segunda-feira, novembro 12, 2007

A alma não tem cor ....



Segunda feira carregada de novidades, os shows do violeiro bombaram geral, agradaram em cheio os mineiros aniversário do músico e feriado outra vez, 15/11-data para se comemorar a proclamação da República... Parafraseando meu "ídolo","tava aqui pensando eu com a minha violinha" Me fez lembrar o jantar que fui neste fim de semana sobre o quanto ainda estamos na "monarquia", com velhos pensamentos, crenças, credos e não provocamos uma "metamorfose ambulante" como diz o imortal Rauzito, na maneira de se relacionar com o outro. O jantar foi dos melhores, garçon, DJ, algumas cabeças pensantes, a maioria educadores, levamos de presente o CD novo de Almir Sater e para minha felicidade o"bate estaca" cessou por um tempo, pois a feliz aniversariante pediu para o DJ colocar de imediato o disco do músico..

Uma senhorinha desatenta, disse:"É aquele das manhãs e das maçãs??..adoro vou ouvir então, complementei: sim senhora, é "aquele", mas hoje vamos ouvir o mais novo lançamento do músico, seu disco inovador com arranjos magistrais e letras maravilhosas...pode ser??... Graças a Deus, puderam comprovar que dissera a verdade porque no final comentaram: "Precisamos comprá-lo para levar para nossas unidades de trabalho na escola..o som é bom demais!"Que disco delicioso de ouvir !!!.Bingo!!. Presente mais que acertado, fã que faz a sua parte é assim, nem numa festa deixa de "marketear" o trabalho do Sr.Sater e presente igual este somente rosa vermelha..mas não seria "original" assim..e surpreendente!

Num País onde é moda a pirataria, presentear alguém com um CD original é raridade e se ainda for de Almir Sater, mais que elegante óbvio.!!!! Neste meio tempo surgiu um assunto que me fez postar hoje no meu diário(blog) sobre e filosofar sobre; Muita gente pensa que filosofia é "para poucos ou loucos e que está fora de moda" ledo engano, deveria ser matéria obrigatória desde o ensino primário nas escolas, porém será que é interessante para o sistema, o governo,"filosofar"??... De repente seríamos "admirável gado novo",(Zé Ramalho), mas não mais sendo povo marcado e feliz, mas discutindo e brigando pelos nossos direitos e não mais indo para o abate conformado. Filosofar nada é mais do que "pensar" e se meu mestrado não engatar ano que vem, eu vou fazer facu de Filosofia..sim senhor, é algo que gosto-"pensar","ler","indagar" e "conhecer"para eu tirar minhas proprias conclusões(= São Tomé preciso ver para crer). Devo estar bem na "fita" porque minha ex. Professora e "bam bam", mestra de Filosofia, me convidou para fazer parte de um Café Filosófico.

Conversa vai conversa vem, o assunto enfocado foi sobre os negros e que eles eram na verdade os mais preconceituosos,  sobre a sua cor e raça porque uma amiga não se sentia confortável por estar envolvida emocionalmente com um.
Eu gostaria de ser menos "revolucionária" e ás vezes até de se omitir mediante a ignorância sobre certas coisas, mas acho que tenho um pé na cultura indígena ou coisa parecida, não seria eu se me calasse diante de certos princípios errados e opiniões antagônicas e arcaicas. Custa crer que em pleno 2.007, século 21, existem pessoas "alienadas", "apedeutas", que ainda acham que a escravidão não foi um falta de humanidade e brutalidade contra determinados povos.
O ápice da conversa foi qdo citei para esse cidadão, o livro "casa grande e senzala", do ilustre sociólogo Gilberto Freyre que foi buscar nos diários dos senhores de engenho e na vida pessoal de seus próprios antepassados a história do homem brasileiro e que as plantações de cana em Pernambuco eram o cenário das relações íntimas e do cruzamento das três raças:índios, africanos e portugueses. Eu fui surpreendida com os dizeres de que esta história desonrosa, são "histórias inventadas pelo povo africano", pois não existiu tamanha brutalidade do homem "branco"para com seu semelhante e irmão.

Freyre descreve as atrocidades que as mulheres "brancas", consideradas ignorantes, que só serviam para tecer, bordar e fazer as honrarias das casas dos senhores de engenho, pois eram as negras que os infelizes tinham "preferência" e não as poupavam sem direito de escolha. A escravidão desenraizava o negro de seu meio social e desfazia seus laços familiares.Além dos trabalhos forçados,ele era usado como reprodutor de escravos: era preciso aumentar o rebanho humano do senhor de engenho. As crias nascidas eram logo batizadas e ainda assim consideradas gente sem alma. A Igreja, esteio dos poderosos, agia da mesma forma no tratamento dado ao negro. A mulher escrava fazia a ponte entre a senzala e o interior da casa-grande e representava o ventre gerador. As negras mais bonitas eram escolhidas pelo sinhô para serem concubinas e domésticas.Objeto dos desejos sádicos dos homens,do senhor de engenho ao menino adolescente,a negra sofria por parte da mulher branca os castigos mais variados. Se a beleza dos seus dentes incomodava a desdentada sinhá,esta mandava arrancá-los.A escrava adoçava a boca do senhor e recebia chicotadas à mando da senhora,mas cumpria as tarefas que normalmente estariam destinadas à mãe de família.
Costuma dizer-se que a civilização e a sifilização andam juntas.
O Brasil, entretanto,parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado.Foram os senhores das casas-grandes que contaminaram as negras das senzalas. "E ainda ouvir destas pessoas que mesmo sendo livres, os negros não progrediam, não queria trabalhar; ora faça-me um favor e nem tinham como fazer isso, a discriminação e ignorância eram tantas que eles eram obrigados mesmo com dinheiro a viver em guetos, periferia...

