Loira Do Bem ∞ : Sob o Domínio da Lua -

terça-feira, 17 de julho de 2007

Sob o Domínio da Lua -


















Lua Nova
Almir Sater / Paulo Simões)

Quando você dorme longe de mim
Parece que a noite não vai ter fim
Sempre que meu sono demora a chegar
Parece que o sol não quer mais raiar.

Chega de tanto faz
Deixa de vai, não vou
Você não me liga mais
Nem pra dizer alô
Vai que você me liga um dia
E eu digo que não ‘tou.

Sou navegante querendo voltar
Seja meu farol, minha estrela polar
Nessa vida errante só vou ser feliz
Tendo agora em diante o que eu sempre quis.

Chega de tanto faz
Chega de timidez
Você não me liga mais
Já vai pra lá de mês
Vai que você me liga um dia
Eu te esqueci de vez....

Se até a lua nova já se dispôs quando estiver cheia
brilhar por nós dois...

Em todas as culturas,a Lua sempre foi ligada àvida e à morte.A ciência garante que a Lua não passa de uma esfera poeirenta e esburacada.Apesar de tudo,ela continua sendo vista como uma entidade mágica,que tem poderes sobre os destinos da humanidade.Por quê?É difícil dizer.Parte da resposta pode estar na História.

Por não entender os fenômenos naturais, o homem buscava explicações nos astros, principalmente na Lua e no Sol. Daí surgiram os primeiros deuses e mitos."

A lista é longa. A começar pelos gregos que, não contentes com uma única deusa lunar, criaram três: Ártemis, para o Quarto Crescente, Selene, para a Lua Cheia, e Hécate, para as luas Nova e Minguante.

Os romanos foram mais modestos: chamavam a Lua de Diana, protetora da caça e da noite.

Entre os povos da Mesopotâmia,ela era a deusa Sin,que mais tarde foi substituída por Ishtar,na Babilônia.

Para os chineses,era Kwan-Yin e para os índios brasileiros,Cairê ou Jaci.
Assim, o fascínio da Lua resiste, ao longo dos séculos. Ainda hoje, dizem que ela influi na germinação e no desenvolvimento dos vegetais, no crescimento do cabelo, no humor das pessoas, na gestação e no parto, entre outras coisas. A ciência não consegue eliminar de vez esse encanto lunar. Mas faz um contraponto com as crenças, limitando os territórios do conhecimento e da mitologia. Nas próximas páginas, você vai saber o que há de verdade e de superstição em tudo isso.

Fonte:VENTUROLI, Thereza.Sob o Domínio da Lua.
In: Superinteressante, Brasília ; Rio de Janeiro, v.8, n.8,

Se há verdade nisto,não posso afirmar..mas que a lua tem seu fascínio naturalmente que sim..sempre embalou os lindos poemas ou canções dos poetas,trazendo a sensibilidade a flor da pele..contando causos ou sendo testemunha de lindas histórias de amor..

Nos versos lindos de Cecília Meirelles ou na música de Almir Sater..o tema é um só..
a lua se faz presente,para que os poetas possam expressar todo o sentimento causado
por sentimentos adversos.

-Lua Adversa-

Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...(Cecília Meireles)

E a literatura indígena é rica neste quesito..gosto muito de uma lenda em especial e quando ouvi a música "Terra dos Sonhos" do Almir Sater..imediatamente associei-me a ela.. sobre o canto do Zabelê....a música torna-se interessante ainda mais ao conhecer sobre a lenda de Zabelê-

-Terra dos Sonhos- Almir Sater -

A garça agora voou se foi
Que parecia um planador
E num corixo eu lavei meus pés
De camalote navegador

Quando o fundão do mato se amorenou
Então se ouviu o canto do zabelê
E tudo tem a ver com o pôr-do-sol
Que é quando se estende a rede em dois pé-de-pau
E a noite vem pelo Pantanal

Quando o dia desativou
A noite disse agora eu sou
E veio toda com seu andor
De lua nova cheia de amor

Noite, suave noite dos sonhos meus
Noite, mãe sigilosa do pererê
Noite que a todos têm porque não se vê
A mesma noite infinita, noite astral
Amanhecendo pelo Pantanal

Quando o sol brilhou, pousou uma borboleta no meu chapéu
Só uma estrela sobrou no céu
Azul cintilante, um azul sem véu

Dia de tudo ter ou de nada ter
Desde cedinho horas pra se viver
Dia para plantar
Dia pra colher
O mesmo dia de sempre
O velho sol
Se esparramando pelo Pantanal.

Zabelê -A Lenda-
Era a filha do chefe da tribo dos Amanajós. Ela amava Metara,índio da tribo dos Pimenteiras, terríveis inimigos dos Amanajós.Dizendo que iria colher mel perto de onde o rio Itaim deságua no rio Canindé,Zabelê e Metara se encontravam secretamente. Mas um dia, um índio chamado Mandau da tribo dos Amanajós, desconfiou daquelas andanças e resolveu segui-la.

É que ele vivia magoado com Zabelê,porque se via preterido por um inimigo e nunca conseguia que seu amor fosse correspondido. Mandau descobriu o local da encontro dos dois. Certa vez resolveu levar algumas testemunhas para desmascarar Zabelê.

Os dois namorados foram surpreendidos,surgindo uma briga generalizada.Depois da tanta luta,morreram Zabelê, Metara e Mandau.

O fato deu origem a outra guerra que durou sete sóis e sete luas.

Mas Tupã teve pena dos dois namorados e resolveu transformá-los em duas aves que andam sempre juntas e cantam tristemente ao entardecer.

Mandau foi castigado e transformado num gato maracajá,eternamente perseguido pelos caçadores por causa do valor da sua pele. Zabelê vive cantando ainda hoje a tristeza da seu amor infeliz.