanto, somos mutilados pelas perdas ou magoados por pessoas, que realmente consideramos,

Uma sensação de impotência ou até de apatia toma conta, quando sentimos sem energia, luz no fim do túnel, é preciso saber lidar com essas perdas.

Esse texto, de forma realista e brilhante, nos leva ao viagem interna, onde é preciso,
recuperar esses compartimentos que estão divididos,ou se encontram,com profundas marcas, que doem no fundo da alma. Não é fácil, ver tudo se perder, dói tanto, como diria, musicalizado pelo poeta, mas é preciso, buscar forças e encontrar o elo partido, é preciso ser como fênix, renascer das cinzas, e seguir adiante e fazer da experiência, um aprendizado.

"Nietzsche disse:
"Aquilo que não me mata, só me fortalece", mas nem todos conseguem ser resilientes, passar por cima da dor, ressentimentos, decepções, amarguras, intrigas,

Por isso, que a raposa disse uma sábia palavra ao Pequeno Príncipe, quando este, quis cativá-la com sua amizade e depois, abandoná-la em seguida, para descobrir novos mundos;

"Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativastes".

Isso é sério, qualquer coisa que nos envolvemos, está ligado, direto com nossa energia interna, nossa cristicidade,

Segundo os povos indígenas, o xamanismo acredita que, de um modo geral, um doente é sempre uma vítima que teve a alma roubada ou o corpo envenenado por elementos perturbadores". Realmente, as palavras deste sacerdote, são coerentes e convincentes, e o que me agrada, é que são realistas, nada de dogmas religiosos ou fanatismo, mas o que é bom
tem que ser divulgado e sempre;. Esses são trechos, do livro onde o Pe aborda o sequestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa.


E,perguntam,mas como "Quem me roubou de mim" ??

É muito simples a pergunta do título.
Alguma vez na vida você já sentiu que você foi roubado?
Mas não um anel,uma camisa,não,não é a sua carteira,nem o celular,não.

É aquela sensação de que você estava ausente de você mesmo,aquela sensação de vazio quando depois de um relacionamento que terminou,você tem a sensação de que aquela pessoa levou boa parte de você embora.

Quando alguém morreu e você tem aquela sensação de que o outro levou você embora.

Você também já pode ter experimentado na vida,ver o seu filho nas drogas,por exemplo,seu filho já não é mais dono da vida dele porque se ele fosse,ele pararia com o vício naquele momento que ele decidisse,não é verdade?

Quantas pessoas alcóolatras,quantas pessoas viciadas em drogas,maconha,cocaína, craque...não são donas mais das sua vontades porque a droga seqüestrou aquilo que elas têm de mais precioso que é o direito de decidir o destino da própria vida.

Esse livro trabalha isso,minha gente,muitas relações humanas são roubos,não roubam o nosso corpo,roubam a nossa alma.

Pois bem,existem realidades humanas que têm o poder de nos devolver a nós mesmos também,quando a gente teve aquela sensação de que a gente foi roubado lá no fundo da alma,assim como o alimento tem o poder de nos devolver a vitalidade do corpo,nós temos muitas formas de buscar a devolução daquilo que nos foi roubado ao longo da vida.

Nós acreditamos numa religião assim,que tenha o poder pela palavra de Deus,pelo poder da oração,pelo poder da reflexão devolver as pessoas à elas mesmas no momento em que elas percebem que foram roubadas.

E nós somos roubados mesmo,a capa já ta dizendo tudo – é um rapaz retirando a máscara,é ele voltando a ser ele mesmo – muitas vezes nos relacionamentos que nós assumimos,a gente acaba se transformando no que o outro quer que a gente seja,

Muitas vezes em nome do amor nós colocamos máscaras nas pessoas,nós não permitimos que elas sejam elas mesmas e isso é gravíssimo,nós sofremos muito nos momentos em que nós não somos nós mesmos porque é muito triste você não ter liberdade para agir.

Medo, por exemplo,aqui a gente trata disso.Quando a gente sente medo,nós estamos privados de sermos nós mesmos.Falo daqueles medos que são fobias,né porque o medo é natural,ele nos alerta para o perigo,mas por exemplo,aquela pessoa que tem medo de amar de novo só porque ela foi traída no passado,aquele traidor na verdade,ele teve o poder de seqüestrar a sua capacidade de que ela poderia ser amada.

Então nós precisamos buscar as suas devoluções,nós não podemos viver ausentes de nós mesmos,se não outras pessoas vão tomar conta da nossa vida e nós não queremos isso, não."administrar a própria vida é o negócio mais urgente".

Padre Fábio de Melo.