Eu fico indignada que essas pessoas como se não bastasse toda a vergonha e desonra para com a outra cultura e raça, tem essa concepção sobre o índio, o negro..tanto que deixei essa pergunta no ar: -Falamos tanto que cremos num Deus, somos religiosos, somos seguidores de Cristo, no entanto onde está nossa compaixão e quando digo isto, falo no sentido de me espelhar no outro como ser humano e semelhante que segundo a Bíblia, feitos a imagem de Deus ???-
Mas os portugueses e os espanhóis
Invadiram a terra dos Guaranis;
-Dissemos sempre que amamos nosso próximo como a nós mesmos ou como Deus nos ensinou- Onde? Quando isso acontece? é fácil falar que pertenço a uma congregação, que sou religioso e que amo a Deus.. mas e o irmão que é feito à imagem e semelhança de Deus, como fica nesta história? "Ah deve ser porque somente brancos tem alma".

-Por que somos tão intolerantes com o outro, perdoamos de pouco e guardarmos raiva e ressentimentos de mais ?

- Por que famílias, amigos se degradam a todo o instante, por que ficamos inertes diante do sofrimento alheio, porque deixamos a ganância, a inveja, a falta do discernimento tomar conta de nossos sentimentos?

-Por que não respeitamos as pessoas de Terceira Idade, por que não aceitamos os com necessidades especiais, por que não convivemos com os diferentes ,com as credos e raças? ...

Afinal, todos não somos feitos do mesmo "barro" ??? - -Por que deixamos nossos filhos colocar apelidos "pejorativos" em quem está fora de peso, usa óculos de grau, tem cor amarela, vermelha ou negra ??? Eu acho que não consigo aceitar a falta de conhecimento, ignorância e a falta de empatia com o semelhante...porque todos nós temos "obrigação" de buscar conhecimento e rever nossos conceitos , poste é que fica parado e sempre no mesmo lugar... Agora eu compreendo quando numa aula estava falando sobre a inclusão social e o respeito as diferenças..uma aluna negra e linda por sinal até brinquei que ia ser sua empresária no ramo da moda, disse baixinho:"para a professora é fácil falar, tem a pele branquinha, alva e olhos azuis como os de anjo" !! Porque o pré conceito embora velado e proibido por lei, discriminação é crime, graças a Deus, ainda perdura de forma inescrupulosa, fico a imaginar o quanto de "não aceitação" a moça teve que passar por situações embaraçosas, ao levar um currículo e por pura ignorância e falta de amor a Deus, por sua cor ser diferente.

Por isso disse com todas as letras para esse senhor, que ainda ocupa um cargo de líder numa importante entidade pública, mesmo deixando a anfitriã numa saia justa:"Eu não acredito que ainda existem pessoas como o Senhor que diz prontamente que ama a Deus, que segue seus mandamentos, mas que não enxerga nada a sua frente".

Nunca é tarde para rever valores ,conceitos e sobretudo provar que amamos a Deus, não com palavras, mas com gestos, atitudes, dignidade, respeitando todas as crenças, raças e culturas. Eu tenho muito que aprender ainda neste caminho para amar a Deus, mas estou aberta a isso. E neste ponto é que minha forma de pensamento cruza com meu músico preferido, pois nunca vi Almir Sater falar asneiras sobre pessoas, culturas ou crenças...Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro."Mestre Gilberto Freyre".
Por isso cansei de gente dissimulada, ironia, hipocrisia, cinismo e de se achar acima do bem e do mal", se não é capaz de respeitar e olhar as pessoas de dentro para fora, não pela cor, status ou beleza física. "Todo mundo...não quer se encontrar com os pretos, não quer, só quer se ligar aos brancos.Mas isso naquela época a Princesa Isabel libertou!Cabou-se, né!esse negócio de não querer se encontrar com o negro.Porque tristes dos brancos se não fosse o sangue do negro."Maria Madalena Correia,cantora (Ilha de Itamaracá, PE).

Hoje tenho minha raiz
Dos antigos lados dos Xaraés
Toco chamamés que eu mesmo fiz
De hoje em diante somos iguais-(Serra de Maracaju -Almir Sater)
O dia da Nacional da Consciência Negra é comemorado dia 20 de Novembro, sendo feriado em 225 municípios e desde o dia 10 do corrente mês ,já se iniciaram as homenagens é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro.